quinta-feira, 12 de Junho de 2014 07:59h

Prontos para entrar em campo

Empresários mineiros se preparam para receber a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014

As seleções de 32 países já estão prontas para entrar em campo e a torcida se prepara para gritar pelo seu time. Durante os 30 dias do torneio esportivo, o Brasil receberá 600 mil estrangeiros, enquanto 3 milhões de brasileiros deverão circular entre as 12 cidades-sedes dos jogos, segundo estimativa do Ministério do Turismo. O mercado também terá um grande salto, principalmente, após o encerramento do Mundial, em 13 de julho.

As consultorias Ernst &Young e Value Partners e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) calculam que serão movimentados R$ 142,39 bilhões adicionais na economia nacional e gerados 3,6 milhões de empregos, incrementando em R$ 183,2 bilhões o Produto Interno Bruto (PIB) até 2019. Em Minas Gerais, a previsão é de crescimento de 1% do PIB do Estado e geração de 40 mil empregos na microrregião de Belo Horizonte.

Luiz Antônio do Lagu, proprietário do Sítio Juranda, no município de Campestre, no Sul de Minas Gerais, está em contagem regressiva para o início da Copa do Mundo. Confiante que o maior torneio de futebol será um importante combustível para a economia do país, ele investiu na ampliação de sua produção de frutas vermelhas com foco no crescimento das vendas no longo prazo.

Nos cinco hectares da propriedade, o cultivo de framboesa gira em torno de 12 toneladas por ano e o de amora soma 66 toneladas, sendo considerada a maior produção de amora por hectare na América Latina. Atualmente, as frutas vermelhas são vendidas para supermercados, distribuidores e indústrias alimentícias de Minas Gerais e das cidades de Goiânia (GO), Recife (PE) e São Paulo (SP).  “Já tenho negócios fechados para as competições esportivas. Vou vender amoras e framboesas para as grandes redes hoteleiras nas 12 cidades-sede dos jogos e, após o evento esportivo, meu objetivo é permanecer como fornecedor deles, aumentando em 20% a minha produtividade”, vislumbra Luiz Lagu.

Grande parte deste investimento é reflexo de sua participação nos programas Origem Minas e Sebrae 2014, que ofereceu ações de capacitação e acesso a mercados a empreendedores em todo o país, direcionando esforços para a busca de competitividade e realização de negócios. No estudo realizado pelo Sebrae Nacional, em parceria com a FGV, em 2010, foram identificadas mais de 930 oportunidades nas cidades-sede e os requisitos necessários para o fornecimento de produtos e serviços direcionados para o atendimento de demandas geradas pelo mundial. Com base nesse estudo, as ações priorizaram dez setores com mais possibilidades de geração de negócio: turismo, economia criativa, comércio varejista, serviços, artesanato, construção civil, madeira e móveis, agronegócios, tecnologia da informação e comunicação e moda.

Os empreendedores envolvidos no Programa Sebrae 2014 cumpriram uma programação intensa que incluiu capacitação gerencial, diagnósticos e acompanhamentos dos consultores, para potencializar sua organização e fortalecer sua visão focada em resultados a longo prazo, além das iniciativas de netwoorking, seminários de oportunidades e sessões de negócios (confira na pág. XX). “O objetivo era que as micro e pequenas empresas se tornassem mais competitivas por meio de soluções de inovação, gestão organizacional e orientação estratégica para o mercado”, esclarece Mônica Alencar, analista do Sebrae Minas e responsável pela condução do programa no Estado.

Produção saudável

Assim como o produtor de frutas vermelhas Luiz Antônio, o empresário Lenine Guimarães também está na expectativa para que a bola comece a rolar nos gramados brasileiros. Proprietário da Nutravita, fabricante de barras de frutas desidratadas, que emprega 11 funcionários e possui uma fábrica no bairro Boa Vista, em Belo Horizonte, ele viu a produtividade aumentar em 70 vezes, passando de 100 para 7 mil unidades por dia em apenas três anos de atuação. Esse crescimento se deve diretamente às consultorias que recebeu no Programa Sebrae 2014, nas áreas de marketing, finanças e design, além de participar de várias sessões de negócios, o que possibilitou o aumento da comercialização do seu produto. O empresário também participa do projeto Origem Minas, iniciativa do Sebrae para projetar o agronegócio do estado em grandes eventos nacionais e internacionais.

Além disso, a oportunidade de expor seus produtos na loja Mosaico Brasil, no Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília, proporcionou maior visibilidade à marca Nutravita, em especial, pelo seu diferencial de não utilizar glúten, açúcar e conservantes no processo produtivo. “O apoio do Sebrae Minas, desde o início, pensando nas oportunidades com o mundial, foi um divisor de águas na condução do meu negócio. A nossa participação neste evento de Brasília foi o grande destaque. A ação teve o objetivo de apresentar ao público 310 produtos fabricados em território nacional, e fomos campeões de venda, o que nos abriu muitas portas”, revela.

Agora, Lenine Guimarães pretende incrementar ainda mais as vendas durante a Copa do Mundo. “Fizemos um planejamento que prevê um crescimento de oito vezes do nosso faturamento anual, atualmente de R$160 mil. Para isso, queremos participar de eventos e oferecer aos turistas uma opção de alimentação mais natural e saudável, com frutas tropicais brasileiras, criando parcerias para alavancar os negócios”, acrescenta. Para isso, a empresa já comercializa para redes de supermercados, aeroportos e companhias aéreas, hotéis, restaurantes e lojas de produtos naturais e saudáveis. “Começamos em Minas Gerais e, hoje, vendemos para outros estados, principalmente, São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Paraná. O nosso foco agora é a exportação: o produto foi enviado para Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.”

Com a construção de um galpão maior para abrigar a nova fábrica, o empresário planeja multiplicar a produção, passando para cerca de 40 mil barras diárias.

Apoio

O programa Sebrae 2014 foi criado para apoiar micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEI) a se tornarem mais competitivos com as oportunidades oferecidas pelo megaevento esportivo. Faz parte de sua estratégia realizar diagnósticos de gestão, orientações por meio de consultorias, encontros de negócios, seminários de oportunidades, sessões de negócios, o Comércio Brasil e a Central de Oportunidades.

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