sexta-feira, 16 de Março de 2012 19:14h Atualizado em 17 de Março de 2012 às 10:29h. Vinicius Soares

PM faz ocorrência de negligência em hospital público

Senhora de 68 anos teve que acionar a Polícia para poder dar entrada no Hospital Manuel Gonçalves em Itaúna

Uma senhora de 68 anos natural de Carmo do Cajuru, deu entrada no hospital Manuel Gonçalves na madrugada de anteontem, (15/03), em Itaúna. Mas, para ser atendida, teve que solicitar presença da polícia militar. O marido dela, o senhor João Batista, atualmente trabalha em Belo Horizonte e reside em Betim com sua filha, recebeu um telefonema para lhe notificar que a sua esposa estava passando muito mal e tendo sangramentos. O aposentado relatou sobre o descaso do hospital. “Eu recebi uma ligação de um amigo, dizendo que minha esposa estava com sangramento, logo eu pedi para que a levasse até o hospital de Itaúna. Chegamos ao hospital as 4h da manhã e fiquei conversando com meu amigo até ela ser atendida. Sai de Betim com a minha filha e chegando lá, o clínico me disse que era caso de cirurgião. Ela estava com hemorragia anal, precisando ser atendida com urgência, só que eu não podia levar ela até outro local sem um suporte. Tive que notificar a polícia local, pois, já eram 6h e após 5 chamadas ao médico, ele não respondeu. Não sei de quem é a culpa, mas faltou atendimento.” respondeu indignado.
O autor da ocorrência, Sargento Fiúza classificou o BO e detalhou o incidente.
“A ocorrência foi encaminhada como ‘omissão de socorro, e será levada para o Ministério Público. Sempre que a pessoa se sentir lesada, no caso de não atendimento médico, é recomendável a chamada ao 190, para que nós possamos agir com prontidão.” detalhou o policial. A filha da vítima, que preferiu não se identificar, que por ironia do destino, é técnica de enfermagem, teve que assistir a mãe agonizar enquanto aguardava. Ela nos contou sobre o quadro clínico da vítima. “Minha mãe chegou com um quadro clínico bastante crítico. No primeiro momento, aplicaram soro para que ela suportasse a desidratação em decorrência da hemorragia, para que ela não viesse a progredir para um estado de choque ou mesmo ter uma parada cardíaca. O clínico tinha de ter passado uma prescrição para os enfermeiros, alertando a situação, para que estes viessem a realizar o atendimento. E não foi o que aconteceu. Foi muita negligência! revoltou-se a filha da vítima.
Todos os senis têm o direito de serem atendidos com prioridade em qualquer lugar que seja, e isto vale também para o SUS, segundo a Lei 8.880 do Estatuto do Idoso. O responsável administrativo do hospital, Josias Gambareli falou sobre o hospital e os fatos corriqueiros no recinto médico. “Melhoramos muito de um ano para cá. Temos vários médicos de plantão 24h. Alguns casos fogem um pouco da nossa gerência, infelizmente! Quando cheguei aqui de manhã, liguei para a Vanézia, Secretária Adjunta de Saúde, ela notificou o médico que estava de plantão. O cirurgião indicou uma endoscopia digestiva. A respeito da negligência, o caso já foi encaminhado para o Ministério Público, sendo cabível de indenização a vítima e até cassação do diploma de medicina do médico.” explicou o diretor administrativo. O médico não foi encontrado para se pronunciar.  

 

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