terça-feira, 5 de Abril de 2016 10:54h

SENAR capacita técnicos para ABC Cerrado

Depois de uma série de seminários regionais nos últimos seis meses, o Programa ABC Cerrado está na segunda etapa

Começou, na sede do Sistema FAEMG, em BH, a capacitação de técnicos que atuarão na assistência aos produtores do projeto. Em Minas Gerais, haverá 400 vagas para produtores do Bioma Cerrado.

Para receber a assistência técnica gratuita por um ano e meio, o produtor terá que passar por uma capacitação com 56 horas, contemplando as quatro tecnologias do programa: Sistema de Plantio Direto, Recuperação de Pastagens Degradadas, Integração Lavoura Pecuária Floresta e Florestas Plantadas.

“Com acompanhamento, os produtores receberão ajuda para implementar tecnologias e também informações para a gestão da propriedade”, informa o superintendente do INAES, Pierre Vilela.
 

 

 


Projeto ABC Cerrado

O Projeto ABC Cerrado tem três etapas: seminários de sensibilização, capacitação de produtores e técnicos nas tecnologias ABC e assistência técnica aos produtores. O SENAR é responsável pela formação profissional dos produtores, pela capacitação de instrutores e pelo treinamento dos técnicos que atuarão na assessoria em campo para os produtores, com foco nas quatro tecnologias ABC: recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, sistema de plantio direto e florestas plantadas.

O projeto está sendo desenvolvido em oito estados do bioma Cerrado: Minas Gerais, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão e Piauí. A meta, para os quatro anos do projeto, é capacitar 12 mil produtores rurais e assistir 1.600 propriedades em Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

 

 

 

 


Entrevista
Fernando Costa, coordenador do grupo gestor do Plano ABC em Minas

Mudanças climáticas, esperadas pela (OMM) Organização Meteorológica Mundial – ligada à ONU - para a próxima década, chegaram antes do que se previa. O ano de 2015 entrou para a história com recordes de temperatura, ondas de calor intenso, chuvas irregulares, secas e ciclones tropicais.  Em Minas Gerais, há quatro anos, longos períodos sem chuva causaram perda de produção agrícola e de biodiversidade.

Para que os produtores se preparem para lidar com esta realidade e ajudar na redução dos gases causadores do efeito estufa - conforme compromisso assumido pelo Brasil frente à ONU - foi criado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, que oferece aos produtores rurais técnicas de produção sustentável.

O coordenador do Grupo Gestor do Plano em Minas, Fernando Costa, diz que temos avançado: “Somos o Estado com o maior número de adesões ao Programa ABC de crédito rural, cerca de 6.894. Nos destacamos também na realização de estudos que norteiam o plano, como a pesquisa “ Estado da Arte das Pastagens em Minas Gerais”, feito pelo INAES (Instituto Antônio Ernesto de Salvo). Nesta entrevista,  ele explica a proposta que pode fazer diferença na vida do produtor rural.

O que é o Plano ABC?

Foi criado para possibilitar a incorporação de tecnologias de produção sustentável. A base é o desenvolvimento econômico da atividade rural, tornando-a menos vulnerável ao clima. É composto por sete programas: Recuperação de Pastagens Degradadas; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema Plantio Direto (SPD); Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN); Florestas Plantadas; Tratamento de Dejetos Animais e Adaptação às Mudanças Climáticas. A abrangência do plano é nacional e vai até 2020.

Como é feita a divulgação?

Por meio de seminários, palestras, cursos de capacitações, assistência técnica e eventos de extensão rural como “Dias de Campo”. É um trabalho de ‘formiguinha’.

Qual é, em média, o valor do investimento em cada propriedade?

De R$ 200 a R$ 300 mil reais. Para quem precisa de crédito, há o Programa ABC, linha de financiamento oferecida pelo Banco do Brasil e pelo Sicoob Crediminas, com juros de 7,5% ao ano para os médios produtores. Em Minas, já foram disponibilizados R$ 1,6 bilhão.

É possível mensurar os ganhos de produtividade nas propriedades?
Minas tem foco maior na recuperação de pastagens, já que 75% delas apresentam algum grau de degradação, conforme estudo do INAES.  Em pastagens saudáveis, é possível por um número maior de animais por hectare para diminuir o tempo de engorda. No caso do tratamento de dejetos da suinocultura, o produtor pode fazer um biogestor, produzir energia e vendê-la para a Cemig ou usá-la na propriedade. Todas as tecnologias propostas pelo plano visam ganho de renda.

Como vê a atividade agropecuária em Minas?

Nas últimas quatro safras, os produtores tiveram dificuldades para irrigar plantações e dar água aos animais. Os rios estão secando e é preciso estabelecer uma governança do uso da água para que um produtor não se sinta prejudicado por outro. É necessário produzir com menor quantidade de água. As tecnologias do ABC facilitam a infiltração da água e possibilitam  melhor aproveitamento das áreas produtivas.

Quais as regiões que mais aderiram ao Plano e ao Programa ABC?
Triângulo, Alto Paranaíba, Norte e Noroeste.

Os recursos são suficientes?

Minas conta com recursos financeiros internacionais por meio de dois projetos. O ABC do Cerrado, que tem gestão do SENAR e utiliza recursos do Fundo Internacional do Clima, visa aumentar a produção sustentável em áreas já convertidas para a agropecuária. Assim, é possível reduzir a pressão sobre as florestas nativas do bioma cerrado.  O segundo projeto, o Rural Sustentável, financiado com recursos do governo inglês, propõe melhorar as práticas de uso da terra e manejo florestal em 10 municípios do bioma Mata Atlântica do Norte de Minas Gerais.

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