terça-feira, 19 de Maio de 2015 13:54h

Primeiro fitoterápico contra o rotavírus será feito com plantas do Cerrado mineiro

Apoiados pelo Programa de Incentivo à Inovação (PII), pesquisadores da Funed criam medicamento que poderá combater os sintomas da doença em crianças e adultos

Os extratos da Gabiroba e da Cagaita, duas plantas do Cerrado mineiro, serão base de um novo medicamento para combater o rotavírus. O estudo inédito está sendo feito por pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed), apoiados pelo Programa de Incentivo à Inovação (PII), promovido pelo Sebrae Minas e pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (SECTES). A previsão é que o fitoterápico tenha um custo mais acessível para que possa ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O rotavírus causa diarreia aguda, com duração igual ou superior a 14 dias, que pode levar à desidratação, vômitos e febre, além de problemas respiratórios, como coriza e tosse. Segundo a
Organização Mundial da Saúde, o rotavírus mata aproximadamente 610 mil crianças por ano no mundo, cerca de 5% de todas as mortes entre menores de cinco anos.

A transmissão da doença pode ser via fecal-oral, ou seja, o vírus é eliminado nas fezes do paciente, que em contato com a água e alimentos pode aumentar o risco de contaminação, principalmente pelas mãos. A principal medida para evitar a rotavirose é a higiene das mãos, que pode ser feita com água e sabão ou álcool-gel,  antes das refeições e após usar o banheiro.

O SUS disponibiliza uma vacina para prevenir a rotavirose em crianças de até seis meses de idade. Porém, para a população em geral, não existe vacina para prevenção das diarreias. A infecção pelo vírus pode acontecer em qualquer idade, mas é mais grave nas crianças. “O que se faz hoje é tentar amenizar os sintomas para que a infecção não se agrave, com medidas como hidratação e repouso”, explica a pesquisadora da Funed responsável pela pesquisa Alzira Batista Cecílio.

Foi pensando nisso que Alzira e uma equipe de pesquisadores da Funed, há cinco anos, estão pesquisando uma solução para a doença e comprovaram, ao longo deste período, que a atividade antiviral dos extratos das duas plantas, a gabiroba e a cagaita combatem a infecção causada pelo rotavírus. “Estamos trabalhando para criar o primeiro medicamento fitoterápico específico para a rotavirose, que possa reduzir a carga viral nos pacientes e, assim, combater mais rapidamente os sintomas da doença. Estamos na fase de formulação para patentear o fitoterápico”, explica Alzira.

Além disso, a tecnologia não representa risco para a flora do Cerrado, isto porque as plantas serão cultivadas utilizando a técnica de micropropagação, que permite a rápida reprodução. O processo de produção é baixo, o que implica em um medicamento acessível tanto para o SUS, quanto para ser adquirido nas farmácias pela população. “A tecnologia ajudará no combate a um problema de saúde pública do país, beneficiando especialmente a população carente, hoje, a mais afetada pelo rotavírus”, diz a pesquisadora.

PII

O fitoterápico contra o rotavírus a base de plantas do Cerrado é um dos 17 projetos de pesquisa da Funed apoiados pelo PII.  Em nove anos, o PII já foi realizado em universidades, faculdades e centros tecnológicos de Lavras, Itajubá, Juiz de Fora, Viçosa, Uberlândia e Belo Horizonte. Ao todo, foram 15 programas no estado, com 280 projetos de pesquisa selecionados e publicados.

Em 2013, o PII chegou à Funed, instituição centenária do estado, referência em pesquisa, dedicada à promoção da saúde pública. A realização desse programa na Funed estimula a pesquisa no setor de saúde, humana e animal, e projeta soluções para o mercado, viabilizando o desenvolvimento de protótipos e planos de negócios.

“Os projetos de pesquisa selecionados na Funed estão entre os 41 inscritos no PII. São ideias inovadoras em medicamentos, vacinas e tecnologias que ampliam as soluções para tratamento de doenças, controle de epidemias e melhoria da qualidade de vida da população”, afirma a analista da Unidade de Inovação e Tecnologia do Sebrae Minas, Andrea Furtado.

Até 2014, o programa teve um investimento de cerca de R$ 23 milhões, captados de órgãos de fomento, investidores, venda de patentes e transferência de tecnologia.

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