sábado, 25 de Agosto de 2012 09:53h Gazeta do Oeste

Último dia útil da semana é o que mais registra acidentes

“É o dia dos engraçadinhos”, resume o motorista de ônibus Ronaldo Moraes, de 48 anos, que há 25 trabalha levando passageiros entre bairros da capital mineira. Ele se refere às sextas-feiras, quando o já tenso e engarrafado trânsito de Belo Horizonte ganha mais veículos e motoristas que não costumam rodar nos outros dias. É também quando todas as formas de desrespeito comuns durante a semana reaparecem com mais força, como paradas sobre as faixas de pedestres, fechamento de cruzamentos, carros acidentados deixados no meio da rua, estacionamento proibido, entre outros abusos que contribuem para aumentar a sensação de transtorno. A equipe do Estado de Minas foi às ruas ontem e flagrou exemplos da má conduta dos motoristas que tornam este dia o que mais registrou acidentes nos últimos cinco meses na cidade.

 

 

Autoridades que gerenciam o trânsito da capital confirmam a sensação de Ronaldo e, apesar de não precisarem o tamanho do aumento no fluxo no fim da semana, dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) mostram que, de 1º de março a 31 de julho deste ano, período em que a estatística permite medição por dia da semana, o campeão de acidentes é mesmo a sexta-feira. Foram mais de 5 mil ocorrências, o que corresponde a 17% dos quase 29 mil casos do intervalo.

 

O motorista Ronaldo trabalha na linha de ônibus 9205, que faz o trajeto entre os bairros Nova Cintra (Oeste) e Nova Vista (Leste). A principal avenida pela qual trafega diariamente é a Amazonas, onde enfrenta o maior tormento nas sextas-feiras. “O mais comum é ficar preso por conta dos cruzamentos fechados. Os engraçadinhos gostam de levar vantagem sempre e por isso não respeitam, bloqueando a passagem e complicando não só a avenida onde estão, mas toda a região”, critica.

 

 

Dia difícil também para outros que ganham a vida ao volante, como o taxista Nagib Dabien Júnior, de 35, há sete enfrentando o trânsito de BH. Frequentador de um ponto na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua São Paulo, no Centro, ele garante que os passageiros são os que mais reclamam. “Nas sextas-feiras tem muita queixa de que falta táxi. Na verdade, essa sensação é motivada por uma piora no trânsito, já que demoramos mais tempo entre o ponto e os destinos. Ficamos parados nos engarrafamentos e por isso os táxis não aparecem livres”, conta. Bem perto do ponto, a reportagem presenciou motoristas invadindo a faixa de travessia com o sinal fechado, o que obriga os pedestres a circular no meio dos carros, mesmo em um espaço onde a preferência é deles. Apenas uma de uma série de infrações que tornam a véspera do fim de semana um dia infernal nas ruas de BH.

 

E no sexto dia faz-se o caos

 

A percepção de que a sexta-feira é o “dia de cão” no trânsito de Belo Horizonte está longe de ser uma sensação restrita aos motoristas. Comandante do Batalhão de Polícia de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), o tenente-coronel Roberto Lemos confirma todas as observações dos motoristas e acrescenta que os problemas se estendem às segundas-feiras. “Sexta-feira é comum mais pessoas saírem de carro, pois muitas tomam outros rumos depois do serviço. Também temos muitos casos de quem viaja para sítios ou chácaras na região e por isso prefere sair de carro. Na segunda, é o movimento inverso. Por isso, realmente o trânsito fica mais complicado”, afirma o militar.

 

 

O auxiliar contábil Bruno Dias, de 27, se encaixa no exemplo dado pelo tenente-coronel. Adepto do transporte por ônibus, ele costuma revezar e ir trabalhar algumas vezes de carro. No último dia útil da semana, o transporte particular é garantido, por dois motivos: “Primeiro porque o trânsito fica bem mais agarrado. Para não chegar atrasado, prefiro usar o carro. Segundo, porque depois do serviço eu já fico pronto para fazer alguma coisa sem precisar voltar em casa”.

 

 

Com congestionamentos agravados por uma legião de gente que usa o próprio carro às sextas por motivos semelhantes, o motofretista Marcos Batista, de 49, já está acostumado a acordar nesse dia e se preparar para uma verdadeira batalha, porque sabe que o trabalho será mais complicado. “As fechadas ocorrem muito mais vezes e quando preciso fazer entrega onde não tem estacionamento próprio é impossível achar vaga”, diz ele.

 

 

bater e parar Um problema que atrapalha o trânsito em qualquer dia, mas que ganha maiores proporções na sexta-feira foi flagrado pela reportagem do Estado de Minas ontem. Na Rua Juiz de Fora, entre Rua Martim de Carvalho e Avenida Amazonas, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul um acidente de trânsito complicou a circulação em um local que normalmente não tem problemas. Um veículo batido, com avarias na dianteira, ficou parado na faixa da esquerda próximo do cruzamento com a Amazonas, sem condutor ou qualquer autoridade por perto, o que gerou engarrafamento instantâneo. Um dos efeitos foi o fechamento do cruzamento da Juiz de Fora.

 

 

Sobre esse tipo de situação, o tenente-coronel Lemos faz um alerta à população: “Quando o condutor envolvido em acidente sem vítima deixa de adotar providências para remover o veículo do local está cometendo infração e pode ser multado. As pessoas não precisam esperar, basta o boletim de ocorrência para que as seguradoras tenham documentado o que aconteceu”, diz o militar. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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