quarta-feira, 24 de Setembro de 2014 12:05h

Sindicalistas denunciam restrições à liberdade de expressão

Segundo entidades, trabalhadores da educação estão sendo impedidos de mostrar seu contraponto ao governo estadual.

Representantes de movimentos sociais e sindicalistas participaram, nesta quarta-feira (24/9/14), de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), para reclamar do cerceamento à liberdade de expressão e manifestação no setor da educação. Os parlamentares e sindicalistas presentes na reunião afirmaram que o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute) está sendo impedido de fazer um contraponto aos dados apresentados pelo governo estadual.

O autor do requerimento para reunião, deputado Rogério Correia (PT), justificou a realização da audiência ao esclarecer que o Sind-Ute está proibido de apresentar sua visão sobre a situação da educação em Minas Gerais. Dessa forma, segundo Correia, seus dirigentes estão recebendo petições da Justiça, contendo representações do PSDB e do governo do Estado, contra o direito de expressão do sindicato. Até o momento, já são 16 representações. De acordo com o parlamentar, a entidade está impedida inclusive de pagar peça publicitária sobre a educação em Minas.

Na opinião do presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB-MG), Marcelino da Rocha, os trabalhadores não podem ser criminalizados. Segundo ele, atualmente, qualquer entidade sindical ou sindicalista é rotulado de bandido, baderneiro, arruaceiro. “É necessário que os trabalhadores e suas organizações se atentem com o que acontece hoje com os educadores de Minas e que tem acontecido com todos os trabalhadores do Estado”, ponderou Marcelino ao lembrar que eles lutam por melhores salários e condições de emprego.

O integrante da direção nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, Joceli Andrioli, também lembrou que os educadores estaduais são penalizados sem piso salarial e condições de trabalho e que o sindicato, que faz seu papel por melhorias e investimentos, é amordaçado.

A defesa dos professores também foi feita pelo coordenador-geral e secretário-geral do SindiEletro, Jairo Nogueira Filho. Ele alertou, ainda, que o que está acontecendo no Sind-Ute não é “privilégio” da educação e vem acontecendo em todos os setores do Estado.

O integrante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, Jobert Fernando de Paula, criticou o Estado, que deveria garantir o direito à manifestação, mas que reprime, impedindo a defesa dos trabalhadores.

Já a diretora estadual do Sind-Ute, Maria Mirtes de Paula, apresentou um quadro sobre as precariedade e problemas das condições de trabalho da categoria e ponderou que para o governo do Estado, quem fala a verdade dever ser castigado. "O Sind-Ute não se curvou e não se curvará", afirmou.

Para o integrante da direção estadual do MST, Silvio Netto, as ações do Governo do Estado são parte de um processo de esvaziamento dos canais de diálogo e de sucateamento dos avanços que foram conquistados ao longo da história do movimento sindical.

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