quinta-feira, 12 de Maio de 2011 11:37h André Bernardes

Professores fazem paralisação para reivindicar melhorias salariais


Os professores da rede estadual de ensino fizeram a quinta paralisação do ano para reivindicar melhorias no salário. A luta pelo piso salarial é antiga, mas dessa vez, o que tudo indica é que a classe irá conseguir conquistar esse direito.


Mais de 10 mil professores de todo o país foram ontem (11) à Brasília para contrapropor o piso salarial proposto pelo MEC, no valor de R$1.187. O sindicato está exigindo o valor corrigido de R$1.597,87 mais os benefícios adquiridos. A coordenadora de departamento e políticas sociais do Sind-UTE, Maria Catarina conta que a lei do piso salarial estava aprovada, mas que alguns governadores, inclusive o governador de Minas da época, Aécio Neves disseram que o piso era inconstitucional. “O piso salarial do professor é uma luta histórica. Entra presidente, sai presidente, eles engavetam nossas lutas históricas, e o presidente Lula, em 2008 assinou a lei do piso. Ela foi aprovada no Congresso Nacional duas vezes, mas infelizmente tivemos cinco governadores dizendo que o piso é inconstitucional, entre eles Aécio Neves” conta Catarina. O piso salarial de Minas Gerais é o oitavo pior do país, no valor de R$ 369 para um professor de ensino médio que trabalha 24 horas semanais.


Com a aprovação do piso salarial, nenhum professor da rede estadual, municipal e particular, poderá receber menos que R$1.597. Em Minas Gerais, o governo fez mudanças no pagamento dos professores que revoltou a classe. Antigamente os professores recebiam aumento no seu salário base a cada dois anos, ou biênio, e a cada cinco anos, ou quinquênio, além de outros benefícios por tempo de carreira e o “pó de giz”, uma gratificação pelos malefícios que o pó do giz causa nestes profissionais. O governo de Minas em 2010 criou o subsídio, que junta todos estes benefícios e paga como um valor fixo, beneficiando quem está começando e desfavorecendo os professores antigos. “Nós estamos orientando os professores que a melhor forma de remuneração é a carreira antiga, e temos o prazo de até oito de junho para quem quiser largar o subsídio e receber o piso salarial. O governo Anastasia fragmentou a categoria com o subsídio, então quem está entrando hoje está bem, mas desvalorizou quem está há muito tempo na carreira. Com o piso aprovado, isso se torna um parâmetro nacional, todos do município e do estado e rede particular pagarão este valor.” informa Catarina.


Maria Catarina diz que por enquanto não se fala em greve. “Se as negociações forem boas, não vamos falar em greve. Mas caso dificulte, está na nossa pauta a greve por tempo indeterminado” diz.


Apesar das reivindicações, Catarina afirma que o sindicato obteve uma grande conquista neste ano, a eleição para diretores. Até o ano passado os diretores eram escolhidos por nomeação política. Com a eleição, pais, alunos e professores irão eleger os diretores de sua escola, tornando o processo democrático. “As eleições vão acontecer no dia cinco de junho. A comunidade escolar vota e se precisar a gente tira também, essa é a diferença. Todas as escolas do estado irão eleger seus diretores nesse dia. Outra conquista nossa é o concurso público que não acontece há dez anos. O governo ultrapassa as leis e contrata sem concurso público” afirma.

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