quinta-feira, 5 de Março de 2015 10:47h Atualizado em 5 de Março de 2015 às 10:50h. Mariana Gonçalves

Traçado do Gasoduto ainda continua em aberto

Especula-se que esse mês seja a discussão final sobre as cidades contempladas com a nova fonte energética

O lançamento oficial do projeto Novo Gás Oeste, ocorreu em Belo Horizonte, na sede da Federação
das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Participaram do evento alguns dos prefeitos, cujas cidades provavelmente serão beneficiadas com o gasoduto, parlamentares, representantes da FIEMG, do governo do Estado e também representantes da Companhia de Gás de Minas Gerais (GASMIG), entre outras pessoas envolvidas no projeto.
Embora o gasoduto tenha sido lançando no Estado, no momento a única certeza é que Uberaba e Uberlândia são as únicas cidades já acertadas para desfrutar dessa nova fonte de energia. Durante o encontro na FIEMG, ficou claro que por enquanto, o governador Fernando Pimentel não sinalizou de forma positiva e definitiva o projeto de rota do gasoduto, que prevê a saída dessa energia de Queluzito, passando por diversas cidades do Centro Oeste de Minas, como: Itatiaiuçu, Itaúna, Divinópolis, Lagoa da Prata, dentre outras. Especula-se que, uma decisão final deverá sair ainda nesse mês, já que, por determinações contratuais, a planta de amônia da Petrobras, instalada em Uberaba, deve ser colocada em funcionamento pelo menos até o fim de 2016.
O prefeito de Divinópolis e também Presidente da Frente Mineira de Prefeitos, Vladimir Azevedo, destaca que o projeto Novo Gás é um grande desafio, mas que irá render ao Estado, de modo geral, uma gama de novas oportunidades, e também lucratividade. “É um desafio que não abrimos mão. Junto da FIEMG, dos prefeitos e dos deputados, vamos acabar de convencer o governador e ter esse investimento em curto prazo em Minas Gerais”, pontua.
Está sendo cogitada também, a vinda do gás pelo Estado de São Paulo até Uberada, o que descartaria o projeto de saída por Queluzito, e jogaria por terra a possibilidade das cidades do Centro Oeste serem beneficiadas, porém seria um investimento mais barato. “A vinda do gás por Ribeirão Preto e São Paulo são duas frentes que não nos interessa. Defendemos a rota Queluzito à Uberaba, pois ela partirá da Região Central de Minas, abrangendo o Centro Oeste, alto Paranaíba e chegando ao Triangulo Mineiro, cortando assim, todo o nosso mapa no interior, abrindo também, um ciclo novo, que nos permitirá ter resultados inimagináveis para o Estado”, avalia Vladimir.
O Presidente da FIEMG Regional Divinópolis, Afonso Gonzaga, salientou que dos últimos trinta anos, esse projeto é, sem dúvida alguma, o meio mais importante de crescimento para a nossa região. “Estamos recebendo uma terceira fonte de energia, que poderemos usar principalmente no setor de metalurgia, que nos trará uma redução em termos de custo industrial, na ordem de 12%. Nos investimentos, teremos uma redução próxima aos 70%, isso para nós é o melhor e maior projeto de desenvolvimento da Região Centro Oeste”, afirma.
Afonso falou ainda sobre o incentivo que a vinda do gás natural trará a projetos de investimentos que atualmente andam parados no município, como a Cidade Tecnológica. “O gasoduto é um grande incentivador da indústria limpa, e a cidade tecnológica é sem duvida uma grande oportunidade. Eu acredito que novas empresas virão, e com certeza, de uma melhor qualidade”, ressalta.

 

OBRAS

O prefeito de Uberaba, Paulo Piau Nogueira, falou sobre o andamento das obras de construção da fábrica de amônia, segundo ele, o processo está ocorrendo de maneira acelerada. “Estamos com 800 trabalhadores na obra, portanto é um projeto que não tem volta. O Brasil precisa de fertilizantes, estamos importando hoje, em torno de 60% dos fertilizantes que consumimos. Produzir amônia, e ureia é fundamental”, argumenta.
Sobre o trajeto do gás, Paulo também defende que o mesmo venha beneficiando os municípios mineiros. “Nós, que somos de Uberaba, temos consciência de que para a Petrobras, o que importa é o gás chegar, venha de onde vier, mas para Minas Gerais, não enxergamos um horizonte com um eixo desenvolvimento que irá atrair novos investimentos, como o gasoduto irá fazer”, completa.
Sobre a mediação da FIEMG no que tange as discussões relacionadas ao projeto, o prefeito afirma que a federação tem um papel fundamental nesse processo. “Desde o inicio dos trabalhos em 2009, a FIEMG vem defendendo a indústria mineira, e tem nos dado abrigo, antes mesmo da Petrobras tomar a decisão final da construção da planta de amônia em Uberaba, a FIEMG estava envolvida, então, a federação é parte importante e integrante do desenvolvimento da indústria e da economia de Minas Gerais”, encerra.
São Paulo já tem o seu próprio investimento, portanto não precisa receber esse projeto do Governo Federal, pontua o presidente do Sistema FIEMG, Olavo Machado Júnior. “Uma obra que irá cortar Minas Gerais e trazer oportunidade para o Estado, é inquestionavelmente, melhor que Minas investir em São Paulo, porque lá, eles têm o seu próprio desenvolvimento, então o valor envolvido na obra, ainda que maior, em um primeiro momento irá compensar”, acrescenta Olavo.

 

TEMPO

Como já mencionamos no inicio da matéria, caso o tempo previsto para elaboração e utilização de forma efetiva do gasoduto não seja respeitado, as empresas envolvidas no processo terão severas punições. O diretor da GASMIG, Eduardo Lima Andrade Ferreira, falou sobre o assunto. “Estamos trabalhando nesse momento na questão do projeto, no que diz respeito ao licenciamento ambiental, e ao cadastro de proprietários que serão impactados pela faixa de passagem do gasoduto. Estamos sim muito preocupados com a questão do prazo, porque temos um tempo desafiador, mas tenho certeza que iremos conseguir equacionar as melhores soluções de engenharia para atendermos o prazo que está pactuado com a Petrobras. Porém, ressalto, existem fatores que não cabem somente ao nosso poder, como a questão do licenciamento ambiental, dependemos dos órgãos competentes para emitir as licenças do gasoduto”, declara.
O Projeto Novo Gás Oeste é uma iniciativa que visa promover o desenvolvimento socioeconômico e industrial de Minas Gerais, através do apoio e monitoramento da implantação do gasoduto. A Unidade de Fertilizantes e Nitrogenados (Fábrica de Amônia) está sendo instalada em Uberaba. A instalação do gasoduto irá beneficiar diretamente 55 municípios, gerando novos empregos, alterando a matriz energética e trazendo um novo impulso ao desenvolvimento industrial e regional. Estão sendo feitos cerca de R$ 2 bilhões em investimentos.  O projeto prevê mais de 450 km de dutos, que terão capacidade inicial para transportar o equivalente a 3 milhões de metros cúbicos por dia de gás. 

 

 

Crédito: Mariana Gonçalves

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