segunda-feira, 30 de Maio de 2016 12:04h Agência Minas

Polo e centro de referência estimulam a piscicultura ornamental na Zona da Mata

Aquicultores familiares se destacam na região, com comercialização nacional de 70% dos peixes ornamentais de água doce

Minas Gerais vai contar com um Polo de Excelência em Piscicultura Ornamental na região da Zona da Mata. Instituído por lei, o polo tem entre suas missões: incentivar a produção e a comercialização de peixes ornamentais; fomentar o desenvolvimento e a divulgação de tecnologias para o cultivo; contribuir para a geração de empregos e para o aumento da renda no meio rural, sobretudo para a agricultura familiar e o desenvolvimento sustentável; criar condições para atrair novos negócios; entre outros objetivos.

Com a nova legislação, publicada neste mês de maio no Diário Oficial Minas Gerais, representantes dos produtores e das entidades públicas e privadas do segmento vão atuar diretamente com o Estado na implementação do polo. Como diretrizes das ações governamentais, devem ser levados em conta oito tópicos, entre eles o fornecimento de assistência técnica aos produtores (gratuita para agricultores familiares), a contribuição para o desenvolvimento de parcerias e de ações de capacitação profissional, além da disseminação de boas técnicas de manejo, entre outros eixos.

 

 

 

Mudanças positivas

De acordo com a diretora da Aquacultura e Pesca da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ana Carolina Euler, a ideia é que o Estado trabalhe com foco na regularização dos empreendimentos aquícolas e oportunidades para os produtores. "O polo trará maior visibilidade ao setor, requerendo dos produtores maior profissionalismo. E também, consequentemente, a busca pela regulação dos empreendimentos, o que permitirá o acesso ao crédito", destaca.

Segundo Ana Carolina, 70% dos peixes ornamentais de água doce, oriundos da produção, comercializados nacionalmente, são produzidos na Zona da Mata por aquicultores familiares. "O futuro é promissor. Peixe ornamental, como 'pet', é o segundo hobby nacional, atrás apenas de cães. Hoje, tudo o que se produz é comercializado e a procura vem aumentando consideravelmente", sinaliza a diretora.

 

 

 

 

Em Patrocínio do Muriaé e em Barão do Monte Alto, municípios inseridos neste território de desenvolvimento, há 10 anos, uma associação dedica-se à representação de piscicultores e ao fomento da piscicultura ornamental. Trata-se da Associação dos Aquicultores de Patrocínio do Muriaé-Barão do Monte Alto (AAQUIPAM-BMA), que espera, com o polo, benefícios como a criação de linhas de crédito específicas para os produtores e uma sensibilização no reconhecimento da atividade junto aos demais órgãos fiscalizadores.

 

 

 

“A atividade de piscicultura ornamental é uma importante fonte de renda para a agricultura familiar na região da Zona da Mata mineira. Mesmo com todo o potencial de crescimento da atividade em nossa região, com a existência de um número significativo de produtores, com recursos hídricos disponíveis e com grande número de pessoas interessadas em ingressar na atividade, a atividade ainda não possui a força que deveria ter”, observa o presidente da AAQUIPAM-BMA, Getúlio Dias Leite, “Esperamos que essa organização possa atender os produtores em suas necessidades mais básicas, que são a orientação e assistência técnica especializada”, completa.

Na área de abrangência, a associação reúne 54 associados de um total de 80 piscicultores dos dois municípios. Segundo o presidente, hoje, cada associado produz cerca de 4 mil peixes por mês.

 

 

 

Referência

Criar um Centro de Referência em piscicultura ornamental na Zona da Mata, inserido no polo, é um objetivo trabalhado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), com o projeto no Campo Experimental da instituição, em Leopoldina, na Zona da Mata.  A proposta é, inclusive, segundo a Epamig, gerar informações e conhecimento para aprimorar o desempenho técnico, ambiental e econômico deste agronegócio. A iniciativa, no momento, encontra-se em fase de implantação, sobretudo para a aquisição e instalação de equipamentos e maquinários.

“O centro terá como premissa básica a geração e difusão de tecnologia, em trabalhos conjuntos com instituições públicas e com o envolvimento dos diversos seguimentos da Cadeia Produtiva da Piscicultura Ornamental Mineira”, observa a pesquisadora da Epamig, Elizabeth Lomelino. Os recursos para os projetos de pesquisa, observa Elizabeth, serão obtidos por meio de instituições como Fapemig, Embrapa, entre outras.

 

 

 

O funcionamento se dará por meio da instalação de unidades demonstrativas. Para tanto, como explica a pesquisadora, serão desenvolvidas, por exemplo, técnicas ou mesmo serão adequados os diferentes sistemas de produção, controle e prevenção de doenças e melhoria do desempenho zootécnico, ambiental e econômico no segmento produtivo de peixes ornamentais de água doce.

“Também será criado e mantido um Museu de organismos vivos apropriados a larvicultura de peixes ornamentais, e os inóculos serão distribuídos aos produtores da região. Serão, ainda, mantidos e multiplicados plantéis de matrizes e reprodutores das principais espécies de peixes ornamentais produzidas na Zona da Mata Mineira que serão distribuídos para os produtores”, complementa Elizabeth.

 

 

 

Ações no segmento

A Câmara Técnica Setorial da Aquicultora, instituída pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), existe há aproximadamente dois anos. De caráter consultivo, promove fóruns para debates e estudos das atividades ligadas ao setor, com duas cadeiras dedicadas a representantes do setor ornamental. 

Desde 2015, como ressalta a diretora da Aquacultura e Pesca da Seapa, Ana Carolina Euler, importantes eventos neste segmento foram incorporados ao calendário estratégico da agropecuária no estado. O 1º Workshop Aquícola do Estado de Minas Gerais, na Zona da Mata Mineira, por exemplo, teve participação de pesquisadores e empresários do setor com renome Nacional.

 

 

 

Além disso, com o objetivo de promover a cadeia de valor da Aquacultura, a secretaria incluiu, na programação da 56ª Exposição Estadual Agropecuária, programada para junho de 2016, os seguintes eventos: Mostra dos segmentos da aquacultura de corte e ornamental (1º a 5 de junho); 1ª Exposição Estadual de Peixes Ornamentais (1º a 5 de junho); Seminário Técnico de Aquacultura (3 de junho); e o Concurso Nacional de Peixes Ornamentais (4 e 5 de junho).

© 2009-2016. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.