terça-feira, 15 de Setembro de 2015 13:26h

Surfista abandona a praia e faz sucesso com produção de café em Minas

Café produzido por ex-surfista é vencedor de concursos e exportado para vários países

Surfar era a vida de Clayton Monteiro. Mas há quase vinte anos, depois de pegar muita onda no litoral brasileiro, ele optou por uma mudança radical em sua vida. Clayton trocou as praias e o surfe pela cafeicultura em Minas Gerais. E o resultado não poderia ser melhor. O café produzido na propriedade dele, no Alto Caparaó, na Zona da Mata, virou referência de qualidade e ganhou o mundo.

O ex-surfista morava em São Paulo. Foi quando em 1996, aos 22 anos, ele tomou a decisão de voltar para a fazenda de seus pais para produzir café. A mudança veio depois de uma conversa com um tio, que brincou dizendo que “na cafeicultura trabalha-se apenas seis meses no ano”.

Para quem era apaixonado pelas ondas, Clayton elaborou um plano para sua vida. “Eu pensei: vou pra lá, fico seis meses no café e os outros seis na praia surfando. Só que já tem quase vinte anos que eu estou aqui em Minas e ainda não deu esses seis meses de praia”, brinca Clayton Monteiro.

Logo ele percebeu que para ser cafeicultor é preciso dedicação. Muita gente na cidade não acreditou que ele se tornaria um cafeicultor de verdade. No entanto, o ex-surfista provou o contrário. Com muito trabalho e estudo, aos poucos, Clayton foi aprendendo os segredos da atividade. “Eu enxergava que aqui tinha um potencial de qualidade muito grande e ficava triste, pois parecia que só eu estava enxergando isso. Eu tive de provar que aqui existe café de qualidade”, diz.

A propriedade de Clayton, a Fazenda Ninho da Águia, fica na divisa com o Parque Nacional do Caparaó. Segundo o cafeicultor, o clima, a altitude e o solo fértil da região favorecem a produção de cafés de qualidade. Além disso, o produtor toma uma série de cuidados no cultivo do café. Por exemplo, os grãos são colhidos um a um, sendo selecionados os melhores; a secagem é natural e em terreiro suspenso; e não são utilizados agrotóxicos na lavoura.

Para conseguir um café de qualidade, o produtor conta ainda com a orientação técnica da Emater-MG. Desde 2012, Clayton Monteiro tem sua propriedade certificada pelo Certifica Minas Café. O programa do Governo de Minas Gerais estimula os produtores a adotarem boas práticas de produção, uma gestão moderna da propriedade e incentiva a preservação ambiental. “O Certifica Minas Café ajudou na organização e modernização da gestão da propriedade dele. Com isso, os riscos são reduzidos e aumentam as possibilidades de acerto”, comenta o coordenador técnico regional da Emater-MG, Paulo Roberto Vieira.

Por ano a propriedade do Clayton Monteiro produz em média 350 sacas de café. Ele cultiva variedades, como Catuaí e Burbon. A produção é vendida na região e para cafeterias de outros Estados. Mas boa parte é exportada para Inglaterra, Alemanha, França, Austrália e Japão. “Foi difícil aparecer e provar que aqui tem café de qualidade. Mas eu fui atrás e consegui entrar no mercado internacional”, conta o cafeicultor.

Concursos

A dedicação do produtor e sua família à cafeicultura renderam reconhecimento. Em 2012, o café da propriedade foi escolhido como o melhor do Estado pelo Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas, organizado pela Emater-MG. Em 2014, ficou em 1º lugar no Coffee of the Year, sendo reconhecido como o melhor café do Brasil. No mesmo ano, venceu outro concurso da Emater-MG, de melhor café das Matas de Minas. Para este ano, Clayton já se inscreveu no Coffee of the Year e novamente no Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas.

“Com essas conquistas, você ganha notoriedade. Você ganha espaço no mercado que antes não tinha. Isso valoriza mais o seu produto e abre novas portas”, diz Clayton. Atualmente, a Fazenda Ninho da Águia recebe turistas do Brasil e de outros países. As pessoas vão até o local para apreciar a natureza e saborear delícias da região como bolos, biscoitos, queijo e, claro, um excelente café.

Certifica Minas Café

O programa é uma iniciativa do governo estadual e executado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio da Emater-MG e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Atualmente, Minas conta com 1.487 propriedades certificadas em 233 municípios. Com a atuação de extensionistas especialmente treinados para a atividade, a Emater–MG orienta os produtores sobre as adequações das fazendas candidatas à certificação. Após essa etapa, o IMA faz as auditorias preliminares para checar se todas as exigências foram atendidas. Em seguida, uma certificadora de reconhecimento internacional faz a auditoria final e concede a certificação às propriedades.

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