segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015 10:33h

Retomada do crescimento de Minas depende de fim da guerra fiscal e aumento das exportações

O ajuste das alíquotas mineiras de ICMS em relação aos outros estados e a adoção de uma política externa que vise ao desenvolvimento econômico do país foram as recomendações do presidente da FAEMG

O ajuste das alíquotas mineiras de ICMS em relação aos outros estados e a adoção de uma política externa que vise ao desenvolvimento econômico do país foram as recomendações do presidente da FAEMG, Roberto Simões, ao discutir possíveis medidas para recuperar a economia mineira, durante o Ciclo de Debates: Retomada do Desenvolvimento Econômico, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

“A continuidade do bom desempenho do agronegócio necessita de um estado mais aberto e mais competitivo. Observando a cadeia, no âmbito estadual, é necessário ajustar as alíquotas de ICMS como uma das ações para atrair e manter empreendimentos ou aderir à guerra fiscal. Outra opção é trabalhar pela aprovação da proposta de alíquota única apresentada pela União. O fato é que estamos perdendo investimentos para outros estados. É urgente que Minas corrija esse quadro”.

“No âmbito federal, há a necessidade de rever a política comercial externa. Precisamos investir em negociações que visem ao desenvolvimento econômico do país e a retomada do crescimento. Enquanto negociamos com países de mercados pequenos, nossos vizinhos entraram no acordo do Pacífico Sul, colocando em risco nosso comércio com a China, principalmente de grãos. O Mercosul é outro entrave que precisa ser revisto. Enfim, corremos o risco de perder espaço no mercado internacional”.

Ao detalhar as necessidades do setor agropecuário, o presidente da FAEMG enfatizou que a demanda pelos produtos agrícolas é garantida pelo crescimento populacional e disse que há capacidade instalada para aumentar a produção, mas reforçou ser fundamental que a estrutura de apoio seja aprimorada. Segundo ele, dos pontos que necessitam de investimento a infraestrutura de transporte e armazenamento são prioritários: “Não adianta produzirmos mais se não conseguirmos armazenar e escoar a produção. Não queremos desperdício”.

O desenvolvimento de tecnologias que aumentem a produtividade também foi apontado como indispensável: “Nosso desejo é produzir sustentavelmente, ampliando a produtividade, mas para isso precisamos de mais pesquisas e inovações; o que requer também investimentos em extensão rural, para que o conhecimento produzido nas academias e nas empresas seja traduzido para o homem do campo”.

Outro ponto essencial para continuar aumentando a produção é o estabelecimento de uma política de crédito agrícola, acessível a todos os produtores e que libere recursos no volume e tempo corretos, bem como a expansão do seguro agrícola: “Nossa vontade de produzir é tanta que plantamos e criamos sem seguro, nos arriscando a perder tudo com chuvas, secas, pragas e tempestades políticas e econômicas. O crédito é outro problema, não sai em tempo nem volume necessários; não chega a todos. Tem produtor usando o cartão de crédito para custear a safra”.

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