sexta-feira, 20 de Novembro de 2015 12:13h

Peixes ornamentais: muito mais que uma bela presença no aquário

Atividade impulsiona economia, gera renda e qualidade de vida na região de Muriaé

Patrocínio do Muriaé é um município de aproximadamente cinco mil habitantes, na Zona da Mata mineira. Está situado numa região onde a parceria do café com leite tem peso considerável na renda dos produtores rurais. Mas o que vem garantindo reconhecimento nacional ao município é a produção de peixes ornamentais. Patrocínio do Muriaé é referência no país na criação de peixes ornamentais de qualidade, principalmente da espécie Betta.

Segundo a avaliação do extensionista da Emater-MG, Cristiano Alberto Silva, a piscicultura ornamental envolve diretamente cerca 15% da população economicamente ativa no município. “A atividade vem sendo abraçada pelos jovens, filhos dos produtores de leite, e também pela mulher rural, garantindo o envolvimento da família e evitando o êxodo rural”, afirma. O técnico da Emater avalia que o retorno econômico da piscicultura já empata com a bovinocultura de leite no município e os caminhos apontam para que seja a principal atividade no futuro.

A história de Jardel Rezende Nascimento é um dos muitos exemplos da importância socioeconômica da atividade na região. Mecânico de moto até bem pouco tempo, em Patrocínio do Muriaé, ele mudou sua trajetória e decidiu investir na piscicultura ornamental, depois de participar do Projeto Transformar da Emater-MG que desenvolveu, em todo o estado, ações de qualificação profissional voltadas para a juventude rural. Orientado pela Emater, ele desenvolveu o projeto, buscou financiamento de R$ 6 mil pelo Pronaf, investiu na atividade e buscou mais qualificação para tocar o seu negócio. Hoje, seu sustento vem 100% da piscicultura, que é a responsável também pela melhoria da qualidade de vida de toda a família. Numa área de 900 metros quadrados, com sete estufas, e o apoio da esposa Roseli, sua produção é de 700 peixes ornamentais por semana, comercializados em várias regiões do estado e em São Paulo, a R$ 1,10 o macho; R$ 0,20 a fêmea e a R$ 1,30 o casal. “Consigo viver da piscicultura e foi com ela que conseguimos melhorar nosso padrão de vida, ampliar o negócio de uma para sete estufas e adquirir nosso carro, casa e computador com internet”, enumera.

 


Criação intensiva

A piscicultura na região é desenvolvida no sistema intensivo de produção, predominantemente em estufas. Segundo a diretora de Aquacultura da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ana Carolina Euler, as estufas favorecem um maior controle no sistema de produção, como controle da temperatura e predadores. “A região da Zona da Mata registra temperaturas muito altas no verão e muito baixas no inverno e as oscilações são muito prejudiciais aos peixes. As estufas protegem a criação dessa variação de extremos”, explica.

O município se especializou na criação da espécie Betta, um peixe pequeno, muito colorido, com caudas e nadadeiras bem vistosas e muito procurado por quem investe em aquarismo. Em Patrocínio do Muriaé, está localizado um dos principais criadores da espécie no país. Ronaldo Vilela, na Fazenda Engenho de Serra, tem uma produção de 30 mil machos por mês. É pioneiro na adoção de várias tecnologias na criação dos animais e abriu sua propriedade para a visita técnica de criadores, especialistas e empresários de outros estados que participaram do 1º Workshop da Aquacultura, organizado pela Secretaria da Agricultura. A qualidade é o principal diferencial para quem quer conquistar esse mercado.

Ao mesmo tempo que procuram aprimorar a técnica, os produtores estão atentos às novidades que o mercado sempre requer. “Hoje o Betta domina a preferência dos consumidores, mas e daqui a cinco anos?”, questiona o médico veterinário da prefeitura e também criador, Gabriel Miranda. Em sua avaliação, é preciso diversificar a oferta e estar preparado para a criação de outras espécies ornamentais, com a mesma competência e domínio de técnicas que hoje eles detêm em relação ao Betta.

Os produtores, associação e prefeitura estão trabalhando na implantação de projetos para a melhoria da espécie Guppy. “Hoje produzimos o que o mercado quer, mas queremos sair na frente e ter condições de oferecer alternativas, e não ficar presos apenas a uma determinada espécie”, explica. Na 12ª Exposição de Peixe Ornamental do município, Gabriel Miranda foi premiado com os três primeiros lugares da Espécie Guppy e fez a doação dos animais vencedores aos produtores, com o objetivo de alavancar o projeto. A premiação do melhor peixe Betta ficou com o produtor Deidson de Barros, que também levou o troféu do melhor peixe da exposição.

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