sexta-feira, 23 de Setembro de 2016 17:46h Atualizado em 23 de Setembro de 2016 às 17:48h. SEGOV

Pesquisas de alunos das escolas estaduais mineiras são premiadas pela UFMG

De um total de 15 premiações, nove são da rede pública estadual. Estudantes ganharam bolsas de iniciação científica júnior e serão incluídos no Programa de Mentoria Pedagógica da universidade

As pesquisas desenvolvidas por alunos das escolas estaduais mineiras foram destaques na 17ª Feira de Ciências UFMG Jovem. De um total de 15 premiações concedidas, nove foram para escolas da rede pública estadual, três da rede municipal, da capital e interior, duas de colégios particulares e uma do Cefet – Centro Federal de Educação Tecnológica.

Os vencedores da rede estadual têm representantes em todas as categorias: projetos de ensino fundamental (2º e 3º lugar), projetos de ensino médio (2º lugar), escola destaque ensino médio, professor destaque do ensino fundamental, professor destaque do ensino médio e dois trabalhos na categoria credenciamento para feiras nacionais e internacionais.

As escolas ganhadoras receberam kits com livros, além de bolsas de iniciação científica júnior para os alunos, e serão incluídas em Programa de Mentoria Pedagógica da UFMG e da Diretoria de Divulgação Científica da Proex-UFMG.

A UFMG Jovem também indicou quatro projetos para participação em feiras de ciência nacionais e internacionais. Os professores premiados na categoria destaque ganharam kits com livros e tablets.

 

Trabalhos

A Escola Estadual Eliseu Laborne e Vale, em Belo Horizonte, conquistou o 2º lugar na categoria ensino fundamental, com o trabalho “Ecologia Social: os impactos da união escola/comunidade escolar no contexto da restauração do ambiente coletivo”.

“Cada sala de aula recebeu pintura nova, feita pelos alunos, num gesto de cuidado e preservação do ambiente de ensino. Houve redução da produção de lixo e desperdício de papel. Reduzimos a sujeira e a depredação”, comemora Carneiro, que orientou o projeto.

A iniciativa do professor de geografia, Joelton Carneiro, trouxe de volta aos alunos o pertencimento ao ambiente escolar. É o que conta a estudante do 9º ano do ensino fundamental Carolaine Leotério, 14 anos: “Nós passamos a entender com o coração a importância de cuidar da nossa escola. Queremos desenvolver outros projetos e participar de outras feiras de ciências”, conta animada.

 

 

 

Iogurte funcional

Os estudantes do ensino médio da Escola Estadual João Rodrigues da Silva, em Prudente de Morais, já têm história em pesquisa. A invenção da bicicleta inteligente com setas, lanterna frontal, sensores de impacto e GPS integrado, premiada anteriormente, ganhou a mídia e estimulou outros alunos a se envolverem em outra investigação científica.

Desta vez, foi “o iogurte inteligente” que garantiu o segundo lugar na categoria de ensino médio do prêmio da UFMG. Os estudantes criaram bebida à base da fruta cagaita, de origem do cerrado, que ajuda no funcionamento intestinal.

De acordo com o professor de geografia e orientador da pesquisa, Eduardo Geraldo Teixeira Neves, por ser uma fruta com propriedades funcionais, a cagaita, com denominação científica Eugenia dysenterica, possui um princípio ativo laxante.

“Queremos mostrar que a mata do cerrado tem diversos frutos que podem ser aproveitados. E comprovamos com os estudos que a fruta tem a função de fazer o intestino funcionar”, comenta.

A bebida, segundo o professor, foi testada com nove voluntários, que ingeriram o iogurte durante cinco dias. “Levando em consideração os hábitos alimentares de cada pessoa, conseguimos perceber que houve eficácia do produto”, diz.

A Escola Estadual João Rodrigues da Silva também foi premiada na categoria escola destaque por ter sido selecionada com outros inventos apresentados na feira – Lâmpadas: Economia e Sustentabilidade; Análise da Utilização de Joaninhas para o controle biológico de pulgões; Irrigação automática com sensor de umidade feito com placa de arduino; Transgênicos: conhecer para escolher; Importância das Bactérias do Gênero Rhizobium nas leguminosas; Uso da Ficus adhatodifolia na produção de cola: uma exploração extrativista como garantia de segurança alimentar; As consequências dos fungos em uma lavoura de milho em Prudente de Morais.

 

Diversidade

A Escola Estadual Olegário Maciel, em Belo Horizonte, investiu na discussão sobre igualdade de gênero, combate à homofobia, ao preconceito, discriminação e machismo.  O objetivo do projeto foi discutir a importância do respeito à diversidade e às diferenças dentro do ambiente escolar desde cedo.

Para isso, os estudantes da rede estadual promoveram encontros lúdicos com crianças da rede municipal. Foi abordado o significado da família, também tendo em vista as uniões homoafetivas.

“Fizemos diversas dinâmicas em grupo com a apresentação de brinquedos, bonecas e figuras ilustrativas. As crianças se expressaram através dos desenhos”, explica a professora de química, Rosilene Teodózia Rodrigues. Segundo ela, a atividade provocou o começo do entendimento das crianças. E levou a escola a conquistar premiação na categoria Credenciamento Feira.

 

Larvicida para combater a dengue

Na Escola Estadual Alcides Mendes da Silva, em Porteirinha, no Território Norte, a pesquisa levou à criação de um larvicida à base da planta Moringa Oleífera para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti.  E, com isso, o projeto conquistou o terceiro lugar na categoria do ensino fundamental na feira de ciências.

De acordo com a estudante do 8º ano, que também integra a pesquisa, Maiara Cristina Santos, 13, a planta misturada com açafrão tem o poder de eliminar as larvas do mosquito. A adolescente comemora a importância da descoberta. “Tivemos a ideia de desenvolver uma solução simples usando uma planta presente na região. Testamos na comunidade em torno da escola e o resultado foi surpreendente. É muito bom descobrir coisas que ajudam nossa comunidade”.

A coordenadora da feira de ciências, Silvania Nascimento, titular da Diretoria de Divulgação Científica da UFMG, comemora a participação das escolas estaduais.

 

"É uma satisfação ver que a UFMG Jovem está presente também no interior do estado. Todos os trabalhos estão bem feitos e criativos. Eles propiciam um novo olhar, até então não observado por um pesquisador já formado e isso é incrível”.

Silvania Nascimento, titular da Diretoria de Divulgação Científica da UFMG

 

Confira aqui a lista completa de todos os projetos vencedores.

Professor destaque do ensino médio

Outra premiação que foi na categoria professor destaque do ensino médio, para a educadora Patrícia Mara Silva da Escola Estadual João Rodrigues da Silva de Prudente de Morais. Além dela, a professora Mariana Guedes, da Escola Estadual Tomás Brandão, de ensino fundamental em Belo Horizonte, também foi premiada.

Na categoria ensino fundamental, além do 1º, 2º e 3º lugares, também foi premiado o professor destaque. Na categoria ensino médio, além do 1º, 2º e 3º lugares, houve premiação para professor destaque e a melhor escola pela votação popular. Também foram credenciadas quatro escolas para participar de feiras nacionais e internacionais em diferentes países (Inglaterra, Peru, Equador, Costa Rica e Portugal) em 2017.

 

 

A comissão responsável pela avaliação dos trabalhos foi composta por professores, bolsistas de apoio técnico do CNPq e por alunos de pós-graduação da Faculdade de Educação da UFMG, sendo que cada trabalho foi avaliado por três membros da comissão.

Como participar

Anualmente a UFMG lança um edital para que as escolas particulares e publicas cadastrem seu projeto de pesquisa. Uma banca seleciona 50 trabalhos que serão posteriormente avaliados em qualidade, criatividade, clareza e engajamento da equipe. A nota é classificatória em primeiro, segundo e terceiro lugares.

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