quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015 11:04h Atualizado em 25 de Fevereiro de 2015 às 11:07h. Jotha Lee

Prefeito de Iguatama corta 50% nos próprios salários e decreta emergência financeira

Depois da cidade de Oliveira, que há 20 dias decretou situação de emergência financeira, agora foi a vez de Iguatama, a 128km de Divinópolis, adotar medida semelhante

A cidade teve que estabelecer medidas ainda mais drásticas, já que as contas bancárias do município foram bloqueadas pela Justiça e os salários dos servidores municipais estão atrasados desde dezembro.
O município, cuja principal característica econômica é a agropecuária, tem uma população de 8.229 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda de acordo com a última estatística de registro civil do IBGE, em 2013 o município registrou 71 nascimentos e 69 óbitos. Embora seja uma típica cidade interiorana, Iguatama é vítima das más gestões, onde o comando da prefeitura só agora saiu da alternância de dois grupos políticos que durante mais de 30 anos dividiram o poder.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, a crise financeira em Iguatama foi motivada pela retenção da cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que está suspensa desde o ano passado. O bloqueio se deve a uma dívida previdenciária de R$ 318,2 mil, contraída em 1997 e 1998 e não quitada pelo então prefeito José Rafael Guerra.
Ainda de acordo com a assessoria, em 2002 o mesmo prefeito assinou um Termo de Ajustamento de Conduta para a construção de um matadouro municipal, com custo orçado em R$ 4 milhões. O dinheiro foi repassado pelo governo federal e a obra não foi concluída, motivo pelo qual o município está sendo cobrado em uma dívida de R$ 767, 4 mil.

 

REDUÇÃO SALARIAL
Com os salários dos servidores atrasados, o prefeito de Iguatama, Leonardo Carvalho Muniz (PSD), prometeu o pagamento para hoje. Os servidores em cargos comissionados, o prefeito e o vice não receberão seus pagamentos, pois segundo a assessoria de comunicação “os recursos disponíveis não são suficientes.”
Como não conseguiu o desbloqueio das contas do município, o prefeito adotou medidas emergenciais de economia, começando com a redução de ligações telefônicas, e limitação no consumo de energia elétrica e despesa de correios. O prefeito também determinou a suspensão da execução de horas extras e de todas as vantagens concedidas aos servidores.
As medidas de contenção de gastos em Iguatama também afetam diretamente o Executivo. Não somente os servidores foram atingidos, já que o prefeito determinou a redução de 50% no próprio salário, como também nos vencimentos do vice-prefeito e de todos os ocupantes de cargos de confiança.
A utilização de máquinas do município somente será utilizada em caso de emergência. No caso de necessidade de atendimento a uma ocorrência relacionada, por exemplo, com o tempo chuvoso, o solicitante deverá pagar pelo combustível e a hora trabalhada pelo operador.
Compras serão efetuadas somente em situação de emergência e se houver saldo disponível. Também foi determinado o adiamento de projetos educacionais, além da suspensão dos servidores de xerox e de todos os eventos e festividades esportivas e recreativas.
Ontem, Leonardo Carvalho afirmou que as medidas foram necessárias, pois se não fossem adotadas a máquina pública de Iguatama estaria paralisada. “Estamos esforçando ao máximo, lutando com todas as forças e empenhados em negociar esta enorme dívida para que a população iguatamense de forma geral não seja ainda mais prejudicada”, garantiu.
“É uma batalha muito grande esta que estamos atravessando. Estamos trabalhando dia e noite na busca da solução de todos estes problemas provindos de administrações passadas. A situação está muito complicada”, finalizou Leonardo.

 

Crédito: Assessoria

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