quinta-feira, 19 de Setembro de 2013 10:33h

Professor da UFSJ, Bruno Amarante expõe no Centro Cultural cerâmicas que instigam reflexões sobre a memória, a história e o tempo

O Centro Cultural da UFSJ inaugura quinta-feira, 19, às 20h, a mostra individual de cerâmicas do artista e professor do curso de Artes Aplicadas, Bruno Amarante. Natural de Belo Horizonte e há dez meses vivendo em São João del-Rei, ele exibirá cerca de 20

O Centro Cultural da UFSJ inaugura quinta-feira, 19, às 20h, a mostra individual de cerâmicas do artista e professor do curso de Artes Aplicadas, Bruno Amarante. Natural de Belo Horizonte e há dez meses vivendo em São João del-Rei, ele exibirá cerca de 20 trabalhos produzidos em técnicas variadas.
Artista plástico que escolheu a cerâmica como suporte de expressão, Bruno é graduado em Escultura pela Escola de Belas Artes da UFMG e mestre pela mesma universidade, onde defendeu a dissertação “A estética da ruína como poética”. Atualmente é professor no Curso de Artes Aplicadas da UFSJ, tendo também lecionado cerâmica na Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais. Amarante faz , no Centro Cultural da UFSJ, sua quarta exposição individual  após participar de diversas coletivas e salões de arte no Brasil e na China.

 


Segundo ele, todo o seu trabalho tem como mote o tema de sua dissertação de mestrado, que trabalha questões que relacionam a memória, a história e o tempo. “A minha dissertação foi sobre essa produção, baseada no tema que escolhi para trabalhar e investigar: a estética da ruína como poética. A questão da memória, da história e do tempo está presente em todos os meus trabalhos”, explica.
Com a proposta de apresentar trabalhos antigos e recentes, Bruno Amarante define a exposição no Centro Cultural como uma primeira apresentação de seu trabalho na cidade. “Acabei de me mudar para São João e esta exposição significa um momento de aproximação do público com o meu trabalho e também uma oportunidade de mostrar e discutir o que tenho produzido com meus alunos e colegas professores”, afirma.
A exposição poderá ser vista até o dia 13 de outubro, das 8 às 20h, no Centro Cultural da UFSJ ( Largo do Carmo, 19). Confira, a seguir, um breve texto de Bruno Amarante, no qual discorre sobre as questões que moldam sua produção artística:


“Em meus trabalhos a memória, a história e o tempo, aglutinados ao mundo sensível da criação, jogam dialeticamente com a realidade e a inventividade. Reminiscências e fragmentos estratificados compõem o solo do agora e proporcionam a relação entre o ser atual, ancestral e futuro. Minhas cerâmicas e instalações apresentam-se como simulacros desta relação. A visualidade e a estética ruinosa dos trabalhos aludem ao trato temporal, ao devir. As ruínas geometricamente construídas e elaboradas demarcam a presença do tempo antropo-histórico e de suas obras. Mas são interceptadas pelas ações do tempo extra-humano, natural e geológico, infinitamente maior.
Esta relação do tempo geológico com o tempo do homem, da humanidade, referencia a exiguidade do segundo em comparação ao primeiro. Questão ordinal, mas ao mesmo momento instigante. Pensar grandes frações de tempo me leva ao mundo de fragmentos. Seja pela estratificação histórica acumulada, quando observo o passado ou, seja pela apreensão do futuro distante. Fragmentos sedimentados ou expostos, um campo arqueológico que não terá significado, abstrato, nunca mais revolvido.”

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