sábado, 1 de Outubro de 2016 11:01h Pollyanna Martins

Ações do Outubro Rosa começam hoje

Durante todo o mês, serão feitas palestras e outras atividades, além da tradicional caminhada no dia 29 de outubro, para conscientizar as mulheres sobre a importância da prevenção ao câncer de mama

Um momento de muita alegria na vida da empregada doméstica Jaqueline da Silva, de 32 anos, foi interrompido pelo câncer de mama. Jaque­line, na época, desconfiava de uma gravidez e a suspeita foi confirmada no terceiro mês de gestação. Porém, quando descobriu que o quarto filho estava a caminho, a emprega­da doméstica sentiu também um nódulo no seio direito. Jaqueline, que é de Dores do Indaiá, procurou um posto de saúde em sua cidade para iniciar o pré-natal, mas só conseguiu iniciar o acompa­nhamento no quinto mês de gestação.

De acordo com a empre­gada doméstica, na primeira consulta com o ginecologista, ela o informou sobre o nódulo, porém o médico disse que o nódulo poderia ser apenas alteração das glândulas ma­márias, devido à gravidez. “Eu tinha o hábito de fazer o autoexame nos meus dois seios, e foi quando eu achei no seio direito o nódulo. Quando eu fui à primeira consulta, em janeiro desse ano, eu passei para o meu ginecologista que eu tinha encontrado o nódulo, e ele falou que não tinha jeito de ver nada, porque tinham muitas glândulas mamárias, e só depois que eu desmamasse o neném, e não saísse, é que ele iria cuidar”, conta.

Jaqueline relembra que o nódulo não sumiu e continuou crescendo durante a gravidez. A empregada doméstica conta que, quando chegou ao nono mês de gestação, o nódulo cresceu a ponto de qualquer um vê-lo a olho nu em sua mama, e em alguns momentos ela acreditou que ele romperia a sua pele. “Antes de eu ga­nhar o neném, eu falei com o médico que o caroço que eu tinha encontrado no começo da gravidez tinha desenvol­vido e estava doendo”, relata. Jaqueline conta que passou os últimos meses à base de remédios para dor e o nódulo só começou a ser investigado quando o seu filho já estava com dois meses. Segundo a empregada doméstica, du­rante uma consulta de pue­ricultura do bebê, ela contou à enfermeira que o avaliava sobre o nódulo. A profissional encaminhou Jaqueline mais uma vez ao médico que tinha feito o seu pré-natal, para ava­liar a mama direita.

De acordo com Jaqueline, o ginecologista assustou com o tamanho do nódulo e receitou para ela antibióticos e anti­-inflamatórios. A empregada doméstica relata que, após sete dias, procurou o médico mais uma vez e informou que os medicamentos não haviam surtido efeito. O ginecologista solicitou então uma consulta com um mastologista. “Ele colocou o meu caso como prioritário, porque já tinha seis meses que estava procurando uma solução para o meu caso. O médico fez o encaminha­mento, mas não fez um laudo que era preciso, para marcar a consulta com o mastolo­gista. Quando eu voltei nele, pedindo o laudo, ele colocou glândula inflamada”, relembra.

DIAGNÓSTICO

Após uma peregrinação em busca de um profissional que desse um diagnóstico e da rejeição do bebê pela mama que estava com o nódulo, Jaqueline conseguiu a soli­citação de uma mamografia e a realização do exame no início de agosto. A emprega­da doméstica conta que, ao chegar para fazer o exame, a radiologista questionou o motivo do procedimento, e ela então mostrou o caroço, quase rasgando a pele do seio direito. Conforme Jaqueli­ne, a profissional a informou que não seria possível fazer a mamografia, e solicitou um ultrassom da mama. “No outro dia, marcaram o ultrassom, e depois que eu fiz o exame já me internaram e drenaram o nódulo. Os médicos ficaram horrorizados com a quanti­dade de secreção que saiu do caroço. O maior medo deles era o nódulo romper dentro de mim”, narra.

Um mês depois da drena­gem, e após a biopsia, veio o resultado de câncer de mama. Mesmo não estando dentro da faixa de risco para desenvolver a doença, Jaqueline tinha um tumor benigno. A empregada doméstica conta que o médico disse que ela estava com um câncer maligno, e que ela seria transferida para o Hospital do Câncer em Divinópolis. Jaque­line explica que, na primeira sessão de quimioterapia, o médico esclareceu que o tu­mor era, na verdade, benigno, pois não havia metástase. “O médico me explicou que o meu câncer era benigno, por­que ele não tinha espalhado, mas parecia ser maligno, por­que ele cresceu muito”, afirma.

Hoje, um mês após ter ini­ciado o tratamento no Hospi­tal do Câncer, Jaqueline trans­mite confiança e diz ter muita fé na cura. A radioterapia ter­minou ontem (30), e Jaqueline se prepara para a cirurgia de retirada da mama. A empre­gada doméstica afirma que, quando recebeu a notícia que teria que fazer mastectomia, ficou um pouco abalada, mas hoje, após se acalmar, pede a Deus que a ajude a enfrentar de cabeça erguida o que virá depois da cirurgia. “Eu quero viver, quero ver o meu filho, voltar a trabalhar, voltar à mi­nha vida ao normal”, ressalta. Confiante, e cheia de planos para o futuro, Jaqueline acon­selha a outras mulheres a se tocarem e conhecer o próprio corpo, para detectar qualquer alteração no início. “A gente tem que se cuidar, gostar da gente. Tem gente da minha família que detectou um nó­dulo, mas não quer procurar ajuda médico por medo. Eu falo que se a mulher encontrar um nódulo na mama tem que procurar ajuda, o que vier, ela tem que encarar”, aconselha.

AÇÕES

Pelo quinto ano consecu­tivo, a Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas desenvolverá ativi­dades intensas de prevenção ao câncer de mama durante todo o mês de outubro. Serão palestras, orientações e es­clarecimento de dúvidas em diversas cidades. O ponto alto acontecerá com a 5ª Caminha­da pela Vida, evento que tem reunido centenas de pessoas na luta contra o câncer e que acontecerá dia 29 do mesmo mês, concentração na Praça da Catedral, em Divinópolis, a partir das 8h.

Segundo a coordenadora de prevenção e rastreamento da Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (ACCCOM), Sara Lemos, as ações têm como objetivo chamar a atenção das mulheres para a prevenção do câncer de mama. Sara ressalta que muitas mulheres têm medo do câncer de mama, e muitas vezes detectam alguma alteração nos seios e, mesmo assim, não procuram ajuda médica. “Muitas mulheres es­condem o nódulo encontrado na mama, não querem falar disso. A gente tem que des­mistificar a doença, tirar esse conceito de morte, de doença fatal, porque não é”, frisa.

De acordo com Sara, o nú­mero de novos casos de câncer de mama aumenta a cada ano em todo mundo. Conforme a coordenadora, a perspectiva para este ano é de cerca de 57 mil novos casos, quando, no ano passado, eram esperados 56 mil novos casos. Segundo Sara, no ano passado, foram registrados 240 novos casos de câncer de mama no Hospital do Câncer em Divinópolis. A coordenadora informa que, no ano passado, foram registra­dos mais novos casos do que em 2014 e, neste ano, serão registrados mais casos do que em 2015. “Em Divinópolis, fo­ram 71 novos casos registrados no ano passado, incluídos nos 240 que são da região. A proba­bilidade é que este ano tenha mais novos casos do que no ano passado”, destaca.

A coordenadora ressalta que um dos fatores que con­tribuem para o aumento no número de casos a cada ano é o diagnóstico tardio do câncer. Sara frisa que, quando o cân­cer de mama é diagnosticado em fase inicial, a mulher tem 100% de chances de cura e, por isso, a importância do autoexame, além do acom­panhamento médico. “Autoe­xame não é diagnóstico, ele é direcionador, é para a mulher se conhecer. A nossa vivência aqui é de muitas mulheres que estão tratando do câncer de mama, elas mesmas acharam o seu câncer com o autoexa­me”, explica.

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