quinta-feira, 8 de Setembro de 2016 16:11h SEGOV

Programas pedagógicos contribuem para queda do analfabetismo em Minas Gerais

Neste Dia Mundial da Alfabetização, Secretaria de Educação mostra avanços obtidos com ações instituídas nas escolas do Estado

Minas Gerais segue a tendência nacional de queda na taxa de analfabetismo, principalmente entre crianças com idades entre 10 e 14 anos. Segundo a diretora do Ensino Fundamental da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Eleonora Paes, a implantação de programas pedagógicos específicos é um dos componentes para a redução do número de analfabetos no estado.

O decréscimo é constatado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. Em 2014, o índice de pessoas que não sabiam ler nem escrever na faixa etária de 10 a 14 anos era de 1,1%, em Minas Gerais, enquanto no Brasil o índice era de 1,8%.

No mesmo ano, o país apresentava taxa de analfabetismo de 8,3% entre os adolescentes com 15 anos ou mais. Já em Minas Gerais, o percentual na mesma faixa etária era de 7,1%.

Se os índices acima forem comparados com os de 2010, o analfabetismo caiu de maneira geral. Naquele ano, o Brasil apresentava taxas de 12,4% (para faixa etária de 15 anos ou mais) e 3,9% (entre 10 e 14 anos). Em Minas Gerais, os índices eram respectivamente de 11,7% (15 anos ou mais) e 1,7% (faixa etária entre 10 e 14 anos).

“Já tivemos muitos avanços, mas os desafios ainda são grandes”’ observa Eleonara Paes. Nesta quinta-feira (8/9) é celebrado o Dia Mundial da Alfabetização, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e Unesco com o objetivo de fomentar a alfabetização pelo mundo.

 

Acompanhamento Diferenciado

Entre as ações em andamento no estado está o Acompanhamento Pedagógico Diferenciado, destinado a estudantes do ensino fundamental que não dominam o processo de alfabetização, ou seja, têm dificuldade na leitura e na escrita.

A primeira etapa do projeto foi implantada em 423 escolas da rede pública estadual, distribuídas nas 47 regionais de ensino. Para isso, o Governo do Estado contratou um professor alfabetizador para cada um dos estabelecimentos de ensino incluído no programa.

Além de capacitar o educador, também foi fornecido material didático diferenciado para melhorar a leitura e a escrita, incluindo jogos virtuais pedagógicos instalados nos computadores das escolas. Neste primeiro momento, estão sendo atendidos 10 mil alunos do quarto ao nono ano do ensino fundamental.

 

Fora da sala

O Acompanhamento Pedagógico Diferenciado acontece em espaço diferente da sala de aula regular e pode ser ministrado no mesmo horário em que o aluno estuda ou no contraturno. As escolas foram convidadas a planejar suas ações da maneira mais adequada às suas realidades.

Na maioria dos casos, os estudantes são divididos por nível de dificuldade em leitura e escrita e, com orientação do alfabetizador, fazem atividades específicas, seja  de leitura e elaboração de texto, seja de jogos pedagógicos e  lúdicos.

A evolução da escrita e leitura dos estudantes é acompanhada pela direção da escola, pelas Superintendências Regionais e SEE.  De acordo com Eleonora Paes, o programa tem respaldo positivo nas escolas porque atende tanto à necessidade do aluno, como à dos professores que lidam com a dificuldade diária desse estudante.

“O objetivo final é reduzir o analfabetismo nesta faixa etária do ensino fundamental para que haja um aproveitamento melhor desse aluno no ensino médio”, conclui Paes.

 

Primeiros resultados

A direção da Escola Estadual São José, em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, já percebe mudança no comportamento dos 18 alunos que recebem acompanhamento pedagógico diferenciado.

 

“Estamos na terceira semana do programa e já notamos que os estudantes apresentam mais interesse na aulas regulares e estão mais participativos”

Juçara Dias, diretora da Escola Estadual São José

 

A alfabetizadora Alcione Marques atende aos alunos, por grupo, todos os dias durante uma hora e meia. Segundo ela, as atividades foram elaboradas para prender a atenção dos estudantes e ao mesmo tempo desenvolver o aprendizado.

Alcione trabalha com oficinas de palavras, utiliza jogos pedagógicos online e materiais lúdicos para melhorar a leitura, escrita e interpretação. Ela explica que o uso de espaço não convencional para realização das atividades também ajuda no aprendizado.

Os alunos estudam na biblioteca, sala de computadores e outras espaços equipados com material específico para alfabetização.

Os 18 estudantes que recebem acompanhamento diferenciado na Escola Estadual São José, por dificuldade na escrita e leitura, estão no quarto e no quinto anos do ensino fundamental.

Weverson de Carvalho, 10 anos, é um deles e já sente melhoras no aprendizado.  “Ontem estudamos uma história, depois eu contei a mesma história e falei o que entendi sobre ela. A professora disse que era isso mesmo”, conta Weverson, entusiasmado com o desempenho.

Os jogos pedagógicos atraem o garoto, que não perde as aulas extras. “A gente aprende brincando”, afirma.

 

Mais desenvoltura

Em Formiga, Território Oeste, o projeto tem ajudado a consolidar a alfabetização de 38 alunos do quarto ao nono ano do ensino fundamental da Escola Estadual Aureliano Rodrigues Nunes. Eles apresentam defasagem na leitura, escrita, interpretação de texto e raciocínio.

 

“Temos aqui alunos que vieram de outras redes de ensino. Muitos escrevem, mas não leem com fluência. Então, um projeto como esse, de assistência individualizada, contribuiu para a consolidação da aprendizagem dessa turma”

Hadailton Geraldo Silva, diretor da Escola Estadual Aureliano Rodrigues Nunes

 

Na escola, o Acompanhamento Pedagógico Diferenciado começou no início de agosto. Lá também é percebido o reflexo positivo das atividades extraclasse. Segundo a supervisora Alda Siqueira Santos, o aluno se manifesta com mais facilidade em sala de aula, mostra desenvoltura na leitura e melhor capacidade para resolução de problemas que envolvem raciocínio, como as operações matemáticas.

Vinicius Henrique Soares, 11 anos, do quinto ano, percebe que tem aprimorado o português e o vocabulário com as atividades de achar palavras, colar gravuras, ler histórias e escrever. O ponto fraco do garoto é a leitura, mas ele diz que está se esforçando para ganhar mais fluência. “Estou mais feliz porque estou melhorando a leitura e também a matemática”, afirma Vinícius.

 

Impacto no Jequitinhonha

A Escola Estadual Ana Faria, em Pedra Azul, Vale do Jequitinhonha, tem 26 alunos no Acompanhamento Pedagógico Diferenciado. A maioria, segundo a vice-diretora Márcia Andrade, com defasagem na leitura, escrita e interpretação.

A escola é outra que tem notado a evolução dos estudantes no aprendizado.  A vice-diretora atribui o resultado ao atendimento individualizado que eles recebem.

“A frequência e o interesse dos alunos nas atividades são grandes”, observa Márcia, que  ressalta a importância de dar aos alunos com dificuldade no aprendizado condições de acompanhar os colegas da mesma faixa etária.

A alfabetizadora da escola, Sheron Carvalho, trabalha com pequenos textos para leitura, interpretação em grupo, jogos de dominó e de caça-palavras. O aluno Wanderson Santiago, de 14 anos, acha que está lendo com mais fluência depois que passou a receber acompanhamento.

“Eu gosto de ler as histórias e estou melhor na leitura. Essas aulas vão me ajudar a aprender tudo”, diz o garoto, que não perde as aulas extras.

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