quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2016 10:17h Agência Minas

Pesquisa avalia sistema produção de tilápias em fluxo contínuo de água

O funcionamento, os requisitos e os cuidados na implantação do sistema de produção de tilápias em fluxo contínuo de água foram abordados durante Encontro de Piscicultura, realizado no dia 16 de fevereiro, em Arcos

Em palestra, que reuniu produtores rurais do município e representantes de sindicatos rurais filiados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), o pesquisador da EPAMIG Vicente Gontijo destacou os aspectos positivos e pontos de atenção do modelo.

 

 

Vicente diz que o sistema de produção intensiva em fluxo contínuo de água, com ou sem recirculação, está se consolidando na piscicultura. O sistema com recirculação permite o reaproveitamento da água, o que implica em redução de custos e sustentação da atividade em momentos de escassez hídrica. “A água eliminada das caixas, por ser rica em fósforo e amônia, pode ser utilizada em outras atividades como a hidroponia e a produção de alimento natural para os peixes. A aquaponia, união de aquacultura e hidroponia, se dá com o uso da água efluente dos peixes como solução nutritiva para as plantas hidropônicas. Essa água é reoxigenada e, livre do nitrogênio e do fósforo, pode ser usada novamente na piscicultura”, explica.  

 


O sistema apresenta como vantagens facilidade de manejo, aumento significativo do volume produzido, e redução dos impactos ambientais e da mão-de-obra. Requer também alguns pontos de atenção como: acompanhamento constante da qualidade e da temperatura da água, além de planejamento dos gastos com energia elétrica (recomenda-se o bombeamento noturno como forma de economizar). “A pesquisa também carece de mais resultados. A Unidade Demonstrativa de Arcos foi instalada em 2012, mas a questão hídrica fez com que o projeto fosse paralisado. Recentemente, retomamos as atividades e vamos fazer experimentos também na Unidade da EPAMIG em Felixlândia. Creio que entre um ano e um ano e meio teremos um pacote tecnológico mais completo”, informa o pesquisador.

 

 


O produtor familiar Paulo Henriques pretende iniciar a produção em fluxo contínuo em seu sítio de um alqueire no município de Arcos, onde já trabalha com horticultura, suinocultura, avicultura e piscicultura em tanque escavado. “Iniciamos na piscicultura há dez anos e estamos começando a trabalhar com tilápias. Temos na propriedade água em abundância e queremos aproveitá-la de forma consciente. A facilidade de manejo e a redução nos custos de produção despertaram nosso interesse pelo sistema de fluxo contínuo”, informa, destacando o potencial de mercado. “Existe uma demanda grande pelo produto e faltam fornecedores. Podemos trabalhar com peixe fresco, na bandeja, fornecer para a feira municipal. Nossa expectativa é muito boa”, completa.
Após a palestra, os participantes puderam esclarecer dúvidas e conhecer o projeto em funcionamento durante visita ao Campo Experimental da EPAMIG. “Entendemos este sistema como de fácil adaptação para a agricultura familiar e, por isso queremos apoiá-lo e difundi-lo”, disse o presidente da Fetaemg, Vilson Luiz da Silva, coorganizadora do evento.

 



O Modelo    
O sistema de produção de peixes em fluxo contínuo utiliza caixas de fibra de vidro onde a água circula ininterruptamente, a renovação chega a 100% da água em uma hora e permite a eliminação da amônia liberada pelo peixe e a reposição dos níveis de oxigênio. O modelo básico é composto por sete caixas d’água circulares de 2 mil litros em fibra de vidro, com capacidade para produzir até cinco toneladas de peixe ao ano. Cada caixa pode abrigar até 300 peixes.

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