sábado, 1 de Setembro de 2012 08:27h Gazeta do Oeste

Tempo seco em BH não dá trégua

De hoje até terça-feira, a meteorologia prevê que Minas Gerais vai viver um tempo quase desértico, em pleno inverno. Durante o dia, faz calor, com temperaturas que chegam a 29 graus centígrados, segundo a máxima registrada ontem. À noite, ocorre o inverso. Faz frio e os termômetros descem a até 14 graus centígrados. Segundo Ruibran dos Reis, diretor regional da Climatempo, a baixa umidade relativa do ar, inferior a 20%, levou à ausência de nuvens. “As nuvens funcionam como uma estufa. Sem elas, a terra perde calor rapidamente e se forma uma névoa de gases poluentes no horizonte, principalmente no início da manhã. É o fenômeno da inversão térmica, que reduz a qualidade do ar que respiramos”, explica.

 

 

Com 97 dias sem chuvas, Belo Horizonte ainda não bateu o recorde estabelecido no ano passado durante a mesma estação, quando completou 124 dias secos. A última chuva significativa ocorreu em 26 de maio. Em 2011, a capital chegou a registrar umidade de 12%. Este ano, o menor índice foi de 13%, verificado na última sexta-feira. “Pelos critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS), umidade do ar abaixo de 20% já representa estado de alerta. É preciso aumentar a ingestão de líquidos e evitar exercícios físicos no período da tarde”, observa Reis. Segundo ele, só vai voltar a chover em 15 dias. “Antes, o inverno em BH era frio e úmido. De 20 anos para cá, devido ao aquecimento global e ao aumento da urbanização, com o fim das áreas verdes, a temperatura aumentou. Se nada for feito, a tendência é piorar”, completa. 

 

Indiferentes à secura do ar, muitos moradores de BH pareciam ontem até mais animados a sair da toca em função do inesperado veranico na despedida de julho. Em uma rápida volta pela cidade, no intervalo em que o sol está mais quente, entre as 14h e as 16h, era possível encontrar pessoas se exercitando nas pistas de cooper e academias ao ar livre. “Sinceramente? Nem observei diferença no tempo. Este é o único horário que tenho para fazer minha caminhada, no intervalo entre uma empresa e outra”, revelou o engenheiro e empresário Caio Márcio Guerra Simões, de 55 anos, enquanto se refrescava na fonte do Parque JK, no Bairro Sion, Região Centro-Sul da capital. “Tomo muita água e suco. Tenho de ir, estou atrasado para a reunião”, disse ele, que saiu correndo literalmente para conseguir cumprir a agenda.

 

 

A alguns metros dali, os irmãos Maria Helena Bonfim, de 35, jornalista, e Raphael Muniz, de 18, estudante de jornalismo, bebem água de coco sentados na beirada do quiosque. Eles se refrescam depois de 40 minutos de caminhada diária, sempre na parte da tarde. "Minha irmã aproveita o horário em que a filha está na escolinha e vem até aqui caminhar comigo. Comecei há poucos dias um programa de dieta e exercícios físicos e não vou desistir em função da seca. Tenho de continuar”, afirmou Raphael, convencido pela irmã a trocar a água mineral pela água de coco. O funcionário do quiosque agradece. “O movimento tinha caído uns 60%. De sexta-feira para cá, começou a melhorar”, comemora Daniel Dutra, que cobra R$ 3 pelo coco e R$ 2 pela água. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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