terça-feira, 29 de Abril de 2014 07:06h

Seminários do Observatório de Custos debatem financiamento e avanços tecnológicos

Evento se estende até o dia 30 e abril com a participação de especialistas do Brasil e de vários outros países.

Estudantes, docentes, gestores e pesquisadores da área da saúde de todo o Brasil e de vários países estiveram presentes na abertura do III Seminário Nacional Observatório de Custos em Saúde e do I Seminário Internacional Observatório de Custos em Saúde, realizada nessa terça-feira (28/04) no auditório do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Os dois eventos, que se estendem até o dia 30, fazem parte de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), o Ministério da Saúde, a Universidade Federal de Minas Gerais e a Observatório de Custos em Saúde.

O Seminário Nacional tem como objetivo abordar a gestão estratégica e a inovação em saúde, enquanto o evento internacional terá como foco a gestão, o financiamento e evidências científicas. Durante os três dias de trabalhos, serão realizados oito painéis que abrangem temas como avanços tecnológicos e aplicação no SUS; a judicialização do sistema de saúde; o financiamento das redes de atenção; a interiorização do sistema de saúde no Brasil; a atenção à saúde do idoso e do trabalhador; e a cadeia produtiva de medicamentos.

O Secretário de Estado de Saúde, José Geraldo de Oliveira Prado, disse na abertura, esperar que o seminário seja um momento para aprimorar a forma de utilizar o pouco recurso que a saúde tem disponível para as demandas que a sociedade apresenta. “Os esforços estão sendo construídos através dos trabalhos coordenados pelo Observatório de Custos, que são fundamentais para melhorar o trabalho de gestão do SUS, dentro do modelo tripartite brasileiro, que é um exemplo para o mundo, incluindo os esforços da União, do Estado de Minas Gerais e das centenas de municípios que fazem parte do desafio de levar a saúde pública de qualidade para os mineiros”, defende.

O secretário acrescentou que o trabalho do Observatório de Custos em Saúde, que atua desde 2009, representa um grande esforço em aproximar os resultados obtidos nos estudos com o trabalho de gestão, alinhando o processo de pesquisa, de acordo com as necessidades que as secretarias têm de aprimorar o seu trabalho. “Espero que este esforço venha a contribuir na multiplicação de resultados ao longo dos próximos anos” diz.

A mesma convicção está presente nas expectativas de Priscila Santos Pugliesi, chefe da Unidade de Contabilidade de Custos do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes, que veio de Vitória para participar dos seminários. “Decidi participar pela riqueza dos temas, artigos e publicações que serão apresentados, especialmente nos aspectos relacionados à governança em saúde. Quero conhecer ainda mais sobre a legislação do SUS, saber sobre as novidades em gestão de custos e também sobre as metodologias de custos para cálculos de serviços hospitalares e principalmente trocas de experiências com outros profissionais” diz.

Já a professora Marie-Claude Premont, da École Nationale d’ Administration Publique do Canadá, ressalta que vários países possuem sistemas de saúde similares ao brasileiro. Entretanto, existem muitas diferenças que tornam o SUS um sistema de direitos mais amplos e é nesse aspecto que o seminário será um momento de grandes aprendizados.

 

Desafios

A solenidade contou ainda com a presença do Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães Júnior, que defende a realização de um balanço depois dos 25 anos do SUS, que consiste em uma plataforma que dá legitimidade a este processo e revela grandes desafios na esfera do financiamento, da gestão, da força de trabalho, e também no modelo e na maneira de organizar a assistência e a gestão. “A Constituição deixou um misto de utilização de serviços públicos e privado bastante complexo, com muitos vasos comunicantes que podem ser complicados, mas que exigem que o Estado brasileiro seja um bom regulador. Temos avançado, especialmente na atenção básica, mas temos um grande espaço para melhorar, utilizando os trabalhos de pesquisa e aplicando os resultados no mundo real, gerindo o SUS com coerência’ aconselha.

O Coordenador da Unidade Técnica de Sistema de Serviço de Saúde da Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS/OMS no Brasil, Gerardo Alfaro, acrescenta que a maior parte dos países vem concentrando esforços para aumentar a produção de serviços e a melhoria da qualidade. “A saúde não tem preço, mas os serviços tem custo. E isso é de especial relevância nos nossos tempos, pois a necessidade de atenção é crescente, especialmente no caso de doenças crônicas e procedimentos de alto custo, o que pede a incorporação de novas tecnologias, com consequentes incrementos na atenção de produção de serviços de saúde”, adverte Alfaro.

 

Livro

A abertura dos seminários também foi marcada pela apresentação do livro “Observatório de Custos em Saúde: Estrutura de Custos na Cadeia Produtiva, Biotecnologia e Inovação na Perspectiva do Sistema de Saúde”. A publicação foi organizada com a participação de profissionais especialistas e pesquisadores, que estiveram presentes II Seminário Nacional Observatório de Custos em Saúde, realizado em 2012.

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