segunda-feira, 22 de Outubro de 2012 16:26h Gazeta do Oeste

Soja de Minas: selo abriga variedades específicas para a alimentação humana

A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) estuda alternativas que possibilitem a inclusão de cultivares especiais de soja na alimentação escolar. Registradas com o selo “Soja de Minas”, as cultivares BRSMG 790A (Fit soy) e BRSMG 800A (Nutri Soy) foram desenvolvidas pelos pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e Embrapa, em parceria com a Fundação Triângulo.
Segundo a pesquisadora Ana Cristina Juhász, as cultivares são frutos de melhoramento genético (não são transgênicas), têm sabor suave e agradável e são apropriadas para alimentação humana. “Foram consideradas características com a finalidade de obter um produto com melhor aceitação pelo consumidor”, explica.
As cultivares foram lançadas há cinco anos, mas ainda não estão no mercado. Para o presidente do Comitê Gestor Soja de Minas, Jônadan Ma, a ampliação do consumo de soja, no mercado nacional, esbarra no conceito que as pessoas têm de que seu sabor é ruim, trazendo como consequência uma baixa procura voluntária para o consumo do produto. A maior parte da soja produzida no país é comercializada como commodity para a produção de óleo.
“Nosso objetivo, ao buscar parceria com as escolas públicas, é apresentar aos alunos esta soja diferenciada, com alto valor nutricional agregado, melhorando o cardápio, reduzindo os custos da alimentação escolar, além de formar novos hábitos e quebrar preconceitos em relação à soja”, explica.
A aquisição de produtos para a alimentação escolar é regulamentada pela lei federal Nº 11.947, de 2009, que estabelece que 30% dos recursos repassados pelo governo federal para a alimentação escolar devem ser utilizados para aquisição de gêneros alimentícios produzidos no âmbito da agricultura familiar.
Para atender a este pré-requisito, a Seapa, em parceria com a Emater-MG, vai identificar e selecionar alguns municípios para a introdução do cultivo das novas cultivares de soja junto aos produtores familiares, visando contemplar este novo mercado que, somente na rede estadual, abrange 3.900 escolas públicas e cerca de 2,5 milhões de estudantes.                                                                                                                                                                                                                                          
Outra ideia que será estudada é a implantação, nas escolas, de ‘vacas mecânicas’ -equipamento que permite a extração do leite de soja, a partir do esmagamento do grão, de modo prático e a baixo custo. A Seapa, em parceria com a Epamig, vai organizar uma sessão de degustação com pratos preparados com as variedades de soja para técnicos, especialistas, educadores e nutricionistas, para mostrar as várias possibilidades de preparo. “A Fit Soy, variedade de casca amarela, é indicada para uso na forma de saladas ou processada (farinha, extrato, tofu, sucos, maioneses, patês). A Nutri soy tem cor marrom e pode ser misturada ao feijão carioquinha em partes iguais ou preparada sozinha, como tropeiro”, enumera a pesquisadora da Epamig, Ana Cristina Juhász. 

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