sexta-feira, 24 de Agosto de 2012 09:33h Gazeta do Oeste

Tempo dedicado ao estudo é maior em BH

A nova edição da Pesquisa por Amostra de Domicílios (PAD), divulgada ontem pela Fundação João Pinheiro (FJP) e pelo Escritório de Prioridades Estratégicas, também estudou a situação da educação no estado. O indicador – que revela a média de anos de estudo dos mineiros com pelo menos 10 anos de idade – cresceu em oito das 11 regiões pesquisadas. Os números mostram que a disparidade ainda é grande entre algumas áreas. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a média é de 7,7 anos de estudo, e nos vales do Jequitinhonha e Mucuri, cai para 5,7. A média entre todo o estado permaneceu estável entre 2009 e 2011: 6,9 anos. O resultado ajuda na elaboração da taxa de rendimento dos alunos.

 

 

A Grande BH também é a região que concentra a maior parcela de moradores com 25 anos de idade ou mais com o nível superior completo: 11 em cada 100 pessoas. No fim da tabela aparecem a Região Noroeste e, novamente, os vales do Mucuri e do Jequitinhonha, com, respectivamente, 4% e 4,8%. No estado, o índice médio é de 8,2%. O resultado ficou praticamente estável em relação ao de 2009 (8,3%), mas a coordenadora da PAD, Nícia Raies, da FJP, alerta que o prazo entre as duas pesquisas (2009 e 2011) é considerado pequeno para uma análise mais profunda quando o assunto é educação. “Nesta área, qualquer investimento que se faz é para o futuro. O ideal para alguma análise, talvez, seja uma década ou mais.”

 

A Secretaria Estadual de Educação, por e-mail, informou que “em relação ao indicador de 6,9 anos de estudo, as políticas educacionais que vão proporcionar impactos positivos se darão no médio e no longo prazos, objetivando manter a população mais jovem na escola e estimular a população adulta a retomar os estudos”. Por outro lado, os dados mostram que o setor tem espaço para resultados mais satisfatórios. Por exemplo: a quantidade de moradores com pelo menos 25 anos de idade que ainda não concluíram o ensino fundamental (46,9%) obteve uma queda sensível em relação a 2009 (47,4%). O ideal é que a queda fosse num ritmo mais acelerado, pois, teoricamente, homens e mulheres dessa faixa etária já deveriam ter concluído o ensino médio.

 

 

Outro indicador que precisa receber maior atenção tanto do poder público quanto da própria sociedade é o total de jovens de 15 a 17 anos matriculados nas escolas: 85,6% frequentam as salas de aula. O próprio relatório da pesquisa ressalta “a necessidade de políticas que retenham (as pessoas dessa faixa etária nas instituições de ensino) com programas que as tornem mais atrativas e que os prepare para o mercado de trabalho”.

 

“Esse indicador melhorou, mas há espaço para avançar mais. Um dos fatores é a entrada precoce dos jovens, sobretudo do sexo masculino, no mercado de trabalho. Por outro lado, é observada a redução do trabalho infantil e de adolescentes em Minas. Além da fiscalização maior (contra o trabalho infantil), há muitos incentivos para que os jovens permaneçam nas escolas, como o Bolsa-Família”, recorda Nícia.

 

 

DIVERSIDADE Na prática, o estudo reforçou a tese de que Minas Gerais é o resumo da diversidade brasileira, com os resultados semelhantes ao do Sudeste do país e com os menores indicadores parecidos com o que ocorre nos estados do Nordeste. “Temos regiões altamente desenvolvidas e vice-versa. De modo geral, a educação tem melhorado muito no estado. A mazela que persiste é questão histórica, concentradas na população acima de 60 anos. Para as gerações mais novas, notamos um avanço enorme”, reforça Nícia.

 

A Secretaria Estadual de Educação informou também que “a taxa de escolarização entre as pessoas de 6 a 14 anos é de 96,9%, percentual que comprova a acertividade da política do governo de Minas para universalização do ensino fundamental. Na faixa etária de 15 a 17 anos, correspondente aos jovens em idade para frequentar o ensino médio, a taxa de escolarização é de 85,6%”. A meta do governo, de acordo com a secretaria, é universalizar o ensino médio em 2016. “Outra questão que precisa ser destacada é o aumento do nível de instrução entre as pessoas de 25 anos ou mais com ensino médio completo. Em 2009, era de 18,7%. Em 2011, foi de 20,6%.”

 

 

 

 

 

 

 

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