quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012 11:23h Atualizado em 2 de Fevereiro de 2012 às 11:27h. Sarah Rodrigues

Segurança alimentar é discutida em Divinópolis

O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA) Dom Mauro Morelli visitou o município para discutir a unificação da região na questão da segurança alimentar. Durante a reunião foi discutido a criação do 1º Consórcio de Políticas Publicas

Divinópolis recebeu na manhã de ontem a visita do presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA) Dom Mauro Morelli. Recebido pelo prefeito de Cláudio Adalberto Fonseca, na AMM (Associação dos Municípios Mineiros) Morelli veio com o intuito de fortalecer a segurança alimentar.
Após o encontro o presidente almoçou no Restaurante Popular e foi para uma reunião na
Comissão Regional de Segurança Alimentar e Nutricional Centro Oeste (CRSANS) para discutir a descentralização do CONSEA e uma maior autonomia e dialógo entre os municípios do CRSANS. Durante a reunião foi discutido a criação do 1º Consórcio de Políticas Publicas da Regional.
De acordo com o presidente do CONSEA a escolha de Divinópolis para o início de descentralização é devido a presença da associação de municípios, de produtores rurais e universidades, para trabalharem em equipe.“O nosso Conselho de Segurança Alimentar tem uma peculiaridade, ele é descentralizado, são 25 regiões isso foi implantado há dez anos. Este ano eu decidi, entrar em um processo de aprofundar essa descentralização. E decidimos começar pela região devido suas características”.
Para o presidente do Conselho, com a descentralização para municípios a Comissão Regional pode ser de fato uma expressão do Conselho Estadual, que é formado por regiões. “Nós podemos fazer um bom diagnóstico da situação alimentar do povo, como ela está, onde se pode produzir. Um pouco do sentido é esse. Na semana que vem já caminharei na direção de Juiz de Fora, Ouro Branco, Barbacena, Santos Dumont. Duas coisas entre outras são importantes neste ano, aprofundar e ampliar o diálogo com os municípios através das associações, outra é trabalhar melhor a Comissão Regional”.
Segundo Morelli, o Brasil vive uma disparidade de 500 anos de desencontros e injustiças. Para ele, em 8 anos não se resolve o problema de 5 séculos. “Temos que fazer avanços.Tive uma passagem rápida em Divinópolis, e nós começaremos a discutir, como iremos trabalhar esse diálogo e como aprofundar e faremos uma reunião de planejamento, são momentos especiais de definir caminhos. Nós estamos vivendo uma realidade, por uma lado já se fez muita coisa, só que o tamanho do buraco é muito grande”, frisa.
Morelli afirma que o problema de alimentação no mundo permanece sério e não está resolvido. Segundo ele, mesmo no Brasil com tantos programas sociais, há desigualdades.“No mínimo há 14 milhões de pessoas no Brasil, que estão em situação de grande pobreza, que obviamente não se alimentam como deve ser. A ONU definiu que 2015 seria o limite para reduzir pela metade o número de famintos no mundo. Na época em 1996 eram 800 milhões, éramos para reduzir para 400 milhões e hoje passamos de 1 bilhão de pessoas em extrema pobreza”.
A obesidade também é um problema apresentado por Dom Mauro, para ele as pessoas também têm muitas dúvidas em relação à qualidade dos alimentos. “os alimentos no Brasil hoje, ninguém sabe mais, o que come, e se o que está comendo é tomate, ou veneno. Nós vivemos uma situação de grande insegurança alimentar nutricional, ou porque não tem, ou porque se alimenta mal, ou porque o próprio alimento não pode ser consumido”, acrescenta.

AVANÇOS
De acordo com o presidente do CONSEA houve muitos avanços na organização, em trabalhos como colocar na Constituição a alimentação como direito básico. “Minas Gerais foi o primeiro estado, a ter uma lei, um principio constitucional. Se ele não for traduzido em lei ordinária e não for regulamentada, ele não passa de uma boa intenção.
Para Morelli o país se desenvolveu muito na estruturação e na parte jurídica, e que para se conseguir combater a fome o caminho ainda é muito longo. “Nós temos 12 anos de trabalho em Minas nessa dimensão, nós não conseguimos atingir até hoje nem metade dos municípios que compareçam a uma conferencia estadual. Isso significa, que o processo é lento”, finaliza Dom Mauro.
 

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