quinta-feira, 6 de Setembro de 2012 10:53h Gazeta do Oeste

Preços das carnes de frango, porco e boi disparam em BH

O consumidor que não dispensa a carne na sua alimentação já percebeu que o item está pesando mais no seu orçamento. Conforme levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FVG), a carne suína teve alta de 9,25% no preço em agosto. O aumento também foi verificado para um dos símbolos do Plano Real, a carne de frango. Ela teve elevação de 3,84%. A bovina acompanhou as demais, porém num patamar bem menos expressivo, com aumento de 0,71% em Belo Horizonte.

 

 

A alta do produto na mesa do consumidor brasileiro é fruto da maior estiagem dos últimos 50 anos nos Estados Unidos. A intempérie norte-americana causou a quebra da safra de milho, insumo utilizado na engorda de aves, suínos e bovinos em confinamento. Há estimativas de que 10% do plantio tenha se perdido, o que resultou em grande aumento no preço do grão no mercado mundial.

 

A funcionária pública Simone Gomes Rocha afirma que percebeu o aumento no preço da carne de frango. "Eu pagava R$ 3 o quilo. Agora, já está em R$ 5", ressalta. A recepcionista Francislene Araújo conta que o marido foi quem notou a alta no quilo do frango. "Das demais, eu não sei, pois temos preferência pelo frango, que é uma carne mais saudável", diz. O economista da FGV, André Braz, explica que, enquanto o preço das carnes de frango e suína teve alta em razão do encarecimento da ração animal, a bovina foi influenciada pela sazonalidade. "Entre os meses de agosto e setembro, há uma redução do volume de chuva. O boi fica com menos peso. Dessa forma, a oferta é reduzida e o preço aumenta. A perspectiva é que os aumentos para esse tipo de carne se tornem mais expressivos nos meses de outubro e novembro", observa.

 

 

De acordo com ele, em agosto, a maior alta no preço da carne bovina entre as capitais analisadas foi verificada em Porto Alegre (1,39%), enquanto que em Belo Horizonte foi de 0,71%. E o preço, conforme o economista da FGV, ainda deve sofrer com aumentos neste mês. "O potencial de repasse ainda não foi esgotado e deve continuar nos próximos meses", observa.

 

O coordenador da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Pierre Vilela, ressalta que o cenário a curto prazo não é de arrefecimento no preço das carnes. "Em especial, as carnes de frango e suína vão continuar mais altas do que o consumidor está acostumado a ver. Por enquanto, não há espaço para queda de preços", diz.

 

 

Ele explica que o comportamento do preço dessas carnes é influenciado também pelo consumo, seja deste tipo de carne, bem como pela carne bovina. "Se ele migra para a carne bovina, vai ter mais carne bovina e suína no mercado", observa. Vilela ressalta que o boi é criado no pasto no Brasil, e não confinado, dessa forma não está sujeito à interferência da alta da ração.

 

O economista André Braz observa que, em julho deste ano, o cenário era bem diferente. A carne suína registrou recuo de 0,50%, o frangointeiro teve queda de 2,52% e a carne bovina apresentou retração de 1,45%.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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