terça-feira, 4 de Outubro de 2016 12:29h Codevasf

Revitalização de 205 microbacias pela Codevasf em Minas visa aumentar volume de água no São Francisco

São R$ 42,2 milhões aplicados em cercamento de 1.168 nascentes, construção de 34.051 bacias de captação e implantação de 926 km de cercas de proteção de matas ciliares, topos de morro e áreas degradadas

Aumentar o volume e a qualidade da água na bacia do rio São Francisco é o objetivo da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) ao executar ações de revitalização em 205 microbacias hidrográficas localizadas em 162 municípios de Minas Gerais, estado onde está situada a nascente do rio.

As ações contabilizam, até agora, recursos da ordem de R$ 42,2 milhões aplicados em cercamento de 1.168 nascentes, construção de 34.051 bacias de captação de enxurradas e implantação de 926 km de cercas para a proteção de matas ciliares, topos de morro e áreas degradadas. Além disso, foram já construídos 1.491 km de terraços e feita a adequação ambiental de 165 km de estradas vicinais.

O total de recursos programados para esta fase é de R$ R$ 64,3 milhões, o que significa que sua execução já chega a 66%. O trabalho vem sendo desenvolvido em parceria com organizações não-governamentais, governos municipais e governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa/MG), Fundação Rural Mineira (Ruralminas) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater/MG).

“O princípio do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do São Francisco, no eixo de controle de processos erosivos, é contribuir para o aumento de volume de água, melhoria da qualidade e, consequentemente, da disponibilidade na bacia do São Francisco”, explica Sidenísio Lopes, gerente regional de Revitalização da Codevasf na 1ª Superintendência, sediada em Montes Claros (MG).  

“As ações executadas têm resultado na melhoria da qualidade e aumento da quantidade de água disponível para usos múltiplos na bacia do rio São Francisco, uma vez que promovem a redução da perda de sedimentos e o aumento da infiltração de água no solo, favorecendo, assim, a recarga dos lençóis freáticos”, assinala o diretor de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Codevasf, Inaldo Guerra.

“São também ações que dialogam com os objetivos do Desenvolvimento Sustentável e que vão ao encontro do que estabelece o decreto número 8834/2016, que trata da Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco”, acrescenta.

 

Bacias de captação

 

O município de Cabeceira Grande foi um dos contemplados com as ações de revitalização executadas pela Codevasf em Minas Gerais. Na região onde fica a propriedade do produtor Alcides Martins, foram construídas dez bacias para captação de água de enxurrada e implantados 1.000 metros de cerca para proteção de área ciliar. Martins já percebe os primeiros resultados dessa medida.

“Parabenizo a Codevasf, em parceria com a Emater/MG e a Ruralminas, pela iniciativa e, depois, pelo serviço, que ficou muito bem feito. Era uma luta nossa aqui da região. A intervenção foi feita no local solicitado e já houve captação de água. Dá para perceber que o problema que estava acontecendo já não está mais; a água foi retida”, aponta.

O superintendente regional da Codevasf em Minas Gerais, Rodrigo Rodrigues, também destaca os efeitos positivos do trabalho. “As ações de controle de processos erosivos desenvolvidas pela Codevasf em Minas Gerais já têm dado alguns bons resultados. É o que pode ser constatado pela manifestação de satisfação daqueles produtores que tiveram ações implantadas em suas regiões, as quais já começam a dar os primeiros frutos”.

 

Conscientização

 

Para que as ações de revitalização sejam executadas, é necessário o envolvimento da população local. De acordo com o engenheiro agrícola Geraldo Magela, coordenador técnico em meio ambiente da Emater-MG, Unidade Regional do São Francisco, é feito um trabalho de mobilização que ocorre desde a concepção do projeto, com o diagnóstico junto às comunidades para levantamento das necessidades prioritárias e a conscientização a respeito da importância da execução das medidas.

“Nós utilizamos diferentes técnicas nesse processo, como caminhada ecológica, cavalgadas, seminários, dias de campo, visitas, campanhas nas escolas, passeatas, tudo isso para mobilizar a comunidade em torno da proposta de revitalização. É preciso convencer o agricultor sobre a importância desse trabalho, mostrando, ainda, que é viável. Se ele não compra a ideia, o projeto realmente não anda. Portanto, a mobilização é fundamental”, explica Magela.

 

Técnicas de revitalização

 

A recuperação e o controle de processos erosivos passam pela articulação interinstitucional, pelo trabalho de educação e sensibilização ambiental e pelas intervenções em campo essencialmente voltadas ao estabelecimento do manejo adequado do solo e da água nas propriedades rurais, bem como à conservação e à preservação de outros recursos naturais.

Diferentes métodos são utilizados nessas ações, como implantação de terraços e barraginhas; cercamento e proteção/recuperação de nascentes, matas ciliares, topos de morro e de reserva legal; readequação de estradas vicinais; revegetação; contenção e estabilização de voçorocas e encostas.

Bacias de captação

A construção de bacias de captação, também chamadas de barraginhas, consiste na escavação de bacias no solo para promover a captação de água das enxurradas, a contenção e a decantação de sedimentos, favorecendo a infiltração da água no lençol freático e possibilitando o aumento na recarga do aquífero.

Essas estruturas são de grande importância em áreas sem cobertura vegetal, onde as condições naturais reduzem a taxa de infiltração da água no solo e aumentam a velocidade de escoamento superficial da água das chuvas, provocando erosão que degrada e empobrece o solo, além de carrear sedimentos e causar assoreamento e poluição dos rios.

A não retenção da água no solo provoca, ainda, enchentes e diminui a sustentabilidade produtiva agrícola.

 

Terraceamento e estradas ecológicas

 

O terraceamento, por sua vez, consiste na implantação de terraços em nível por meio da realização de secções do terreno em sentido perpendicular à declividade. Os resultados obtidos com essa intervenção têm eficácia semelhante aos da construção das bacias de captação, pois são tecnologias utilizadas para retenção das águas das enxurradas e armazenamento da água no solo.

A adequação de estradas ecológicas propicia a regularização do leito de rodagem por meio de cascalhamento e obras de drenagem, visando disciplinar e direcionar adequadamente as águas pluviais, evitando que ocorra um escoamento preferencial e desordenado por meio da via, que tem, como consequência, o surgimento de processos erosivos. Essa ação reduz o carreamento de sedimentos para o leito do rio e são realizadas, simultaneamente, à construção de bacias de captação  e ao terraceamento, dentre outras técnicas conservacionistas.

Proteção de nascentes e matas

A proteção de nascentes, matas ciliares e matas de topo visa promover o isolamento destas áreas, por meio do cercamento, a fim de preservar e possibilitar a recomposição da vegetação no entorno de nascentes, matas ciliares e demais Áreas de Preservação Permanente (APPs), evitando o acesso de animais, o carreamento de sedimentos e o assoreamento de corpos d’água.

 

Aniversário da descoberta*

 

A “descoberta” do Rio São Francisco, em 4 de outubro de 1501, é atribuída aos navegadores Américo Vespúcio, genovês, e André Gonçalves, português. Neste ano, o feito estaria portanto completando 515 anos.

Os índios, que já habitavam a bacia do rio São Francisco, chamavam o rio de Opará, que significa rio-mar. Com a chegada de Vespúcio o nome logo seria alterado para rio São Francisco, em homenagem ao dia de São Francisco de Assis.

O berço do São Francisco fica na Serra da Canastra, no município de São Roque de Minas (MG). Da nascente, ele percorre cerca de 2.800 quilômetros até desaguar no Oceano Atlântico, passando por cinco estados; além de Minas Gerais, o rio banha as terras de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe.

Todo o vale sanfranciscano ocupa uma área aproximada de 620 mil quilômetros quadrados, incluindo 505 municípios, com uma população de cerca de 18,2 milhões de pessoas.

 

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