terça-feira, 5 de Novembro de 2013 12:29h

Programa Travessia vira modelo para município no estado da Bahia

Representantes de São Francisco do Conde vieram conhecer a experiência de Minas para evitar a evasão escolar e colocar as crianças longe das drogas

Um dos principais programas do Governo de Minas na área social, o Travessia vai servir de modelo para a implantação do Educa Chico, em São Francisco do Conde, município baiano com maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil, segundo levantamento divulgado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados de 2010. Em visita à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese), órgão que coordena o programa mineiro, a prefeita Rilza Valentino de Almeida quer aproveitar a experiência de Minas para evitar a evasão escolar e colocar as crianças e adolescentes longe do mundo das drogas. “Além da escola formal, queremos ocupar o segundo turno desses meninos, mas de forma atrativa”, ressalta.

Segundo a prefeita, o projeto Educa Chico ainda se encontra no papel, mas vai trabalhar cultura, arte, música, dança e o esporte, além do reforço escolar.  “É um programa gigantesco, pois teremos orquestra sinfônica e vamos criar times de vôlei, de futebol, de basquete e a seleção do município. Então, os melhores alunos serão aproveitados. Agora, tem que ter um bônus para que eles não faltem às aulas e se esforcem para ser o melhor, mas não sabíamos como fazer isso”, conta Rilza Valentino, que veio à Minas Gerais acompanhada dos secretários municipais de Desenvolvimento Social, Educação e Fazenda.

O principal interesse da comitiva era conhecer o Banco Travessia, um dos braços do programa mineiro, onde a cada conquista em cursos profissionalizantes ou no ensino formal os participantes acumulam a moeda fictícia “Travessia”. A prefeita Rilza Valentino quer implantar uma moeda denominada “Chico” para incentivar os participantes do programa.  “Tenho certeza de que não estou levando o Travessia só para São Francisco do Conde, mas para toda a Bahia”, enfatizou. No Banco Travessia, a cada avanço nos estudos, a família inteira recebe e, ao final do período de adesão, as Travessias adquiridas são convertidas em moeda corrente (real), podendo a família receber até R$ 5 mil.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Cássio Soares, lembra que o Programa Travessia é considerado referência nacional e internacional em ações de combate à desigualdade social. “De maneira inédita no país, Minas utiliza o Índice da Pobreza Multidimensional (IPM), mesmo método utilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), como forma de mensurar a pobreza no Estado. Esse conceito considera que a pobreza é mais do que insuficiência de renda e deve ser avaliada em termos de privações sociais nas dimensões saúde, educação e padrão de vida”, afirma o secretário.

Travessia

O programa Travessia promove a inclusão social e produtiva da população em situação de pobreza e vulnerabilidade social. Desde a sua criação, em 2008, já contemplou 309 municípios com investimento superior a R$ 1 bilhão, beneficiando mais de 3 milhões de pessoas.

Neste ano, o programa está sendo desenvolvido em 202 municípios, em todas as dez regiões do Estado. Entre as ações, estão o mapeamento das privações sociais, construção, reforma e aquisição de mobiliários e veículos para equipamentos públicos; construção e reforma de módulos sanitários, melhorias habitacionais, abertura de turmas de elevação de escolaridade para jovens e adultos, além do fornecimento de incentivo para o retorno aos estudos, cursos de qualificação profissional, bem como o acompanhamento de gestantes, nutrizes, crianças e idosos com foco na redução da mortalidade infantil e da desnutrição. O programa trabalha ainda as reformas e fornecimento de equipamentos e mobiliários para escolas estaduais.  Além do banco Travessia, o programa do Governo mineiro contra ainda com o Porta a Porta, o Travessia Social, o Travessia Renda, o Travessia Educação e o Travessia Saúde.

São Francisco do Conde

O município com 35 mil habitantes fica no Recôncavo Baiano, distante 66 quilômetros de Salvador. De acordo com o IBGE, com base em dados de 2010, a cidade baiana teve um PIB per capita (soma das riquezas do município dividida pelo número de habitantes) de R$ 296,8 mil, seguida por Porto Real (RJ), com R$ 290,8, Louveira (SP), com R$ 239,9 mil, Confins (MG), com R$ 239,7 mil, e Triunfo (RS), com R$ 223,8 mil. O resultado do PIB está concentrado principalmente na indústria, nas atividades ligadas à refinaria Landulpho Alves, da Petrobras, que fica no município.

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