quarta-feira, 27 de Maio de 2015 12:53h

Pesquisadores identificam espécies invasoras que comprometem a biodiversidade aquática

Mexilhão Dourado está entre as espécies identificadas no reservatório da Cemig em Volta Grande

A infestação de espécies invasoras na bacia do Rio Grande, localizada na mesorregião Sul-sudoeste acendeu alerta entre os pesquisadores, que estiveram na região para coletar amostras de água. O intuito da visita era avaliar a qualidade no reservatório da Cemig em Volta Grande.

De acordo com a pesquisadora Sofia Brito, apesar dos índices apontarem boa qualidade da água, o reservatório está infestado de moluscos – Mexilhão Dourado, Caramujos Trombeta, Physa e Biomphalaria Stramínea. “Essas espécies não interferem na qualidade da água, porém comprometem a biodiversidade, porque competem com espécies nativas”, afirma.

Ainda de acordo com a pesquisadora, dentre os moluscos invasores, o Mexilhão Dourado continua preocupando biólogos, pescadores e hidrelétricas. “Ele destrói a vegetação aquática além de disputar alimento com as espécies nativas”.

O molusco ainda prejudica a pesca, já que praticamente substitui o alimento dos peixes.  “Por ter uma grande capacidade de reprodução e dispersão, o mexilhão se espalha com rapidez”, relata Brito. Para piorar, não existem predadores desta espécie na fauna daqui.

Na usina hidrelétrica o mexilhão invade ainda em forma de larva, as tubulações por onde passa a água e lá se fixa. Na fase adulta obstrui as tubulações podendo causar superaquecimento nas máquinas. Neste caso, a única forma de retirar o mexilhão é manualmente.

O controle da proliferação segundo a pesquisadora é feito por monitoramento e retirada da parte incrustada nas tubulações das hidrelétricas e cascos das embarcações. Também é feito trabalho de prevenção com o objetivo de retardar a expansão do Mexilhão nos rios.

O mexilhão dourado é um molusco originário da Ásia. A espécie chegou à América do Sul de modo acidental na água de lastro de navios cargueiros. A entrada aconteceu primeiramente na Argentina e depois no Brasil. Hoje já foi detectada em quase toda a região Sul e em vários pontos do Sudeste e Centro-Oeste.

A coleta foi coordenada pelas pesquisadoras; Sofia Brito, Cristiane Machado de López e pela mestranda Gizele Cristina Teixeira de Souza. O projeto é fruto de uma parceria entre a Fundação Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (UNESCO-HIDROEX) e a Cemig.

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