quarta-feira, 26 de Março de 2014 06:43h

Região da Zona da Mata possui maior proporção de idosos do Estado

Pesquisa aponta também que os menores percentuais de algumas doenças crônicas, como a hipertensão arterial, estão na região.

A Zona da Mata possui a maior proporção de idosos de todo o Estado. Na região, eles representam 13,3% da população total. A proporção média em Minas é de 11,8%. Em números absolutos, são 293.167 pessoas com idade acima de 60 anos, de um total de 2,3 milhões de idosos em todo o Estado. A informação faz parte do Boletim da Pesquisa por Amostra de Domicílios (PAD) - Perfil da População Idosa de Minas Gerais, realizado pela Fundação João Pinheiro.   

Os números são de 2011 e mostram que, na Zona da Mata, existe uma concentração de idosos maior que da população total. Estão na região 12,7% dos idosos, enquanto o percentual da população total lá concentrada é de 11,3%.  Além disso, a pesquisa mostra que na Zona da Mata há 66,3 idosos para cada 100 jovens, o que caracteriza a região como a que possui maior índice de envelhecimento. Em Minas Gerais, em 2011, para cada 100 pessoas de 0 a 14 anos, havia 52,4 idosos. Quando se analisa a proporção de pessoas acima de 80 anos, a Zona da Mata também possui a maior proporção do Estado, junto com o Jequitinhonha/Mucuri: 2,2%.

Com relação ao sexo dos idosos, foi constatada na região a razão de 85,6 homens para cada 100 mulheres. Observa-se também que a maioria dos idosos é casada (53,4%), seguida dos viúvos (30,3%), solteiros (9,5%) e desquitados / divorciados (6,8%). A pesquisa alcançou aproximadamente 18 mil domicílios em 1.200 setores censitários e 428 municípios mineiros.

A pesquisadora da Fundação João Pinheiro e uma das responsáveis pelo Perfil da População Idosa de Minas Gerais, Juliana Riani, ressalta que o recorte regional dos dados é fundamental em um estado tão heterogêneo como Minas. “Neste momento em que vivemos o envelhecimento da população, é essencial conhecermos os idosos mineiros e as características regionais, para a eficácia das políticas públicas. Ou seja, esse diagnóstico regional permite focalizar as políticas públicas”.  

 

 

Saúde

Com relação à saúde dos idosos, a Zona da Mata apresentou os menores percentuais do Estado para portadores de pelo menos uma doença crônica (74,5%), hipertensão arterial (54,9%), artrite ou reumatismo (14,4%) e bronquite ou asma (4%, junto com o Norte de Minas).  A prevalência de outras doenças também foi mensurada: doenças de coluna (27,3%); doenças cardíacas (17,4%); diabetes (18,7%); depressão (9,4%); insuficiência renal crônica (2,8%); câncer (1,7%); e tuberculose (0,5%).

Foi verificado, ainda, que o percentual de idosos que possuem plano de saúde é de 29,9% na Zona da Mata e que, na região, a maior parte dos idosos considera seu estado de saúde muito bom ou bom (56,7%). O percentual é o maior do Estado.

Para contribuir com a saúde dos idosos na Zona da Mata, foi implantado de forma pioneira em Juiz de Fora, em 2009, o Centro Mais Vida, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O local atende à população de 60 anos ou mais com a finalidade de melhorar a qualidade de vida da pessoa idosa, de forma a promover a longevidade, independência e autonomia. O Centro abrange 94 municípios da macrorregião Sudeste e oferece assistência especializada por meio de uma equipe multidisciplinar. Desde a implantação, já atendeu a mais de 32 mil idosos, 8.301 só no último ano.  Além da sede em Juiz de Fora, Minas conta hoje com outros dois Centros Mais Vida, um na macrorregião Norte, sediado em Montes Claros, e na macrorregião Centro, com sede em Belo Horizonte.

 

 

Hábitos

A PAD também apresenta uma avaliação dos hábitos da população idosa na Zona da Mata. A alimentação de 96,3% dos idosos contém frutas, verduras e legumes; a carne vermelha está presente na dieta de 90,6%; a carne de frango em 93,2%; e o leite é consumido por 83,5%.  Quanto à atividade física, 14,5% das pessoas com mais de 60 anos de idade da região pratica de forma suficiente; 3,5% de forma insuficiente; e 82% não pratica. O tabagismo é hábito para 13,8% dos idosos; 13,9% são ex-fumantes; e 72,2% nunca fumou. Já com relação à bebida alcoólica, 13,7% são consumistas.

 

 

Condição do idoso no domicílio e arranjo domiciliar

Segundo os dados da PAD-MG de 2011, a região da Zona da Mata é a que possui a menor proporção de idosos que possuem papel central no domicílio: chefe e cônjuge somam 85,5%. Em Minas Gerais, 65,9% dos idosos eram chefes de domicílio e 22,8% eram cônjuges. Ou seja, quase a totalidade, 88,7%, eram os responsáveis pelo domicílio assumindo o papel de chefe ou cônjuge. Por outro lado, na Zona da Mata é maior o percentual de idosos morando com filhos ou genros/noras (9,7%), enquanto o percentual no Estado é de 7%.

Já a distribuição da população acima de 60 anos por arranjo domiciliar na Zona da Mata mostra que 14,2% dos idosos moram sozinhos; 22% corresidem apenas com idoso; 45,6% corresidem apenas com adulto (15 a 59 anos); 1,6% corresidem apenas com criança (0 a 14 anos); e 16,5% corresidem com adulto e criança.

 

 

Caracterização socioeconômica

Questões relacionadas com as condições sociais e econômicas dos idosos mostram que, com relação aos rendimentos, na Zona da Mata, 71,4% vem de aposentadorias e pensões; 23,9% de atividades laborais; e 4,7% de outras fontes. O tipo de vinculação laboral também foi analisado: trabalhador por conta própria somam 47%; empregado assalariado com carteira no setor privado, 14,3%; empregado assalariado com carteira no setor público, 6,5%; empregado assalariado sem carteira no setor privado, 10,1% (maior percentual do Estado); empregado assalariado sem carteira no setor público, 5,5%; estatutário, 6,3%; doméstica mensalista sem carteira, 1,2%; trabalhador não remunerado membro da unidade familiar, 1,3%; outro trabalhador remunerado, 4,8%; e empregador, 3,1%.

A pesquisa constatou que a região de planejamento da Zona da Mata apresenta uma concentração importante de trabalhadores idosos que atuam em lojas, oficinas, fábricas, escritórios, escolas ou repartições públicas, com um percentual de 40,5%, atrás apenas da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com 41,7%. O restante atua no próprio domicílio, 14,9%; em fazenda, sítio, granja ou chácara, 24,3%; em local designado pelo empregador, cliente ou freguês, 16,1%; em veículo automotor, 3,8%; e em via ou área pública, 0,4%.

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