segunda-feira, 28 de Dezembro de 2015 10:02h

Produtores rurais aderem ao milheto para minimizar falta de chuvas no Norte de Minas

O milheto possui grande teor proteico semelhante ao sorgo e superior ao milho; Emater oferece orientações técnicas gratuitamente

Produtores rurais do Norte de Minas Gerais têm aderido ao cultivo do milheto para ajudar a alimentar rebanhos na região. A planta, uma gramínea originada da África, serve como pasto ou complemento da alimentação do gado. É ideal para climas secos e pouco férteis porque cresce com calor e falta de umidade. O milheto precisa de menos de 300 ml água para cada grama de matéria seca. O milho, por exemplo, precisa de 370 ml de água/grama de matéria seca (23,5% a mais). Já o sorgo, 321 ml (7% a mais).

Para o criador de rebanho leiteiro de Porteirinha, Sidney Rocha de 34 anos, o milheto tem ajudado muito na a alimentação do gado além de superar suas expectativas. Ele começou a plantar o ano passado e este ano já colheu 10% a mais, chegando a 50 toneladas por hectare. Sidney está usando a planta para reduzir os impactos da falta de chuva: “O milheto veio pra mim na hora certa. Com o sorgo, eu precisava complementar muito mais a ração do gado, agora devido à alta concentração de nutrientes completo mais com o caroço do algodão e o farelo da soja. Meu gado tem engordado mais, estou gastando menos e minha produção de leite aumentou 20%. Devo começar a próxima safra em meados de dezembro a início de janeiro e espero colher ainda mais”, comemora.

De acordo com o Coordenador Técnico Regional Unidade Regional Janaúba, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), André Caxito, a planta  pode superar 3m de altura e já pode ser utilizada em 90 dias. E se dá muito bem às altas temperaturas: “Em comparação ao milho e o sorgo, requer mais calor para germinar. É utilizada também na cultura de sucessão, pois seus nutrientes concentram na palhada, sendo reciclados ou liberados gradativamente no solo ajudam na recuperação de áreas degradadas. Por isso, nos últimos dois anos o cultivo do milheto tem aumentado, sobretudo nas regiões de Cerrado. Para a safra 2016, está previsto aumento de 20% na área plantada”.

A cultura do milheto é de fácil instalação e requer poucos insumos. O plantio inicia sempre no tempo das grandes chuvas, pois facilita o processo de germinação. André Caxito ressalta que algumas medidas para o melhoramento do plantio podem ajudar a obter uma planta de melhor qualidade.

Caxito alerta, ainda, que, em tempos de seca, cultivar o milheto é uma estratégia para a diversificação na produção de outros alimentos para o gado, intercalando entre ciclos de plantações mais precoces, quando se tem pouca chuva e mais tardios quando se tem muita.

“Ideal é aproveitar cada estação plantando o milheto juntamente com outro tipo de alimento, como por exemplo, a palma que só pode ser utilizada após um ano de plantio. Assim, o produtor garante alimento em pequeno e em grande espaço de tempo” comenta.
 

Assistência técnica e pesquisa

A planta é conhecida no Brasil ha muito tempo, mas no Norte de Minas é mais recente. Emater-MG tem incentivando os agricultores do norte mineiro a experimentar o milheto através da distribuição de sementes e orientações técnicas. As plantações estão sendo monitoradas por pesquisadores que compilam os resultados. Além disso, a Emater tem participado de pesquisas para que a utilização do milheto cresça cada vez mais na região. Empresas como a Epamig, Embrapa e Unimontes tem estudado a planta para levantar benefícios sobre função da expansão do sistema de plantio direto, que utiliza a gramínea para a cobertura do solo com o objetivo de ajudar ainda mais agricultores.

O agricultor interessado em obter orientações sobre o plantio deve procurar o escritórios regionais da Emater-MG de cada região. Os endereços e telefones dos escritórios podem ser encontrados pelo site www.emater.mg.gov.br.

A planta é originária da região de Sahel, uma área quente e de baixa umidade localizada abaixo do deserto do Saara, na África. Da família das gramíneas, entrou no Brasil em 1929 no Rio Grande do Sul chegou a Minas no início da década de 90.

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