sexta-feira, 26 de Abril de 2013 09:22h Estado de Minas

Presos outros três policiais suspeitos de crimes no Vale do Aço

Mais três policiais, dois civis e um militar, foram presos ontem por suspeita de envolvimento em assassinatos no Vale do Aço. Agora, são seis agentes das duas corporações que tiveram mandados de prisão cumpridos, mas um já foi libertado. Ontem à tarde, os investigadores Ronaldo de Oliveira Andrade e Gini Cassiano, de Ipatinga, se entregaram em Belo Horizonte ao chefe do Departamento de Investigações, delegado Wagner Pinto de Souza, e foram levados para a Casa de Custódia, no Bairro Horto, na Região Leste.

Os dois e o soldado Vitor Emanuel Miranda de Andrade, lotado em Lavras, no Sul de Minas, que foi preso ontem também, são suspeitos dos assassinato de quatro adolescentes no distrito Revés de Belém. “Os dois policiais civis estão com mandado de prisão temporária por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado por igual período”, disse Wagner Pinto. A Polícia Civil investiga pelo menos 23 mortes em Ipatinga e outras cidades do Vale do Aço, inclusive dos jornalistas Rodrigo Neto, de 38 anos, e Walgney Carvalho, de 43.

A prisão temporária de um policial durou menos de sete dias. Ontem, o médico-legista José Rafael Americano, que poderia ter ficado 30 dias preso, foi libertado da Casa de Custódia da corporação, em Belo Horizonte, onde estava recolhido. Ele prestou depoimento aos delegados da força-tarefa de BH que atua em Ipatinga há duas semanas, desde a morte de Walgney, no dia 14, e foi libertado. Americano foi detido com o investigador José Cassiano Ferreira Guarda.

Outro investigador, Leonardo Correa, foi o terceiro a ser detido, na quarta-feira. Os três pertencem à 1ª Delegacia Regional. Segundo informações extraoficiais, mais dois policiais devem se entregar.

Como revelou o Estado de Minas, os dois primeiros policiais civis foram presos por serem investigados por participação na chamada chacina de Revés do Belém, numa referência ao distrito de Bom Jesus do Galho, próximo a Ipatinga, onde foram encontrados, em outubro de 2011, os corpos de Nilson Nascimento Campos, de 17, Eduardo Dias Gomes, de 16, John Enison da Silva e Felipe Andrade, de 15. Os jovens foram detidos por policiais militares um dia antes de desaparecerem, por portarem pequenas quantidades de crack e maconha. Ao serem liberados do distrito policial, eles teriam atirado pedras numa viatura e por isso teriam sido capturados e mortos.

Esse foi um dos casos que, segundo a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Assembleia Legislativa, envolveram mais de 20 anos de assassinatos e afrontas à lei, e que vinham sendo denunciados pelo repórter Rodrigo Neto. As suspeitas das mortes dos jornalistas recaem sobre policiais militares e civis.

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