quarta-feira, 1 de Abril de 2015 10:11h

Programa Minas Leite cresce no Vale do Rio Doce

Convênio entre a Emater-MG e cooperativas da região tem objetivo de melhorar a genética do rebanho

O Programa Minas Leite está avançando no Vale do Rio Doce, com a implantação de mais duas importantes unidades demonstrativas. Uma em Guanhães e outra em Virginópolis. A iniciativa é fruto de convênio firmado entre a Emater-MG e a Cooperativa Regional dos Produtores de Leite do Centro Nordeste de Minas Gerais (Coopercentro), com sede em Guanhães, e a Cooperativa dos Produtores Rurais de Virginópolis (Cooprovi), no município do mesmo nome.

O Minas Leite é um programa que investe na qualificação gerencial e técnica das propriedades, tendo em vista ganhos econômicos, sociais e ambientais. São priorizadas propriedades com produção de até 200 litros de leite por dia. Cada propriedade atendida pelo Minas Leite serve de modelo para outras dez propriedades vizinhas. Este critério garante um efeito multiplicador das ações do programa.


As ações para o efetivo funcionamento das duas novas unidades demonstrativas, tornando-as modelo do Minas Leite no Vale do Rio Doce já estão em curso. “Na propriedade da Coopercentro, as pastagens estão sendo divididas em piquetes e as matas nativas e nascentes fechadas. Também está sendo providenciada a alocação do curral e a sala de ordenha, bem como a instalação dos bebedouros”, informa o coordenador Técnico Regional de Bovinocultura da regional de Guanhães, Marcelo Bomfim. Ele acrescenta que na fazenda da Cooprovi, o processo de implantação da unidade demonstrativa também foi iniciado.

O coordenador da Emater-MG explica ainda que, os projetos das fazendas têm como objetivo serem referências para a difusão de tecnologias, conforme propõe o programa. “Vamos focar na produção sustentável e na gestão da atividade leiteira, sem esquecer a questão ambiental, social e econômica”, explica. Uma novidade, segundo Bomfim, será o incentivo ao melhoramento genético com a exposição nas unidades demonstrativas, de matrizes mais produtivas e tourinhos de raças puras. A proposta é incentivar cooperados e produtores a renovarem seus rebanhos leiteiros por outros mais produtivos.

“Os animais ficarão em um período de quarentena nas fazendas, em uma área que chamaremos de Vitrine de Touros, para visitação. Depois deste período serão disponibilizados para repasse aos cooperados que poderão adquiri-los em condições facilitadas”, explica Marcelo Bomfim. Para o coordenador, é importante que os pequenos produtores possam adquirir um animal de alto padrão e potencial genético “com condições de melhorar o rebanho, e com isto melhorar a produção e em consequência, a renda”, pontua. O trabalho nas propriedades do Vale do Rio Doce também conta com a participação da Secretaria de Estado de Agricultura e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

Em todo o Estado, o Minas Leite tem 1.421 propriedades cadastradas, espalhadas por 491 municípios. Na regional Emater-MG de Guanhães, a empresa atende 38 unidades demonstrativas, em 14 municípios. O coordenador Marcelo Bomfim informa que o programa começou a ser implantando em 2010. “O foco do nosso trabalho nas unidades demonstrativas é a gestão da propriedade, realizando as anotações econômicas e dos dados zootécnicos. Focamos também na alimentação do gado, orientando tanto na qualidade das pastagens, quanto na produção de alimentos para o período da seca”, resume.


Mulheres destacam programa

O resultado do programa Minas Leite em uma das propriedades do Vale do Rio Doce chama a atenção. É na Fazenda Cabeceira do Mono, no município de Coroaci, a 66 quilômetros de Governador Valadares. No local, uma família, predominantemente feminina, confirma a capacidade das mulheres em realizarem sozinhas, tarefas consideradas masculinas. A agricultora familiar Silvanir Correa da Silva, viúva desde 2010 e mãe de nove filhos, administra a propriedade de 112 hectares, com a ajuda das quatro filhas mais velhas. No total são sete mulheres.

Contando apenas com a mão de obra do grupo familiar, as mulheres arregaçam as mangas e realizam atividades pesadas em uma propriedade rural, como cuidar das cerca de 82 cabeças de gado, tirar leite e plantar cana-de-açúcar, além dos trabalhos domésticos.

Segundo o extensionista local, o zootecnista Clésio Peixoto de Mello, a propriedade, acompanhada pelo programa há dois anos, tem na atividade leiteira, a principal fonte da renda familiar. Graças ao programa, as agricultoras, conhecidas como as “meninas de Mono” têm conquistado com muita garra e trabalho, resultados positivos para a propriedade onde moram e tiram a maior parte do sustento.

Com a orientação técnica da Emater-MG, as meninas de Mono construíram um curral novo, formaram piquetes nos pastos, levantaram cercas novas e fizeram uma plantação de cana para alimentar o gado. Com a experiência herdada do pai e aperfeiçoada pelo Programa Minas Leite, as meninas também aprenderam a planejar e negociar as compras da propriedade. “A primeira compra delas foi de um excelente touro gir leiteiro (PO-Puro de Origem), depois elas compraram dez novilhas, filhas desse touro”, conta Clésio, um dos técnicos da Emater-MG local que acompanha e presta assistência à propriedade.

Segundo uma das filhas de dona Silvani que ajuda no gerenciamento da fazenda, a jovem Eliane Correia, o objetivo agora é melhorar mais ainda a genética dos animais, para atingir a meta de produzir 200 litros de leite por dia. No momento, a produção registrada é de 68 litros de leite diários.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.