sexta-feira, 11 de Março de 2016 11:13h Agência Minas

SOS Drogas realizou 21.820 atendimentos em 2015

O programa que orienta, gratuitamente, usuários de álcool e outras drogas, registrou atendimentos via ligações, acolhimentos e capacitação

O Centro de Acolhimento SOS Drogas, do Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas (Cread), realizou 21.820 atendimentos no ano passado. O SOS Drogas tem a finalidade orientar, gratuitamente, mediante solicitação, usuários de álcool e drogas do Estado. O serviço integra o Observatório Mineiro de Informações sobre Drogas (Omid), órgão ligado à Subsecretaria de Políticas Sobre Drogas (Supod), e diretamente vinculado à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

Qualquer cidadão que necessite de atendimento nos 853 municípios do estado pode entrar em contato através da Linha de Informações do Governo (LigMinas), por meio do número telefônico 155 (ligação gratuita), na opção 1. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h.

 

 

Outro meio de informação das entidades conveniadas é através do site do OMID, onde consta a lista das instituições, sendo possível entrar em contato diretamente com a instituição e buscar o tratamento financiado pelo Estado.

De acordo com o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Rafael Miranda, o SOS Drogas é uma ponte entre o Governo de Minas, usuários, familiares, entidades e demais cidadãos interessados na temática.

 

 

“Trata-se de uma ferramenta eficaz que tem possibilitado êxito no acolhimento e recuperação dos acometidos pelo uso e abuso de álcool e outras drogas. A nossa expectativa é ampliar o serviço e oferecer a cada município do Estado a mesma estrutura da capital mineira”, diz.
Atualmente são disponibilizadas 16.080 vagas de internação por ano (1.340 vagas por mês), em três tipos de modalidades: ambulatorial, permanência dia e abrigamento temporário. O serviço é prestado por meio de convênio com 28 instituições distribuídas em todo o Estado.

 

Atendimento



Nos primeiros momentos do contato o demandante recebe informações básicas e, caso necessário, a ligação é transferida para um especialista. Para participar o interessado deve preencher uma ficha inicial. Em seguida, ele é encaminhado aos cuidados de um membro da equipe do SOS Drogas.

Os profissionais que realizam os atendimentos são psicólogos especialistas em dependência química e estagiários de psicologia treinados e supervisionados. Além disso, são membros da equipe de acolhimento uma assistente social e uma enfermeira.

De acordo com a psicóloga, especialista em dependência química do SOS Drogas, Maria Amélia Serafim Souza, o trabalho de atendimento ao usuário de drogas e seus familiares consiste em etapas de avaliação clínica e emocional e nível de envolvimento com a droga, em um trabalho de escuta, orientação e encaminhamento.

“Após a avaliação inicial, fazemos a orientação psicológica, psiquiátrica e o tipo de tratamento mais indicado para quem procura o SOS Drogas. Os tratamentos são separados em ambulatorial, em que é feito o acompanhamento uma vez por semana; a permanência dia nas instituições, com terapia de grupo e oficinas terapêuticas ministradas; e o abrigamento temporário, feito em comunidades terapêuticas na zona rural do estado”, informa.

Ainda segundo a psicóloga, hoje há recursos e técnicas suficientes para a melhora do usuário e o apoio aos familiares. Todos os passos são feitos com base em estudos preliminares sobre o usuário e a situação atual, desenvolvido por especialistas. “Me sinto gratificada com o trabalho do SOS Drogas. É super interessante realizar este trabalho porque vemos resultados efetivos para a melhora do usuário de drogas”, comemora.

 

 

Interior

Os usuários do interior podem buscar atendimento no SOS Drogas por demanda espontânea, que consiste na busca direta na instituição conveniada com o Estado. A lista de Instituições conveniadas encontra-se no site do Observatório Mineiro de Informações sobre Drogas (OMID).

 

 

Facebook

O Observatório Mineiro de Informações sobre Drogas (Omid) abriu um novo canal de comunicação com os mineiros. A página facebook.com/sobredrogasmg foi elaborada para ampliar a divulgação dos assuntos relativos ao uso de drogas.

Análise de pesquisas, campanhas de prevenção, tratamentos oferecidos pelo governo do estado e discussões com a comunidade agora estão a um clique. A linguagem e o design do Facebook foram pensados especialmente para adolescentes e jovens, público alvo da Supod. A página é dinâmica e interativa. Nela, o internauta pode ainda tirar dúvidas, enviar sugestões de projetos para sua comunidade e trocar informações diretamente com o Omid.

Para o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Rafael Miranda, a informação é um meio importante para evitar e tratar o uso de drogas. Rafael Miranda destaca o papel da família na prevenção às drogas e alerta aos pais alguns indícios do consumo de drogas. “Nosso objetivo é reforçar as informações sobre os malefícios e perigos dos entorpecentes para a vida do indivíduo e para a sociedade usando o Facebook. Queremos ainda fomentar o debate com a comunidade e aceitar ideias inovadoras daqueles que conhecem a temática”, diz.

 

 

Reabilitação

André Oliveira, dependente de álcool e drogas, é um exemplo dos casos de reabilitação bem sucedida que passaram pelo SOS Drogas. Após outras quatro internações que não deram certo ele conquistou seu reestabelecimento integral e hoje está livre das drogas.

André começou a usar maconha aos 14 anos e mais tarde conheceu o crack – droga à qual atribui a perda do controle de sua vida. Nessa fase, ele ainda trabalhava e todo o seu salário era destinado à compra das substâncias entorpecentes. Já desempregado, André passou para outras alternativas, como vender os móveis da casa e recorrer ao dinheiro do pai.

 

 

Após três anos de uso contínuo de entorpecentes, a família de André descobriu o uso de drogas e tentou ajudar em sua recuperação. Na primeira internação, além de não resistir à abstinência – período de privação de drogas e álcool – ele retornou às drogas e foi morar nas ruas. Nas outras vezes, mesmo com a tentativa da família ele não superou o vício. Em 2008, André chegou a roubar a casa do pai durante uma recaída.

Abalado emocionalmente com o sofrimento nítido dos pais e a vergonha diante dos vizinhos veio a tomada de decisão para o jovem iniciar sua reabilitação. André procurou por conta própria o SOS Drogas e desde que obteve o suporte profissional do Centro tem se mantido livre do vício. Hoje, ele comemora sete anos de reabilitação e voltou a trabalhar e a morar com os pais.

 

 

“Hoje, levo uma vida que jamais imaginei. Nunca pensei que existisse vida no pós-droga, mas existe. Sou grato ao SOS Drogas por ter me recebido de portas abertas, por nunca terem me negado ajuda e por terem colaborado decisivamente para a retomada de uma vida com boas perspectivas, mas sobretudo preservando a saúde, a vida e o futuro,” conta.

 

 

 

Cread

O Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas (Cread-MG), localizado na Rua Rio de Janeiro 471 - 3º andar - região central de Belo Horizonte é um polo de implementação da Política Estadual sobre Drogas.

A entidade tem por objetivo personalizar o atendimento ao usuário de substâncias psicoativas e seus familiares, propiciar conhecimentos e orientações sobre o uso indevido de álcool e outras drogas. Os serviços de atenção ao dependente químico, são oferecidos gratuitamente para os moradores e cidadãos mineiros.

O Cread tem por finalidade também a manutenção de banco de dados que propicie a avaliação do perfil epidemiológico dos usuários. Os dados são coletados a partir da integração com os serviços do Programa Rede Complementar de Suporte Social na Atenção ao Dependente Químico e o Programa Aliança Pela Vida.

 

 

Supod

A Subsecretaria de Políticas sobre Drogas (Supod) foi criada em 2003. A finalidade é criar, implantar e implementar a Política Estadual Sobre Drogas em Minas Gerais, além de inserir no contexto outros atores sociais, fundamentais à mudança de paradigma do usuário e dos serviços de atenção ao dependente.

Entre as ações desenvolvidas pela Subsecretaria está o Programa Complementar de Suporte Social na Atenção ao Dependente Químico, que exerce atividades de forma compartilhada com o Estado.

 

 

A Supod também é responsável pela interlocução com os municípios, por meio dos Conselhos Municipais de Políticas Públicas sobre Drogas, que fortalecem a participação da sociedade, exercendo o controle social de forma dinâmica e efetiva.

A política desenvolvida em Minas Gerais unifica estratégias de prevenção, atenção ao dependente químico, assistência especializada e mobilização comunitária, embasadas em evidências científicas e legitimadas pelo diálogo com diversos setores da sociedade.

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