sábado, 14 de Março de 2015 06:55h

Sistema partidário é desafio para mulheres na política

Participantes de ciclo de debates defendem o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais

Os desafios para a maior participação feminina na política foram o centro das discussões do painel “Reforma política e a representação das mulheres no Brasil: Desafios atuais e propostas elaboradas”, que integrou a programação do Ciclo de Debates Reforma Política, Igualdade de Gênero e Participação: O que querem as mulheres de Minas, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta sexta-feira (13/3/15).

A deputada Rosângela Reis (Pros) destacou a luta da bancada de mulheres da ALMG pela igualdade de gênero e a recente criação da Comissão Extraordinária de Mulheres. “Participando e indo para as ruas é que vamos avançando”, defendeu.

A vereadora de Belo Horizonte Elaine Matozinhos defendeu mudanças na organização interna dos partidos políticos, de modo a assegurar mais apoio para as candidaturas femininas e voz ativa para as mulheres na política. Ela também levantou a questão da sobrecarga de atividades na rotina das mulheres, que também contribui para a baixa participação delas na política. “Precisamos conscientizar os homens sobre a divisão de tarefas no âmbito familiar”, afirmou.

Financiamento público de campanha é apontado como solução

Para a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores na Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, o financiamento privado de campanha é responsável pela corrupção do País. Ela acredita que, a não ser que haja uma Constituinte exclusiva, a reforma política não sairá do papel. “O sistema e os partidos políticos nos excluem e fazem o possível para que continuemos excluídas. Quantas de nós conseguiríamos disputar uma eleição no atual sistema político?”, questionou.

A sindicalista também destacou que uma mulher ocupando um espaço de poder sempre tem de lidar com uma carga maior de ódio e machismo. “Quando um deputado federal diz que a colega deputada nem merece ser estuprada por ser muito feia e tudo fica como está, o empresário no condomínio de luxo acha que pode esfaquear a mulher na frente do filho. A violência contra a mulher está vindo dos espaços públicos”, afirmou.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem-UFMG), Marlise Matos, disse que muitas informações sobre a política são inacessíveis não só para as mulheres, mas para a população em geral. “Não é à toa. É para que as pessoas se afastem e os atuais poderosos se reelejam indefinidamente. Quem aqui sabe calcular o coeficiente eleitoral?”, provocou. Ela também se manifestou contra o que chamou de “câncer que mina o potencial transformador da política”: o financiamento empresarial de campanha.

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