quinta-feira, 3 de Setembro de 2015 13:06h

Uemg cobra mais recursos para expansão de suas atividades

Incorporação de fundações à instituição aumentou a presença da universidade no Estado e os desafios a serem superados

A Lei 20.807, de 2013, determinou que a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) incorporasse as fundações de ensino a ela associadas. As consequências da expansão da universidade foram o aumento vertiginoso do número de cursos ofertados e de alunos matriculados, assim como dos desafios para a manutenção da qualidade das atividades desenvolvidas. A origem da maioria dos problemas está no orçamento da instituição, insuficiente para cobrir as despesas fíxas e os investimentos necessários.
É o que afirmou o pró-reitor de Planejamento, Gestão e Finanças da Uemg, Adailton Vieira Pereira, em audiência pública realizada nesta terça-feira (1º/9/15) pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo Adailton, no orçamento de R$ 287 milhões previsto para a instituição este ano, apenas R$ 10 milhões foram destinados para investimentos, quantia incapaz de suprir a demanda por obras, reformas, equipamentos e materiais permanentes.

Ele também cobrou a realização de concurso público para contratação de professores e servidores administrativos. Apenas 8% do corpo docente de 1.640 professores é formado por servidores efetivos. Outro fato que chama a atenção é a média de 32 alunos para cada servidor administrativo, enquanto a referência nacional é de 10 alunos para cada servidor.

O reitor da Uemg, Dijon Moraes Júnior, e a pró-reitora de Ensino, Renata Nunes Vasconcelos, apresentaram números que apontam o rápido crescimento da universidade, o perfil dos estudantes e suas demandas. Em 2013, na primeira etapa de incorporação das fundações, a Uemg estava presente em 11 municípios, com a oferta de 82 cursos e cerca de 9 mil alunos. Passados dois anos, a universidade oferece hoje, aos 19 mil alunos das suas unidades espalhadas em 30 municípios, 116 cursos apenas na área de graduação.

Mais de 60% dos alunos são egressos de escolas públicas, as mulheres são maioria, as pessoas entre 18 e 24 anos de idade compõem a faixa etária com mais alunos matriculados e 51% dos estudantes são brancos, enquanto 46% se identificam como pardos ou negros. Grande parte (56%) reside na mesma localidade em que estuda, é forte a presença de alunos oriundos de famílias de baixa renda e, com o aumento das vagas ofertadas em 2015 pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação, houve o crescimento de candidatos da lista de espera que são de outros estados.

Diante desses dados, a pró-reitora Renata Vanconcelos afirmou ser possível destacar que há a necessidade de maior oferta de bolsas de estudo voltadas aos alunos carentes e uma atenção especial ao transporte e à alimentação daqueles que não residem nas cidades em que estudam – cerca de 40% do total. Ela também ressaltou o fato de apenas 50% das vagas serem oferecidas pelo Sisu, uma estratégia para que os alunos das regiões nas quais a universidade está presente não sejam preteridos por candidatos mais bem preparados de outras localidades.

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