quinta-feira, 18 de Abril de 2013 07:38h Liziane Ricardo

Reunião entre Cemig e eletricitários termina sem acordo

Categoria reivindica reposição salarial, redução de acidentes, fim das mortes e Concurso Público

Após reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), os eletricitários de Minas Gerais devem se reunir em assembleia, ainda sem data marcada, para decidirem se a categoria entrará ou não em greve. Em Divinópolis, a paralisação durou toda a terça-feira e se estendeu à quarta-feira (17) por mais duas horas sem atividades.
Segundo o Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro-MG), a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) se recusou a apresentar uma nova proposta para a categoria e, por isso, a audiência de conciliação entre as duas partes terminou sem acordo. A previsão era que a convenção coletiva fosse fechada em outubro de 2012, mas até agora nenhuma proposta atendeu às reivindicações dos trabalhadores.
O diretor coordenador da Regional Oeste do sindicato, Celso Marcos Primo participou junto dos demais eletricitários do Estado da passeata na capital mineira, e ontem (17) se estendeu as cidades de Bom Despacho, Lagoa da Prata, Formiga, Pitangui e Dores do Indaiá realizando reuniões entre a categoria. “Dos diversos itens de nossa pauta, este ano a Cemig não aceitou nenhum dele: reajuste salarial de 8%, Concurso Público, fim das mortes por acidentes os quais ocorrem a cada 45 dias. Só neste ano já tivemos duas mortes, dois acidentes graves com trabalhadores queimados, acidentes com postes, além dos 110 funcionários que estão previsto para ser dispensados pela Cemig”, contou Celso Primo.


 
PROPOSTA


A categoria reivindica aumento real de 2%, reposição das perdas salariais pelo índice do INPC (5,99%), retroativa a 1º de novembro de 2012, e reajuste das cláusulas econômicas em 8%. Além disso, os trabalhadores estão cobrando a garantia de emprego, a substituição dos trabalhadores terceirizados em atividades fim por concursados, a transferência dos eletricitários da Cemig Serviços para a Cemig Distribuição, a instituição de uma política de combate ao assédio moral e a manutenção das conquistas.
Ainda conforme o Sindieletro, a proposta da empresa foi de reajuste de 4,5%, redução dos adicionais pagos sobre hora extra, diminuição do tempo de licença-maternidade para as mulheres e nenhum aumento no valor do tíquete alimentação dos trabalhadores. O sindicato ressaltou ainda que a Cemig não teria motivos para se recusar a negociar com a categoria já que teria iniciado o ano de 2013 anunciando R$ 4,5 bilhões de lucro para os acionistas. 
Em nota a imprensa, a Cemig informou que houve uma reunião do sindicato dos eletricitários com funcionários da empresa, na manhã desta quarta-feira (17), mas não afetou nenhuma das atividades da Empresa no município de Divinópolis.
A Companhia esclareceu, ainda, que a paralisação parcial dos empregados, realizada na terça-feira (16) não afetou as atividades da Cemig. Todos os serviços da empresa, como atendimento no call center, serviços emergenciais e ligação ou religação de energia foram prestados normalmente. A movimentação também não afetou o funcionamento das usinas hidrelétricas.
A Cemig informa ainda que apresentou aos empregados uma proposta respeitosa, consideradas as perspectivas de futuro para a Empresa definidas a partir da MP 579 (atual Lei 12.783) e do terceiro ciclo de revisão tarifária, que reduziu o percentual de remuneração das distribuidoras de energia do País sobre os serviços prestados.
Uma vez que não houve entendimento, a Cemig solicitou a mediação da Justiça do Trabalho, através de Dissídio Coletivo, antecipando o reajuste de 4,5% no salário. A proposta apresentada mantém todos os benefícios atualmente existentes, propõe uma recomposição dos salários diante de perdas inflacionárias e preserva a qualidade do acordo coletivo, que é o melhor acordo coletivo do setor elétrico e está entre os melhores do Brasil.

 

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