quarta-feira, 14 de Setembro de 2011 09:56h Atualizado em 14 de Setembro de 2011 às 10:01h. André Bernardes

Professores protestam contra o Governo

Os professores da rede estadual fizeram uma manifestação na porta da superintendência regional de ensino para conscientizar aos funcionários a respeito da greve. A ação aconteceu em todo o estado.

Os professores da rede estadual de ensino, que estão em greve desde o dia 8 de junho, fizeram uma manifestação na tarde de ontem na porta da Superintendência de Ensino, onde queimaram o projeto proposto pelo Governo de Minas regularizando o subsídio. Os professores estão a mais de três meses em greve e já passaram por diversas negociações com o governo sobre a forma de pagamento do salário. Eles reivindicam o piso salarial de R$1597,87. Atualmente o piso dos professores é de R$369, o oitavo pior do Brasil. O governo propôs um aumento para R$712,20, o que foi negado pelos professores.


O impasse começou quando o governo modificou a forma de pagamento dos professores para o subsídio. Um professor que recebe o piso salarial tem um aumento em sua remuneração de acordo com tempo de trabalho e escolaridade. No subsídio, o governo juntou todos estes benefícios em um valor único igualando todos os professores independente de tempo de trabalho e escolaridade. “O subsídio congela o salário e destroi a carreira. Ele não valoriza tempo, escolaridade, é mais uma enganação do governo” revoltou-se Maria Catarina Vale, coordenadora do Departamento de Políticas Sociais de Comunicação e Imprensa do Sind-UTE.


Na última quinta feira, 8, os professores decidiram em Assembleia, medidas para pressionar o governo, como a “Caça ao Governador”, onde os professores irão realizar manifestação em todos os lugares que o Governador Antonio Anastasia estiver. “Temos uma greve de fome que foram iniciadas por alguns companheiros. Nós temos que esclarecer a população o que significa este projeto 2355, que acaba com a carreira. Nós temos esse diálogo para fazer com a região” disse Catarina. O projeto 2355 regulamenta a forma de pagamento pelo subsídio. Na manifestação em frente a superintendência, o professores fizeram uma queima simbólica do projeto. A ação de ontem aconteceu em todas as cidades onde tem superintendência. “ Fizemos um ofício que será entregue na  Câmara Municipal mostrando o papel do legislador nesse momento, pois ele está lá para atender a população. Esse projeto tem uma coisa muito perigosa, que se o deputado votar, ele vai beneficiar apenas os professores pois o subsídio não contempla o especialista, auxiliar de serviço, a secretária e nossa luta pelo piso contempla a todos até aposentar. Nós temos que criar espaço para lutar com a comunidade e  em todo o estado onde tem superintendência de ensino nós realizamos o “Banquete da Miséria” para denunciar o corte do ponto e a situação da educação como um todo. Mas o mais importante é queimar simbolicamente esse projeto que não representa nada de valorizar o piso salarial” explicou Catarina. A carreira dos professores foi reconhecida no dia 5 de agosto de 2004 depois de 20 anos de reivindicações. “O salário precisa acompanhar a carreira” disse Catarina.


Em Divinópolis, a greve teve pouca adesão. De acordo com dados do SIND-UTE apenas 15% dos professores estão em greve e as escolas que pararam completamente já voltaram a funcionar parcialmente. “A greve em Divinópolis não avançou, 15% das escolas estão paradas, a categoria está cansada, três meses sem receber o pagamento, mas isso não vai fazer desistir da greve” afirmou Catarina.


No próximo dia 15 os professores se reunirão em mais uma Assembleia estadual em Belo Horizonte. A greve continua sem prazo para término.

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