sábado, 17 de Novembro de 2012 05:24h Gazeta do Oeste

Prefeitos em fim de mandato deixam população sem médico

 Depois das eleições municipais, pelo menos 13 cidades mineiras sofrem com problemas graves na área da saúde, como rescisões de contratos, demissões de médicos e atrasos em pagamentos de funcionários hospitalares, o que leva a população a enfrentar filas e sofrer com a precarização do atendimento. “Alguns municípios, como Lagoa da Prata, já vinham tendo problemas, mas depois da eleição isso piorou de forma aguda. O cenário está caótico e vai ficar pior até janeiro”, avalia o presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), João Batista Gomes Soares. Ele cita outras 10 cidades do estado que passam por situação semelhante: João Monlevade, Divinópolis, Sete Lagoas, Santa Luzia, Nova Serrana, Diamantina, Manhuaçu, Betim, Oliveira e Campo Belo. Além dessas, Matozinhos e Glaucilândia registram as mesmas dificuldades. A entidade se une à Associação Médica de Minas Gerais e ao sindicato da categoria no estado (Sinmed-MG) para deflagrar uma ação conjunta para alertar a população e defender os profissionais. “Uma responsabilidade das prefeituras está sendo injustamente transferida para os médicos, isso é grave. Vai morrer gente, com certeza vai, mas o cidadão não pode ser obrigado a trabalhar sem receber. Isso é trabalho escravo”, afirma João Batista.

Na quinta-feira o Estado de Minas publicou reportagem denunciando prefeitos derrotados nas eleições municipais que cortaram serviços públicos essenciais, como coleta de lixo e atendimento hospitalar, prejudicando moradores de suas cidades. Santa Luzia, Matozinhos, Engenheiro Navarro, Glaucilândia, Bonito de Minas, Januária e Araçuaí amargam dificuldades com a redução de despesas de suas prefeituras em fim de mandato.

Vice-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), o prefeito de Passa Quatro, Sul de Minas, Acácio Mendes (PTB), admite que alguns chefes de Executivo municipal podem estar tomando algumas medidas por má-fé, mas ele pondera: “Não posso afirmar se estão fazendo isso a título de necessidade ou de retaliação, mas as prefeituras estão em crise para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal”. Ele afirma que os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) estão sendo prejudicados com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e assegura que a AMM está negociando medidas com o governo federal que ajudem as prefeituras mineiras a fechar suas contas.

Presidente do Sinmed-MG, Cristiano da Matta Machado avalia que o período de fim de mandatos é crítico para a categoria médica: “Em época pós-eleição aumentam sobremaneira os problemas na saúde pública. Por um lado, o prefeito reeleito fez muitos gastos e tem que fechar a conta, por outro o que perdeu fica com raiva e quer se vingar”. Ele informa que muitos processos têm sido movidos contra os médicos e cita um caso de Lagoa da Prata: “Lá há uma sentença para que os profissionais trabalhem sem receber. Vamos procurar o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Não é possível que as coisas fiquem assim”.

O presidente da Associação Médica, Lincoln Lopes Ferreira, acredita que a situação evidencia grave desconsideração com a população. “A nossa posição é de protesto. Independentemente de viés político partidário, os prefeitos foram eleitos para completar seus mandatos”, diz.
 

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