sexta-feira, 2 de Setembro de 2016 16:07h Pollyanna Martins

Bancários decidem em assembleia se entram de greve a partir de terça-feira

O Comando Nacional dos Bancários indicou a rejeição da proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

Os bancários decidirão durante uma assembleia se entram ou não de greve a par­tir da próxima terça-feira (6). O acordo coletivo da categoria é renovado no final de agosto e a proposta de reajuste foi entregue para a Federação Nacional dos Bancos (Fena­ban) no dia 9 de agosto. Entre as principais reivindicações deste ano, estão: reajuste sa­larial de 14,78%, sendo 5% de aumento real e 9,31% de cor­reção da inflação; participação nos lucros e resultados de três salários mais R$ 8.297,61; piso salarial de R$ 3.940,24; vales-alimentação, refeição, décima-terceira cesta e auxí­lio-creche/babá no valor do salário-mínimo nacional (R$ 880); 14º salário; fim das metas abusivas e assédio moral; fim das demissões, ampliação das contratações, combate às terceirizações e à precarização das condições de trabalho; mais segurança nas agências bancárias e auxílio-educação.

Em contrapartida, a pro­posta da Fenaban foi de rea­juste de 6,5% mais R$ 3 mil de abono para os trabalhadores. O Comando Nacional dos Bancários já indicou a rejei­ção da proposta, e disse que a oferta da Fenaban representa perda real de 2,8% (ao se des­contar a inflação de 9,57%). Para a Fenaban, se somados o abono e o reajuste, haverá “ga­nho superior à inflação na re­muneração do ano da grande maioria dos funcionários do sistema bancário”. “A Fenaban reafirma sua confiança no diá­logo contínuo entre as partes para se chegar a um acordo de renovação da convenção coletiva de trabalho entre ban­cos e bancários, que é a mais abrangente e completa do país”, acrescentou a federação.

No Brasil, são cerca de 512 mil bancários que já discuti­ram os temas emprego, saúde, segurança e condições de trabalho, igualdade de oportu­nidades e remuneração. "En­quanto oferecem um reajuste abaixo da inflação para os tra­balhadores, elevam mais de 70 pontos percentuais às taxas de juros dos clientes, com cheque especial a 318,4% ao ano, com alta de 71,5 pontos percentu­ais em 12 meses. Lucram R$ 30 bilhões no semestre e fecham 7.897 postos de trabalho so­mente de janeiro a julho deste ano. Haverá assembleia no dia 1 de setembro em todo o país e vamos indicar a rejeição da proposta", disse Juvandia Moreira, vice-presidente da Contraf-CUT e uma das co­ordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

GREVES

No ano passado, a cate­goria rejeitou a proposta da Fenaban e entrou de greve no dia 6 de outubro. Na época, a Federação propôs para a classe um reajuste de 5,5% de reajuste para salários e vales, e inclui ainda abono de R$ 2,5 mil, não incorporados ao sa­lário. Já os bancários, pediam um aumento salarial de 16% (incluindo reposição da in­flação mais 5,7% de aumento real). Além do reajuste salarial, a classe reivindicava ainda melhores condições de traba­lho. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Divinópolis e Região, Djalma Antônio Biata, disse na ocasião que havia um déficit de funcionários e pressão para que eles vendam produtos bancários, como por exemplo, seguros de vida, seguro de cartão, entre outros. “Nós queremos mais contrata­ções. Outra coisa que nós que­remos também é a diminuição desses produtos que o banco tem, porque os bancários precisam bater metas todo mês na venda”. A Fenaban entrou em acordo com a ca­tegoria e a paralisação durou 10 dias.

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