sexta-feira, 25 de Abril de 2014 08:57h Atualizado em 25 de Abril de 2014 às 08:59h.

Programa oferece tratamento a dependentes químicos no Centro-Oeste

Cartão Aliança pela Vida contabiliza quase 2 mil atendimentos em todo o Estado.

Desde que teve início no Centro-Oeste, no início de 2013, o Cartão Aliança pela Vida já realizou 735 atendimentos a dependentes de álcool, crack e outras drogas. A ferramenta foi criada pelo Governo de Minas e disponibiliza auxílio financeiro a Comunidades Terapêuticas habilitadas, para custear o tratamento de usuários. Em todo o Estado o Cartão contabiliza 1.937 atendimentos e investimentos da ordem de mais de R$ 6 milhões. 

A Casa Dia Divinópolis é uma das habilitadas para receber os dependentes na região. Atualmente, 11 usuários beneficiados pelo Cartão Aliança pela Vida estão em tratamento no local. Dois deles deverão ter alta até o final deste mês. A psicóloga e responsável técnica da Casa, Carolina Valinhos Manata, conta como funciona o tratamento. “A internação é voluntária. Quando o dependente chega, traçamos um plano individual de tratamento, em que definimos, entre outras coisas, atividades a serem desenvolvidas, de acordo com o perfil de cada um. Trabalhamos em etapas, com grupos de apoio, prevenção de recaída, conscientização, espiritualidade, oficinas de culinária e jardinagem, entre outras. A última etapa é a reinserção social, em que o dependente fica cinco dias em convívio familiar e, no retorno, é feito um relatório com as dificuldades encontradas, relatadas por ele mesmo e pela família”.

Ela conta também que, depois da alta, tem início um pós-tratamento, em que o ex-usuário volta semanalmente a Casa. “Ele apresenta os problemas que está encontrando e recebe apoio para resolvê-los. Inicialmente, ele retorna uma vez por semana, depois esse período vai se estendendo”.  A Casa Dia Divinópolis foi criada há 13 anos e atende por meio do Cartão Aliança desde outubro de 2013. 

Robson de Oliveira, 34 anos, iniciou o tratamento na comunidade terapêutica em novembro. Usuário de álcool e drogas desde os 14 anos, ele está entre os beneficiados pela iniciativa do Governo de Minas e está confiante na recuperação. “Eu não conseguia mais lidar com a minha vida, perdi o controle de tudo. Agora quero retomar, voltar a estudar, fazer uma faculdade ou prestar um concurso público. O melhor do tratamento é que o foco não é só parar de usar drogas, mas também recuperar nossa auto-estima”, afirma.

No Centro-Oeste, participam do Cartão Aliança 27 municípios: Araújos, Arcos, Bom Despacho, Bom Sucesso, Cana Verde, Candeias, Carmo da Mata, Carmópolis de Minas, Cláudio, Córrego Fundo, Cristais, Divinópolis, Itaguara, Itatiaiuçu, Itaúna, Lagoa da Prata, Nova Serrana, Oliveira, Pains, Pará de Minas, Passa-Tempo, Pimenta, Piracema, Pitangui, Santana do Jacaré, Santo Antônio do Amparo e São Francisco de Paula. Os dependentes químicos da região são direcionados para seis Comunidades Terapêuticas, nas cidades de Cláudio (duas unidades), Divinópolis, Oliveira (duas unidades) e Piumhi. 

Em todo o Estado são habilitadas para realizar o tratamento 42 casas terapêuticas e já aderiram à iniciativa 357 municípios mineiros.
 

 

Vagas para mulheres

Para atender a mulheres dependentes, o Cartão Aliança pela Vida possui seis unidades, do total das 42 habilitadas. Uma delas está localizada no Centro-Oeste, na cidade de Oliveira. O atendimento é realizado no Centro Beija-Flor onde, atualmente, 29 mulheres estão em tratamento, beneficiadas pelo Cartão Aliança. “O programa é composto das seguintes atividades: espiritualidade, estudo dos ‘Doze Passos’, sugerido pelos Alcoólicos Anônimos, projeto antitabagismo, laborterapia, terapias individual e em grupo, oficinas como artesanato e cuidados estéticos, horticultura, nutrição, reeducação alimentar, atividades de lazer, esportivas e recreativas e biblioteca. Além das reuniões de mútua ajuda e para familiares co-dependentes”, explica a responsável técnica do Centro, Petrina Carvalho de Oliveira.

Carla Lúcia dos Santos está em tratamento na unidade feminina do Centro Beija-Flor desde janeiro deste ano, beneficiada pelo Cartão Aliança pela Vida. Ela queria se livrar do vício do álcool e procurou ajuda quando soube da iniciativa do Governo de Minas por meio de outros dependentes. “Acordei, e sei que quando se quer algo, tudo se pode. O que eu quero é poder levar minha vida como era antes de minha dependência”, afirma. 
 

 

Ação depende da adesão dos municípios

O Cartão Aliança pela Vida é uma ferramenta do programa Aliança pela Vida, criado em 2011 pelo Governo de Minas e coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). A ação é desenvolvida a partir da adesão de prefeituras e credenciamento de comunidades terapêuticas. O serviço de saúde é a porta de entrada para que o usuário solicite tratamento.
Ele passa por uma avaliação e, caso seja confirmada a necessidade de apoio terapêutico, recebe o encaminhamento e o benefício financeiro do Cartão Aliança, que vai diretamentepara a casa em que for realizado o tratamento.

No local o residente recebe apoio médico, psicológico, educacional e comportamental. O valor do incentivo financeiro do Cartão Aliança é de R$ 45 por dia de internação.
 

 

Território Aliança

Além do Cartão, outra ferramenta do programa Aliança pela Vida, voltada para usuários de álcool e outras drogas, é o Território Aliança, em que equipes interdisciplinares realizam a abordagem de rua ao usuário. Em todo o Estado já foram realizados 11.429 atendimentos, por meio de dezoito instituições credenciadas.

No Centro-Oeste, o trabalho está presente em Arcos e Oliveira, e somam 1.225 abordagens. Para a coordenadora estadual de Saúde Mental Tanit Sarsur, que gerencia o programa Aliança pela Vida, o projeto Território Aliança facilita a aproximação. “A abordagem de rua atende ao usuário em grande vulnerabilidade social, na cena de uso”, afirma. A iniciativa consiste em uma equipe interdisciplinar, composta por assistente social, psicólogo, enfermeiro, agentes sociais e motorista que, articulados com a rede de saúde e sócio assistencial de cada município, vai até o usuário e auxilia tanto na questão do vício, quanto de saúde em geral e até emprego.

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