quarta-feira, 14 de Setembro de 2016 16:05h Pollyanna Martins

Aposentados e pensionistas da Rede Ferroviária aguardam há dois anos por reajuste

Alguns servidores aposentaram com mais de quatro salários mínimos e hoje recebem pouco mais de um salário

Os aposentados e pensionistas da Rede Ferroviária estão sem reajuste salarial há dois anos. Vários servidores, que aposentaram com mais de quatro salários mínimos, hoje, recebem pouco mais de um salário. É com essa dura realidade que um aposentado da extinta Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima, que preferiu não se identificar, vive. Com pouco mais de um salário, o aposentado precisa sustentar a família. “Na minha casa, moram seis pessoas, e eu que preciso manter tudo, ganhando R$ 1,2 mil”, conta. O aposentado diz que, com a extinção da Rede, os aposentados e pensionistas passaram a ser responsabilidade do Governo Federal e este, por sua vez, determinou reajuste de salário anual apenas para quem recebia até um salário mínimo. “Eu aposentei com 4,8 salários mínimos. A coisa mais difícil que tem hoje é achar quem aposentou só com um salário, então a maioria dos aposentados da Rede está sem reajuste há dois anos”, reclama.

De acordo com o jornalista, Fernando Abelha, a VALEC - Engenharia descumpriu a sua obrigação no segundo semestre de 2015, ao deixar de incluir junto ao Ministério dos Transportes, para o orçamento de 2016, os recursos necessários para validar o Acordo Coletivo do Trabalho. “Os responsáveis pelos recursos humanos da VALEC não consignaram em sua previsão orçamentária para 2016 os valores necessários para honrar os compromissos do Acordo Coletivo do Trabalho daquele ano, que se encontrava em seu poder desde maio, para os empregados da extinta RFFSA, para ela transferidos por sucessão trabalhista”, explica.

Ainda segundo o jornalista, a empresa se recusa agora a assinar os acordos coletivos, alegando insuficiência de recursos. De acordo com Fernando, em nova minuta apresentada à Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários (FNTF), a VALEC afirma que os ferroviários terão de conseguir junto ao Governo Federal um decreto que garanta a transferência da verba para a VALEC. “Esta malfadada empresa atinge mais de 70 mil aposentados e pensionistas, há 28 meses sem qualquer reajuste em seus proventos, ao reter os percentuais de aumento para dois anos, (5% em 2015 e 6,4% para 2016) conseguidos à duras penas pela FNTF com a mediação do Tribunal Superior do Trabalho”, destaca. O aposentado da extinta Rede conta que tem guardado até hoje os primeiros extratos da aposentadoria, mostrando que ele havia aposentado com 4,8 salários mínimos, mas, diante da situação, recorreu à justiça para conseguir o reajuste. “A minha advogada pediu o reajuste do meu salário, com revisão do meu benefício. O juiz intimou à União a pagar o meu reajuste, mas a União respondeu que o reajuste de 2015 está sendo concluído ainda”, conta.

Situação esta que atinge o antigo torneiro mecânico e que hoje deveria estar ganhando mais de R$ 4 mil. O aposentado diz que a situação em casa está cada vez mais difícil e, desesperado, procurou o Sindicato dos Ferroviários em Brasília, porém a notícia que recebeu não foi a esperada. “Não tem encaminhado nada ainda, nem previsão de quando nós vamos receber o reajuste. Hoje eu recebo três vezes menos do que eu deveria receber de aposentadoria”, reclama. Conforme o jornalista, cabe agora aos sindicatos e demais órgãos de classe organizar manifestações e também impetrarem ações na justiça trabalhista e cível, pedindo danos morais pela retenção de benefícios de natureza alimentar, além de desrespeitarem o Estatuto do Idoso. “Acreditamos que somente assim sairemos do marasmo que nos encontramos. A VALEC, se acionada por nossas demandas, deverá pagar caro por esta ignomínia desastrosa. Infelizmente, os aposentados que por mais de um século serviram aos transportes sobre trilhos, não dominam mais as operações ferroviárias e, portanto, não têm como fazer greves”, frisa.

 

SINDICATOS

 

Nossa reportagem entrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias, mas, até o fechamento desta edição, não tivemos resposta.

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