quinta-feira, 3 de Outubro de 2013 13:06h Atualizado em 3 de Outubro de 2013 às 13:37h.

Reforma do ensino médio é considerada essencial

Participantes de audiência pública defendem currículo flexível e formação profissionalizante.

A criação de um currículo mais flexível, a divisão do conteúdo por áreas e o investimento na formação profissional dos estudantes foram algumas das sugestões apresentadas, nesta quinta-feira (3/10/13), para a reforma do ensino médio. Durante a audiência, promovida na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pela Comissão Especial de Reformulação do Ensino Médio da Câmara dos Deputados, também foram debatidas a necessidade de aumentar a atratividade e a permanência dos alunos.

Para o presidente da comissão especial, deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), um dos erros do atual modelo é a priorização da memorização. Hoje, segundo ele, há um excesso de conteúdo. Por isso, para o parlamentar, o maior desafio é realizar uma reforma curricular que valorize áreas do conhecimento em vez de uma grande quantidade de disciplinas. Como solução, Reginaldo Lopes defendeu uma grade com disciplinas obrigatórias e optativas, ou seja, um currículo nacional, mas flexível. O presidente da comissão especial também defendeu o investimento em disciplinas que possam preparar o aluno para o mercado de trabalho.

Reginaldo Lopes acredita que a infraestrutura não está adequada para o ensino Reginaldo Lopes acredita que a infraestrutura não está adequada para o ensino - Foto: Ricardo Barbosa
Outro desafio, segundo o deputado federal, é a melhoria da infraestrutura, que não está, muitas vezes, adequada para o ensino, já que em muitas escolas faltam biblioteca, sala multimídia, áreas de convivência e para a prática de esportes. Por isso, lembrou, as escolas de forma geral não são espaços adequados para o aprendizado. “A própria evasão mostra que o jovem não concorda com o atual modelo. Todos os indicadores apontam para uma falência do sistema atual”, disse.

Essa dificuldade pode ser comprovada pelos números apresentados durante a audiência. De acordo com a secretária adjunta de Estado de Educação, Maria Sueli de Oliveira Pires, apenas 65% dos estudantes brasileiros chegam ao ensino médio. Desse total, no primeiro ano, 16,8% são reprovados e 11,6% abandonam os estudos. Em Minas, 15,2%, ou seja, cerca de 26 mil alunos do 9º ano do ensino fundamental não chegam ao primeiro ano do ensino médio.

Para a secretária adjunta, é necessária uma mudança para um modelo de escola que atenda aos anseios dos jovens. Por isso, o Governo do Estado criou o projeto Reinventando o Ensino Médio, para repensar o currículo das escolas estaduais. Um dos principais objetivos do projeto é preparar o aluno para a continuidade dos estudos e para o mundo do trabalho. Para que isso seja possível, o currículo escolar será composto por 2.500 horas para formação básica do aluno e 500 horas para formação específica, com conteúdos curriculares voltados para a empregabilidade.

Essas áreas de empregabilidade, de acordo com a subsecretária de Estado de Desenvolvimento da Educação Básica, Raquel Elizabeth dos Santos, irão possibilitar que o aluno tenha mais condições de entrar no mundo do trabalho. No total, serão cinco áreas: turismo; comunicação aplicada; tecnologia da informação; meio ambiente e recursos naturais; empreendedorismo e gestão. Dessas áreas, a escola poderá escolher três, e o aluno, uma.

A subsecretária explicou ainda que o projeto teve início de forma experimental em 2012, com 11 escolas. Neste ano, houve a ampliação para 122 escolas, e no ano que vem, o novo modelo estará disponível em todas as escolas da rede estadual.

Sindicato de professores critica o Governo do Estado

Sobre o novo modelo, a presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, questionou que ele foi construído sem a participação dos professores. “O professor tem que ser reconhecido como sujeito de elaboração”, defendeu.

Outra questão apresentada por Beatriz Cerqueira diz respeito ao acesso ao ensino médio, já que, segundo ela, o Estado oferece cerca de 745 mil vagas, número menor do que o oferecido em 2003 (796 mil). Além disso, ela criticou a não aplicação, pelo Estado, do mínimo constitucional na educação e denunciou que o valor calculado como custo do aluno inclui os gastos com o pagamento de inativos da educação. “Eu não acho que o problema seja falta de dinheiro. Eu acho que o dinheiro não está sendo empregado onde deveria ser”, disse.

A presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Manoela Braga, disse que o ensino médio não corresponde às expectativas da comunidade escolar. Por isso, para ela, a escola precisa abandonar os formatos atuais e buscar novos modelos. Ela defendeu ainda que o currículo considere as diferenças regionais. “A educação não deve ser um modelo fechado, uma formula única”, disse.

Após a fala dos convidados, vários professores se manifestaram para repudiar o Reinventando o Ensino Médio. Para eles, o projeto foi imposto sem qualquer consulta à comunidade escolar e não passa de mais uma peça de marketing do governo com vistas às eleições de 2014.

Deputados defendem valorização do professor

Parlamentares consideram que os professores não têm reconhecimento profissional Parlamentares consideram que os professores não têm reconhecimento profissional - Foto: Ricardo Barbosa
Para o deputado Rogério Correia (PT) os jovens, com as recentes manifestações pelo País, colocaram o tema da educação novamente como prioridade. Na sua avaliação, embora já tenham sido registrados grandes avanços, é necessário fazer “uma verdadeira revolução no sistema educacional”, com mais investimentos para os professores, que ainda são muito mal remunerados, segundo ele. Além disso, o parlamentar criticou o Estado por não realizar o investimento mínimo de 25% da arrecadação na área, conforme determina a Constituição. Ele também denunciou a falta de infraestrutura das escolas.

O deputado Adelmo Carneiro Leão (PT) também destacou a falta de reconhecimento dos professores. “Se nós entendermos que a educação é prioritária, temos que colocar o professor como referência máxima. Não podemos fazer mudanças significativas de conteúdo e de método se não tivermos professores valorizados e escolas com condições sanitárias e estrutura”, disse.

Já o deputado Paulo Lamac (PT) alertou que o Brasil sofre com a falta de mão-de-obra qualificada. “Isso demonstra que não estamos formando os jovens brasileiros para as demandas que o Brasil tem. Se queremos continuar experimentando o processo de desenvolvimento, precisamos ter a capacidade de formar os jovens para que eles deem sustentabilidade a esse processo”, disse.

O deputado Duarte Bechir (PSD) defendeu um ambiente de respeito entre Estado, professores e sindicatos em todos os eventos para se discutir a educação em Minas. Segundo ele, a politização do debate é inevitável, mas é possível que os trabalhos sejam focados na educação.

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