quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015 11:11h Atualizado em 26 de Fevereiro de 2015 às 11:22h. Mariana Gonçalves

Paralisação dos caminhoneiros chega ao fim após determinação da justiça

A Justiça Federal em Minas Gerais acatou o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e determinou a liberação em caráter imediato das rodovias

Na decisão, a juíza Anna Cristina Rocha Gonçalves, da 14ª Vara Federal, estipulou multa de R$ 5 mil para os condutores que descumprirem a ordem e R$ 50 mil para as entidades responsáveis.
Em Divinópolis, a MG-050, no Km-60, começou a ser desocupada no decorrer da tarde de ontem. Alguns motoristas chegaram a parar o trânsito de caminhões na BR-494, próximo à entrada do bairro Nova Fortaleza, mas a ação durou por apenas algumas horas. A descentralização dos trabalhadores começou pela Fernão Dias.
Em diversas estradas de Minas Gerais o protesto já teve fim, mas as discussões referentes às reivindicações da categoria continuam em andamento em Brasília. Em pronunciamento para as emissoras nacionais de televisão, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que o valor do diesel e da gasolina não tem como ser reduzido, no entanto, os motoristas pedem então que seja feito o reajuste no valor do frete, para que o mesmo compense o valor empregado no combustível.
Muitos profissionais se sentiram revoltados por ter que pôr fim à paralisação sem que nenhum acordo fosse fechado. Em algumas regiões houve resistência por parte dos motoristas a deixar a pista. A Polícia Militar Rodoviária (PMR) teve que intervir. Pela internet foram postados vídeos onde a polícia usa de violência para a retirada dos caminhoneiros. Em Divinópolis isso não aconteceu, mesmo que desgostosos com a medida, os profissionais não entraram em confronto com a polícia.
A reportagem acompanhou a movimentação dos grevistas na MG-050, próximo ao bairro Quintino, e o que todos os profissionais ressaltaram é que pelo menos no Estado a mobilização ocorreu pacificamente. Além do mais, os veículos que estavam transportando cargas vivas, como animais, e alimentos perecíveis tiveram total liberdade para passar nas estradas.
Em matéria veiculada no Jornal Estado de Minas, a juíza Anna Cristina disse que a liminar foi concedida baseada na Constituição Federal, que estabelece direito à manifestação, porém, desde que não cause prejuízos à sociedade. “Não é justo nem razoável a utilização abusiva desses direitos, extrapolando os limites do regular exercício do direito e impedindo o direito de ir e vir dos demais cidadãos usuários das vias públicas”, afirma Gonçalves.
No total, houve paralisação de caminhoneiros em 13 estados do país. Foram registradas intensas mobilizações na Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul.

 

ABASTECIMENTO
Como já noticiado pela Gazeta do Oeste na edição de ontem, devido à correria dos divinopolitanos para garantir o combustível em seus veículos, vários postos da cidade esgotaram os seus estoques. Inclusive, um dos assuntos de preocupação da população era quanto ao transporte coletivo, mediante a declaração do diretor do Consórcio Transoeste, Felipe Carvalho, de que os ônibus poderiam parar por falta de combustível.
Sobre esse problema a reportagem recebeu do consórcio nota em que informa que o abastecimento dos coletivos se encontra normalizado, devido à liberação parcial das rodovias de Minas Gerais. Sendo assim, o risco de ausência de transporte coletivo na cidade já está descartado.
Cabe salientar ainda que aos poucos os postos de gasolina do município irão normalizar sua situação. Em questão de alimentos, algumas empresas alegaram ter sido prejudicadas com a paralisação, mas não chegou a faltar comida nas prateleiras dos estabelecimentos divinopolitanos.

 

Crédito: Mariana Gonçalves

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