terça-feira, 28 de Junho de 2011 10:59h Agência Minas

Saúde de Minas Gerais dá dicas para idosos evitarem quedas

O aumento da expectativa de vida proporcionou um novo cenário em nossa sociedade: o crescimento da população idosa. Este público demanda cuidados de saúde específicos e em especial aos que se referem à prevenção às quedas, cada vez mais comuns e perigosas. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) busca conscientizar os profissionais da saúde, bem como a sociedade em geral, sobre o risco das quedas e orientar a população sobre como prevenir esse tipo de acidente na velhice.



A referência técnica da Coordenação de Atenção ao Idoso da SES-MG, Aletea Ferreira, chama a atenção para o perigo. “Nosso objetivo é alertar a população sobre as consequências graves que uma queda pode trazer. Para se ter uma ideia, quando um idoso é hospitalizado porque caiu, permanece internado o dobro do tempo, se comparado ao que é admitido por outra razão. E o número de internações em razão de fraturas do fêmur, causadas principalmente por quedas, cresceu 37% nos últimos anos”, afirma.



Informações do Ministério da Saúde (MS) revelam que 35% das quedas ocorrem, a cada ano, em pessoas entre 75 e 84 anos. Esse número sobe para 51%, quando consideramos a população acima de 85 anos. Ainda de acordo com o MS, 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano, sendo que 5% das quedas resultam em fraturas, e de 5 a 10% causam ferimentos sérios, necessitando cuidados médicos para a recuperação.



Dados do MS também apontam que a quantidade de internações por fratura de fêmur aumenta a cada ano, sendo as mulheres as mais atingidas, devido à osteoporose. Entre as causas externas, as quedas são responsáveis por 24% das mortes em idosos, enquanto correspondem a 6% no restante da população.



Medidas preventivas



De acordo com a Associação Médica Brasileira, um cuidado bem simples que pode reduzir o impacto das quedas em idosos é orientá-los sobre os riscos das quedas e suas consequências. “Esta informação poderá fazer a diferença entre cair ou não e, muitas vezes, entre a instalação ou não de uma incapacidade”, comenta Aletea Ferreira.



Outra medida recomendada é fazer avaliações anuais oftalmológicas, da audição e da cavidade oral, além de avaliações rotineiras da visão e dos pés. Uma boa dica, também, é racionalizar a prescrição de medicamentos e fazer a correção das doses, bem como das combinações inadequadas, que podem resultar em tonteira e desequilíbrio, facilitando os tombos.



Depois de uma queda, também é importante tomar alguns cuidados. Segundo Aletea Ferreira, o primeiro passo é verificar se a vítima está consciente, respirando ou com sangramentos. Em seguida, deve-se identificar se houve fraturas. “Se houver queixa de muita dor, e ela não conseguir movimentar determinada área do corpo, é bastante provável que tenha havido fratura de algum osso. Sendo assim, é fundamental movimentar a vítima o mínimo possível. Apenas o necessário para deixá-la em uma posição reta e confortável”, orienta. “É aconselhável ligar para uma emergência e pedir uma ambulância. Se houver transporte próprio, o ideal é deixá-la imobilizada até chegar ao hospital”, completa. Uma das fraturas mais comuns na terceira idade é a que ocorre no terço superior do fêmur. A quebra do osso produz alterações visíveis, como o encurtamento do membro.



Já se houver fratura no braço, é recomendável colocar o membro em uma tipoia antes de procurar ajuda médica. “Ainda há casos em que a fratura não impede que o idoso se movimente, mas se depois da queda o idoso se queixar de dor em um determinado local, deve-se levá-lo ao hospital para fazer radiografia”, comenta.



Ambientes domésticos

A adaptação dos ambientes domésticos é a uma das formas mais eficazes de se prevenir as quedas. A SES-MG dá algumas dicas:



Salas / Áreas comuns

Deixe as áreas de locomoção do idoso desimpedidas e coloque barras de apoio nas paredes para uma melhor locomoção, evitando a possibilidade do idoso se apoiar em móveis que não ofereçam segurança para o suporte.

Dê preferência a cadeiras e sofás que possuam braços e evite móveis de vidro.

Coloque corrimãos nas escadas e faixas antiderrapantes nos degraus. Faça demarcações no início e final da escada.

Evite deixar o chão escorregadio com o polimento e dê preferência a armários baixos, sem que seja necessário o uso de escadas para acessá-los.



Quarto

A cama deve ter uma altura ideal para que o idoso sentado apoie totalmente os pés no chão e possa passar tranquilamente da posição ‘sentado na cama para de pé’.

Coloque no quarto uma cadeira ou poltrona de altura ideal para que o idoso, sentado, apoie totalmente os pés no chão, e possa ter auxílio para se vestir e calçar.

Mantenha uma luz indireta acessa durante a noite, com interruptores próximos da cama.



Banheiro

Coloque faixas antiderrapantes e corrimão no box do banheiro, além do uso de tapetes com ventosas (fixando o mesmo no chão). Se necessário utilize uma cadeira dentro do box para auxiliar o banho do idoso.



Coloque barras de apoio no vaso sanitário que deve der a altura ideal para que o idoso mantenha um ângulo de 90 graus ao dobrar os joelhos e apoie totalmente os pés no chão.



Programa Mais Vida

O Programa Mais Vida é um projeto prioritário do Governo de Minas que tem como finalidade melhorar a qualidade de vida da pessoa idosa. Para tanto, estão sendo construídos, em todas as macrorregiões do Estado, os Centros Mais Vida (CMV). Estes centros são responsáveis por atender à população idosa frágil, encaminhada pelos profissionais da rede, a fim de que os pacientes tenham longevidade, com independência e autonomia.



A orientação sobre prevenção de quedas é uma das atividades prestadas pelo CMV, que tem na manutenção da saúde do idoso o seu principal objetivo. “A queda é o resultado de uma série de fatores, como fraqueza nas pernas e falta de equilíbrio. No CMV, os idosos são orientados por fisioterapeutas a fazerem exercícios que fortalecem a musculatura e, consequentemente, diminuem as chances da queda”, ensina a referência técnica da SES-MG, Aletea Ferreira.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.