quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014 10:42h

Servidores denunciam caos nos hospitais da Rede Fhemig

Trabalhadores em greve na Capital e em Barbacena reclamam de estrutura precária e desvalorização da categoria

Problemas estruturais, como falta de equipamentos e medicamentos, e a baixa remuneração dos servidores da Fundação Hospitalar do Estado (Fhemig) foram denunciados em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta quarta-feira (3/12/14).

A reunião, solicitada pelo deputado Rogério Correia (PT), teve o objetivo de debater a saúde e violações de direitos humanos dos servidores da categoria, e contou com a presença de trabalhadores em greve em Belo Horizonte e Barbacena (Região Central do Estado).

A representante da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Mônica Fernandes Abreu, disse que toda a Fhemig está abandonada pelo Governo do Estado. Segundo ela, cirurgias estão sendo canceladas, leitos e berços estão inutilizados, há carência de profissionais capacitados e a estrutura geral dos hospitais está precária. “Não podemos esperar o próximo governo. A tristeza e o desespero são rotina nos estabelecimentos da Fhemig”, alertou.

O coordenador-geral da Asthemg, Carlos Augusto Martins, reforçou as palavras da colega e salientou que as maiores vítimas da precariedade do sistema estadual de saúde são os pacientes. Ele relatou casos de mortes e agravamento de doenças nos hospitais por falta de estrutura e erros médicos.

“Sugiro que os deputados visitem os hospitais para conhecer pessoalmente esse problema e posteriormente exigir uma explicação aos diretores”, disse. O sindicalista pediu também uma audiência com a comissão de transição de governo para elaborar alguma ação emergencial para o sistema Fhemig e para melhorar a remuneração dos servidores.

Servidores de Barbacena estão em greve desde outubro

A técnica de enfermagem do Hospital Regional de Barbacena, Joselma de Araújo Fonseca, destacou que os servidores da unidade estão em greve desde o dia 24 de outubro. Segundo ela, o estabelecimento atende centenas de municípios na região, não conta com estrutura suficiente e sofre com relações de trabalho irregulares.

Ela explicou que o hospital está sucateado, não conta com aparelhamento mínimo para atender os pacientes e não possui profissionais especializados, como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. “Nossa reivindicação não é apenas por melhores salários. Queremos ser reconhecidos como categoria e ter condições adequadas de trabalho, mas, infelizmente, não somos ouvidos pela direção do hospital e pelo Governo do Estado”, afirmou.

Cepai – A enfermeira do Centro Psíquico da Adolescência e da Infância (Cepai), Ana Célia Carneiro, disse que o estabelecimento não oferece equipamentos básicos para o atendimento dos pacientes psiquiátricos. Ela também denunciou a falta de medicamentos, infraestrutura precária e carência de profissionais especializados.

Segundo a profissional de saúde, os servidores têm buscado diálogo com a direção do Cepai, mas não têm tido retorno sobre a solução dos problemas. “Há uma redução progressiva de serviços e profissionais. Para os pacientes, tem sido uma odisseia conseguir atendimento”, lamentou.

A enfermeira também solicitou a reimplantação do pronto-atendimento a pacientes autistas e do serviço de hospital-dia, o auxílio de vale-transporte para pacientes carentes e a oferta de cursos de capacitação para os servidores.

Deputado lamenta sobrecarga de trabalho e baixos salários

Ao final da reunião, o deputado Rogério Correia lamentou a violação dos direitos humanos dos servidores da saúde. Para ele, além de todos os problemas relatados, os servidores estaduais vivem estressados pela sobrecarga de trabalho e pelos baixos salários. “Os servidores lotados na Cidade Administrativa são um exemplo disso. O local é distante, não oferece alimentação adequada e tem gerado casos crescentes de depressão e afastamentos por doenças", acusou.

O parlamentar sugeriu providências a serem tomadas pela comissão, como o envio das notas taquigráficas da reunião à Secretaria de Estado de Saúde; uma solicitação de audiência no Ministério Público, para que os servidores possam relatar a realidade da categoria; o pedido de providências ao líder de governo na ALMG, deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB); e uma visita da comissão ao Hospital Regional de Barbacena para verificar as denúncias apresentadas.

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