terça-feira, 11 de Outubro de 2011 13:03h Atualizado em 12 de Outubro de 2011 às 09:32h. Flaviane Oliveira/ André Bernardes

Secretária de Saúde rebate denúncias feitas pelo Hospital São João de Deus

Durante reunião da Câmara de Municipal Vereadores, na última quinta-feira (29) o diretor do hospital São João de Deus (HSJD), Frei Ronan, usou a Tribuna Livre para denunciar que a secretaria municipal de Saúde (Semusa) não estaria repassando o dinheiro do convênio do hospital com o SUS. O impasse entre o hospital e o município é antigo.
Porém, recentemente, Frei Ronan disse que os pediatras do hospital iriam paralisar as atividades, pois a prefeitura não queria bancar o aumento de salário. Na ocasião, foi preciso que o Ministério Público interviesse nas negociações para que os atendimentos a população divinopolitana não ficasse prejudicada. Sobre este contexto, a secretária de saúde Cherrie Mourão disse que o repasse estava sendo feito, mas a administração do dinheiro era por conta do hospital.
Já em relação as denúncias feitas na Câmara, Cherrie afirma que o município realiza os repasses para o hospital baseado em relatórios de atendimentos e procedimentos, que é encaminhado pelo próprio HSJD. “Quanto à declaração do Ronan, é importante que isso seja colocado de uma maneira mais completa e mais clara. Então quando ele coloca que o município não está fazendo repasse para o hospital, é obvio que isso aí não é verdade. Nós fazemos os repasses sim, o recurso vem do Ministério da Saúde e com base na fatura que o hospital São João de Deus manda, nós conferimos com base no número de internações, de procedimentos todos que são feitos lá, a gente confere e procedemos ao pagamento. O que ocorreu no mês passado referente a fatura de agosto e agora referente a fatura do mês de setembro é que o São João de Deus apresentou uma fatura mais alta do que o valor que a gente recebe do Ministério da Saúde”explicou. Cherrie disse que a prefeitura recebe um  teto, um valor que  é calculado pelo ministério com base na população e também no número de procedimentos que estão programados aqui  Divinópolis.


A secretária conta que o hospital apresenta a Autorização para Internação Hospitalar, AIH, que representa uma moeda indicando cada internação. Devido a ampliação de leitos, os números de AIH acumularam , extrapolando o valor que o município recebe. “ O que ocorreu é que o São João de Deus fez uma quantidade maior de internações, depois que teve a ampliação dos 60 novos leitos e esse valor extrapolou nosso teto. O São João de Deus acumulou AIHs, que já vinham aumentando aos poucos. Agora que foram implantados novos leitos, houve um acúmulo de AIHs que foram colocadas todas na fatura de agosto e de setembro” esclareceu.


Junto com o aumento dos leitos, as internações de moradores da região também aumentaram. Cherrie conta que a solução foi pagar o hospital com recursos que estavam dentro do repasse e estão aguardando um novo repasse do ministério para pagar o restante no próximo mês. “ Para você ter uma ideia de grandeza, por exemplo, agora nesse mês de setembro o São João de Deus apresentou uma fatura de R$4,1 milhões colocando em números redondos, sendo que a fatura costuma ser na casa de R$3,2 milhões. Então esse aumento súbito não coube no nosso teto. Nesse mês agora, em vez de pagar os R$ 4 milhões do hospital, ficaram faltando R$ 1.125.000,00 que estarão sendo pagos. A fatura completa que deveria ter sido paga no dia 28, 29 do mês anterior, nós estamos complementando o que faltou porque o recurso está chegando agora na nossa conta. Então isso aí não significa que nós não estamos pagando, significa que o que está dentro do nosso teto nós estamos pagando em dia e que o que está além do nosso teto nós estamos pagando com o atraso de uma semana, por isso que nós temos que ir até o Ministério da Saúde para ver como nós vamos fazer agora com esse “extrapolamento” que houve no teto” disse.

 

 

Brasília

 

Cherrie Mourão está agendando uma visita ao ministério em Brasília para discutir assuntos do município e “equacionar muita coisa que depende do ministério” disse.


A secretária levará as planilhas do hospital para ver se consegue um aumento no repasse. “Então nós estamos levando para eles as planilhas e outra coisa que vamos reivindicar é de que existem algumas ordens judiciais que colocam o município como polo passivo e a União também, o governo federal. Só que eles não acham ninguém da União para poder cobrar, cobram é do município e o município tem que cumprir. Então o município tem arcado com essas situações onde mesmo a União sendo parte,somente o município tem que dar essa resposta. Então nós vamos reivindicar ao Ministério da Saúde que aquilo que o município já gastou para cumprir essas ordens judiciais onde ele também foi polo passivo, que ele faça o ressarcimento ao município. Então nós temos lá essa relação toda de documentos especialmente em relação a valores de medicamentos” contou.
Ela diz que o município é obrigado a comprar medicamentos de uso contínuo em processo licitatório “Então o processo de compra do medicamento é com base na decisão judicial e as vezes o paciente não busca, ou então começa a buscar e depois pára e aí vão ficando os acúmulos que já  somam mais de R$100mil” contou.

 

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