quinta-feira, 24 de Outubro de 2013 10:16h

Revitalização das sub-bacias do Rio Paraopeba favorece agricultores familiares

Cerca de 80 municípios de Minas serão contemplados pelo projeto, que prevê a construção de mais de 22 mil bacias de captação e cercamento de 224 nascentes

O município de Maravilhas, região Central do Estado, é um dos municípios incluídos no projeto de revitalização de sub-bacias hidrográficas dos afluentes dos rios das Velhas e Paraopeba, formadores da Bacia do São Francisco. O projeto foi iniciado na cidade em setembro deste ano, por meio de convênio entre a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), Fundação Rural Mineira (Ruralminas) e Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

A revitalização das sub-bacias dos afluentes dos rios das Velhas e Paraopeba contempla 81 municípios, com previsão de construção de mais de 22 mil bacias de captação, cercamento de 224 nascentes, 325 quilômetros de matas ciliares, construção de terraços em 9,2 mil hectares de áreas degradadas e 773 quilômetros de readequação de estradas vicinais. O valor total do convênio é de R$ 50 milhões, sendo que R$ 25 milhões desse valor já foram investidos.

Projeto recupera nascentes e áreas degradadas

Segundo informa o coordenador técnico regional de Meio Ambiente da Emater-MG, Tarcísio Coimbra, o trabalho consiste em aplicações de técnicas de conservação do solo e água, como terraços, bacias de capacitação de águas de enxurrada, cercamento de nascentes e áreas de preservação permanente (Apps), e recuperação de áreas degradadas. “A verba vem dos governos estadual e federal, repassados à Emater-MG para a implantação dos projetos em 17 municípios da região de Sete Lagoas, entre eles o município de Maravilhas”, explica.

O projeto favorece produtores rurais dos municípios contemplados. Em Maravilhas, por exemplo, com o intuito de recuperar as sub-bacias dos córregos Carrapato e Boa Vista, afluentes do Rio Paraopeba, serão construídas 300 bacias de captação de água de enxurradas, 300 quilômetros de terraços e cercamento de 17 nascentes. Diversas nascentes estão em propriedades de agricultores familiares.

Olímpio de Castro Alves é um produtor rural que tem nascente da sub-bacia do Paraopeba em sua propriedade de 53 hectares. É uma nascente do Córrego Carrapato que se encontra assoreada. O agricultor sonha com a sua recuperação, pois a água utilizada na criação do gado de leite e nas plantações de milho, feijão e hortaliças vem da cisterna. “Eu lembro da nascente com o dobro de água que tem agora, quero que ela volte a ter o mesmo volume de água de antes, e quero ver meu pasto enverdecido de novo”, afirma.

Essa é a ideia. Segundo Emanoel da Silva Pinto, extensionista da Emater-MG em Maravilhas, as intervenções diminuirão o problema de erosão na propriedade de Olímpio Alves e recuperará a nascente que está assoreada por causa da enxurrada. “Com as bacias que foram feitas e com os terraços, haverá um ganho ambiental muito grande na propriedade do agricultor, e ele terá sua água de volta e um pasto mais verde”, disse.

Tarcísio Coimbra explica que a função dos terraços é reter a água das chuvas que infiltram no solo para alimentar o lençol freático e, consequentemente, trabalhar a recuperação das nascentes. “Com isso a pastagem do produtor rural ficará mais verde, pois o solo terá uma recarga de água que também contribuirá para melhorar as nascentes dos cursos d'água”, explica.

No projeto, a Ruralminas entra com a parte executiva, que é o acompanhamento das máquinas, a fiscalização do serviço, a medição e o pagamento das empreiteiras contratadas, que executam o serviço. Para o gerente de projetos da Ruralminas, Paulo Vicente Fonseca Reis, a parceria com a Emater-MG é fundamental. “A Emater está em quase todos os municípios mineiros e conhece os problemas dos produtores rurais. É a empresa que indica onde executar os projetos”, destaca.

Os projetos de recuperação das sub-bacias dos rios Paraopeba e das Velhas tiveram início em 2011 e já foram executados em Sete Lagoas, Pedro Leopoldo, Jaboticatubas, Santana do Riacho, Esmeraldas e Pequi.

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