quinta-feira, 27 de Março de 2014 05:56h Atualizado em 27 de Março de 2014 às 06:00h. Pollyanna Martins

Prêmio Educa Minas encerra inscrições dia 31 de março

Os professores da educação básica das escolas estaduais, municipais e privadas de Divinópolis têm até 31 de março para se inscrever no Prêmio Educa Minas.

O prêmio foi criado pelo Instituto NANDYALA Livros, o Sind-UTE/MG e o Sinpro Minas, e o tema deste ano é “Ação Pedagógica para a Diversidade Étnico-racial”. O projeto tem como objetivo efetivar as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que defendem a formação dos estudantes brasileiros, relativamente às histórias, culturas e vivências sociais de africanos, indígenas e afro-brasileiros.
Serão sorteados um notebook, um seguro de vida com sorteio mensal, um kit etnoliterário, e a publicação da ação pedagógica em livro da NANDYALA. A escola interessada em concorrer ao Prêmio deverá fazer a inscrição no Sind-UTE/MG, ou pelos Correios. A ação pedagógica desenvolvida pela escola deverá ter sido realizada entre fevereiro de 2003 e novembro de 2013. “Peço aos professores e escolas que irão se inscrever, que não o façam meramente por participar. Antes de tudo, a escola e o professor tem que refletir verdadeiramente, sobre o que está sendo feito cotidianamente no interior da escola sobre a questão do racismo”, enfatiza a coordenadora do departamento de políticas públicas do Sind-Ute Divinópolis, Maria Catarina Laborê.
O Ministério Público de Minas Gerais é um dos apoiadores do Prêmio. Segundo Maria Catarina, este apoio é importante, pois muitas escolas não estão cumprindo o que determina a lei. “Faz um trabalho sobre o Dia do Índio dia 19/4, dia 13/5 um pequeno trabalho sobre a abolição da escravatura, dia 22/08 comemora o folclore e dia 20/11 é lembrado o Dia da Consciência Negra. É importante trabalhar a literatura, as temáticas relacionadas a esses dois povos (índios e negros) que contribuíram para a nossa cultura”, ressalta.
A Escola Estadual Luiz de Melo Viana Sobrinho já trouxe o prêmio para Divinópolis em 2010. A coordenadora espera que no mínimo dez escolas se inscrevam no Prêmio. “A gente torce para que Divinópolis seja destaque neste Prêmio. Eu posso dizer pela minha luta, que quase todas as escolas de Divinópolis estão sensibilizadas para esta temática e desenvolvem trabalhos lindos neste sentido. Posso citar as escolas estaduais Miguel Couto e Dona Antônia Valadares como executoras”. Para mais informações a escola deve ligar no telefone (37) 3222-3326.

 

REFLEXÃO
De acordo com Maria Catarina, a escola tem o papel fundamental para a formação das crianças de todo Brasil, para ela, os professores não podem conduzir a educação somente com conteúdos técnicos, pois a diversidade precisa ser provocada nos alunos e todas as escolas têm condições de executar as ações pedagógicas. “Se não trabalhar essas temáticas na escola, com certeza a sociedade receberá um garoto (a) racista, com práticas preconceituosas. Essas ações refletem diretamente na sociedade”, reforça.
Os números dos casos de racismo assustam Maria Catarina. Ela afirma que a criação das políticas públicas é importante para tentar tratar com igualdade negros, índios e brancos. “Se existe a lei, vamos colocar em prática. Essa ação pedagógica pode estar convertida em literatura, nos contos e lendas africanos, músicas, nos heróis negros, nos indígenas, na culinária e no vocabulário, tanto do índio quanto do negro. Pois eles foram a base da nossa história”.
Mas para a tristeza da professora aposentada, ela viveu um caso de racismo em uma escola que lecionou. Para a surpresa da população, na época do caso, o preconceito partiu de uma colega de profissão. “Ninguém nasce racista, a própria família às vezes instiga isto na criança. O caso foi em uma escola municipal. A professora na hora de determinar quais meninas iriam participar de um evento, barrou as meninas negras por causa dos cabelos delas, só as meninas de cabelo liso participariam. Foram três anos de luta para não deixarmos transformar as alunas em culpadas”, relembra.

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