quinta-feira, 15 de Setembro de 2016 17:10h Pollyanna Martins

Campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio será realizada neste mês

A campanha Setembro Amarelo tem como objetivo alertar à população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção.

Vamos falar sobre suicídio? Um assunto pouco falado e que ainda carrega um tabu da sociedade é o tema da campa­nha Setembro Amarelo. A ação tem como objetivo alertar à população a respeito da rea­lidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. A campanha foi iniciada no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Asso­ciação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O Setembro Amarelo realizou as primeiras ativida­des em 2014, concentradas em Brasília, e, em 2015, conseguiu maior exposição com ações em todas as regiões do país.

Conforme o médico psi­quiatra, Neury Botega, no Bra­sil, cerca de 40 pessoas tiram a própria vida diariamente. De acordo com o último levan­tamento do Departamento de Informática do SUS (DA­TASUS), a taxa de suicídio é superior às vítimas da Aids e da maioria dos tipos de câncer. Conforme o levantamento, em 2014, foram registrados cerca de 12 mil suicídios no país, contra aproximadamen­te 10 mil mortes por Aids. O psiquiatra ressalta que os números continuam a subir e a prevenção do suicídio é um assunto de saúde pública de suma importância. “Nós devemos tentar diminuir uma parcela de mortes que são evitáveis”, frisa.

A médica e professora da UFSJ – Campus Dona Lindu, Nadja Cristiane LappannBotti, o suicídio é cercado de mitos e tabus, e o primeiro deles é não falar sobre o assunto para não estimular que as pessoas tirem a própria vida. A médica quebra este tabu e afirma que o primeiro passo para diminuir o número de suicídios no Brasil é falar sobre o assunto. “Nós temos muitas inverdades, muitos tabus em relação ao comportamento suicida, e esses tabus, esses mitos, dificultam a prevenção, o manejo e a avaliação de ris­co. Por isso, a gente tem uma campanha para falar sobre o suicídio, porque este é um dos primeiros mitos que a gente tem, que quando se fala no suicídio a gente aumenta a possibilidade de ocorrência do fenômeno”, explica.

Conforme as entidades criadoras da campanha, o sui­cidio é um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimen­to, e não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas. As entidades reforçam que a esperança é o fato de que, segundo a Organi­zação Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos, e que é neces­sário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta. De acordo com a médi­ca, a taxa de suicídio pode ser ainda maior, pois cerca de 40% do ato não é registrado no Bra­sil. Segundo Nadja, o número de suicídios em Divinópolis é maior que a taxa nacional. Em 2014, foram registrados 29 suicídios na cidade, o que representa uma taxa de 11,28% para cada 100 mil habitantes. “É o dobro da taxa nacional. Divinópolis é a quarta região do Estado em números abso­lutos de suicídios”.

SINTOMAS E PREVENÇÃO

Conforme a médica, é pos­sível identificar os indícios de que uma pessoa quer tirar a própria vida e então fazer a prevenção. Segundo Nadja, em geral, os primeiros pensa­mentos, ações e sentimentos da pessoa são de extrema desesperança, desespero e de­pressão. “É uma dor psíquica, que leva a três características muito comuns. A primeira é a ambivalência, que é pensar na morte para aliviar o sofri­mento. Ora pensa em viver, ora morrer, mas sempre pensando na saída deste sofrimento”, esclarece. A médica explica ainda que o segundo indício do suicídio é a rigidez. De acordo com Nadja, esta indi­cação diz para a pessoa que não há outra possibilidade, outra saída para a solução do problema a não ser a morte. “Por último, a pessoa vai ter a extrema desesperança”, diz.

 

 

Segundo a médica, a prin­cipal prevenção para o sui­cídio é escutar a pessoa que está com indícios de suicídio. Nadja reforça que a pessoa que está com este transtorno geralmente verbaliza, indican­do principalmente vontade de sumir, desaparecer e de acabar com a própria vida. “Elas dizem que sem elas as coisas vão ficar mais fáceis, que não tem mais saída, que não tem mais chance e a gen­te tem que ter muita atenção com essa verbalização, e não achar que a pessoa quer sim­plesmente chamar a atenção. Na verdade, é um pedido de ajuda”, orienta. A médica ex­plica que toda pessoa que tem sintomas suicidas, ou chegam a tirar a vida, tem transtorno psiquiátrico. Nadja enfatiza de que, a cada dez suicídios, nove poderiam ser evitados. “Se a gente tivesse uma rede psi­cossocial fortalecida, se esses transtornos mentais fossem diagnosticados e tratados, a gente já teria uma expressiva diminuição nos casos de sui­cídio no Brasil”, afirma.

Nadja ressalta que há cerca de três décadas não falava-se sobre câncer e Aids, e isto difi­cultava o diagnóstico precoce das doenças. Segundo a médi­ca, a popularização do assunto ajudou a população a procurar o diagnóstico e o tratamento, e isto também deve ser feito em relação ao suicídio. “No mun­do, em menos de um minuto, uma pessoa suicida, então é algo que está presente, só não é falado, muitas vezes não é olhado e não é cuidado, mas ele é presente. Quanto mais nós falarmos e identificarmos as pessoas com os indícios de suicídio, mais vamos construir a prevenção desta morte”, detalha.

TENTATIVAS DE SUICÍDIO

Outro tabu fixado na socie­dade é “a pessoa, quando quer suicidar, ela suicida, ela não tenta”. Porém, a médica afir­ma que, além de ser um dos mitos mais comuns acerca do assunto, impede o diagnóstico e a prevenção ao suicídio. “O suicida fala sim, ele verbaliza. Só que, muitas vezes, ele tem uma intencionalidade que não é avaliada, e nesta tentativa ele pode vir a óbito”, explica. Conforme Nadja, o número de tentativas de suicídio é maior que o crime. Segundo a médi­ca, são cerca de 20 tentativas de suicídio de adultos para uma morte. “O número de ten­tativas de suicídio diminui de acordo com o avanço da faixa etária. Com adolescentes, são 100 tentativas para uma mor­te, e com o idoso, são quatro tentativas para uma morte”, informa.

PREFEITURA

A Prefeitura de Divinópolis informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que, na cidade, as ações de cons­cientização de prevenção do suicídio acontecerão de 13 a 17 de setembro, através de ações intersetoriais da Uni­versidade Federal São João Del Rei (UFSJ), Universidade de Minas Gerais (UEMG), Semusa, através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Clínica São Bento Menni, Faculdade Pitágoras e Faced; de sensibilização e conscien­tização da comunidade, pro­fissionais e alunos. Durante a campanha, vários monumen­tos e órgãos públicos serão iluminados de amarelo para lembrar a importância do debate e conhecimento sobre este assunto. De acordo com a Prefeitura, em Divinópolis, a sede da Secretaria de Saúde já está iluminada e ontem também ficaram iluminados a sede do Executivo, o Edifício Costa Rangel, a Ferrovia Cen­tro Atlântica (FCA), a Maria Fumaça, o Museu Histórico e a Universidade Federal São João Del Rei – Campus Dona Lindu (UFSJ).

Vamos falar sobre suicídio? Um assunto pouco falado e que ainda carrega um tabu da sociedade é o tema da campa­nha Setembro Amarelo. A ação tem como objetivo alertar à população a respeito da rea­lidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. A campanha foi iniciada no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Asso­ciação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O Setembro Amarelo realizou as primeiras ativida­des em 2014, concentradas em Brasília, e, em 2015, conseguiu maior exposição com ações em todas as regiões do país.

 

 

Conforme o médico psi­quiatra, Neury Botega, no Bra­sil, cerca de 40 pessoas tiram a própria vida diariamente. De acordo com o último levan­tamento do Departamento de Informática do SUS (DA­TASUS), a taxa de suicídio é superior às vítimas da Aids e da maioria dos tipos de câncer. Conforme o levantamento, em 2014, foram registrados cerca de 12 mil suicídios no país, contra aproximadamen­te 10 mil mortes por Aids. O psiquiatra ressalta que os números continuam a subir e a prevenção do suicídio é um assunto de saúde pública de suma importância. “Nós devemos tentar diminuir uma parcela de mortes que são evitáveis”, frisa.

A médica e professora da UFSJ – Campus Dona Lindu, Nadja Cristiane LappannBotti, o suicídio é cercado de mitos e tabus, e o primeiro deles é não falar sobre o assunto para não estimular que as pessoas tirem a própria vida. A médica quebra este tabu e afirma que o primeiro passo para diminuir o número de suicídios no Brasil é falar sobre o assunto. “Nós temos muitas inverdades, muitos tabus em relação ao comportamento suicida, e esses tabus, esses mitos, dificultam a prevenção, o manejo e a avaliação de ris­co. Por isso, a gente tem uma campanha para falar sobre o suicídio, porque este é um dos primeiros mitos que a gente tem, que quando se fala no suicídio a gente aumenta a possibilidade de ocorrência do fenômeno”, explica.

Conforme as entidades criadoras da campanha, o sui­cidio é um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimen­to, e não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas. As entidades reforçam que a esperança é o fato de que, segundo a Organi­zação Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos, e que é neces­sário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta. De acordo com a médi­ca, a taxa de suicídio pode ser ainda maior, pois cerca de 40% do ato não é registrado no Bra­sil. Segundo Nadja, o número de suicídios em Divinópolis é maior que a taxa nacional. Em 2014, foram registrados 29 suicídios na cidade, o que representa uma taxa de 11,28% para cada 100 mil habitantes. “É o dobro da taxa nacional. Divinópolis é a quarta região do Estado em números abso­lutos de suicídios”.

SINTOMAS E PREVENÇÃO

Conforme a médica, é pos­sível identificar os indícios de que uma pessoa quer tirar a própria vida e então fazer a prevenção. Segundo Nadja, em geral, os primeiros pensa­mentos, ações e sentimentos da pessoa são de extrema desesperança, desespero e de­pressão. “É uma dor psíquica, que leva a três características muito comuns. A primeira é a ambivalência, que é pensar na morte para aliviar o sofri­mento. Ora pensa em viver, ora morrer, mas sempre pensando na saída deste sofrimento”, esclarece. A médica explica ainda que o segundo indício do suicídio é a rigidez. De acordo com Nadja, esta indi­cação diz para a pessoa que não há outra possibilidade, outra saída para a solução do problema a não ser a morte. “Por último, a pessoa vai ter a extrema desesperança”, diz.

Segundo a médica, a prin­cipal prevenção para o sui­cídio é escutar a pessoa que está com indícios de suicídio. Nadja reforça que a pessoa que está com este transtorno geralmente verbaliza, indican­do principalmente vontade de sumir, desaparecer e de acabar com a própria vida. “Elas dizem que sem elas as coisas vão ficar mais fáceis, que não tem mais saída, que não tem mais chance e a gen­te tem que ter muita atenção com essa verbalização, e não achar que a pessoa quer sim­plesmente chamar a atenção. Na verdade, é um pedido de ajuda”, orienta. A médica ex­plica que toda pessoa que tem sintomas suicidas, ou chegam a tirar a vida, tem transtorno psiquiátrico. Nadja enfatiza de que, a cada dez suicídios, nove poderiam ser evitados. “Se a gente tivesse uma rede psi­cossocial fortalecida, se esses transtornos mentais fossem diagnosticados e tratados, a gente já teria uma expressiva diminuição nos casos de sui­cídio no Brasil”, afirma.

Nadja ressalta que há cerca de três décadas não falava-se sobre câncer e Aids, e isto difi­cultava o diagnóstico precoce das doenças. Segundo a médi­ca, a popularização do assunto ajudou a população a procurar o diagnóstico e o tratamento, e isto também deve ser feito em relação ao suicídio. “No mun­do, em menos de um minuto, uma pessoa suicida, então é algo que está presente, só não é falado, muitas vezes não é olhado e não é cuidado, mas ele é presente. Quanto mais nós falarmos e identificarmos as pessoas com os indícios de suicídio, mais vamos construir a prevenção desta morte”, detalha.

TENTATIVAS DE SUICÍDIO

Outro tabu fixado na socie­dade é “a pessoa, quando quer suicidar, ela suicida, ela não tenta”. Porém, a médica afir­ma que, além de ser um dos mitos mais comuns acerca do assunto, impede o diagnóstico e a prevenção ao suicídio. “O suicida fala sim, ele verbaliza. Só que, muitas vezes, ele tem uma intencionalidade que não é avaliada, e nesta tentativa ele pode vir a óbito”, explica. Conforme Nadja, o número de tentativas de suicídio é maior que o crime. Segundo a médi­ca, são cerca de 20 tentativas de suicídio de adultos para uma morte. “O número de ten­tativas de suicídio diminui de acordo com o avanço da faixa etária. Com adolescentes, são 100 tentativas para uma mor­te, e com o idoso, são quatro tentativas para uma morte”, informa.

PREFEITURA

A Prefeitura de Divinópolis informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que, na cidade, as ações de cons­cientização de prevenção do suicídio acontecerão de 13 a 17 de setembro, através de ações intersetoriais da Uni­versidade Federal São João Del Rei (UFSJ), Universidade de Minas Gerais (UEMG), Semusa, através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Clínica São Bento Menni, Faculdade Pitágoras e Faced; de sensibilização e conscien­tização da comunidade, pro­fissionais e alunos. Durante a campanha, vários monumen­tos e órgãos públicos serão iluminados de amarelo para lembrar a importância do debate e conhecimento sobre este assunto. De acordo com a Prefeitura, em Divinópolis, a sede da Secretaria de Saúde já está iluminada e ontem também ficaram iluminados a sede do Executivo, o Edifício Costa Rangel, a Ferrovia Cen­tro Atlântica (FCA), a Maria Fumaça, o Museu Histórico e a Universidade Federal São João Del Rei – Campus Dona Lindu (UFSJ).

 

 

PROGRAMAÇÃO

Hoje, às 15h – Cinema comentado para usuários do Centro de Saúde Niterói.

Às 19h30 – Palestra “A História do Suicídio” na UEMG, com a palestrante: Nadja Cristiane LappannBotti

Às 20h30 – Palestra “Rede de Atenção à Saúde Mental e Prevenção do Suicídio” na UEMG, com a palestrante: Cristiane Nogueira.

Dia 16 às 8h – Palestra “Suicídio na Infância”, ministrada por Aline Silva.

Às 10h – Palestra “Abordagem do Paciente em Situação de Risco de Suicídio”, ministrada por Michele Milleib.

Às 11h – Palestra “Prevenção do Suicídio na Pers­pectiva da Psicanálise”, com palestrante Mardem Leandro.

Às 14h – Cinema comentado com Santhiago Souza e Daniela Couto. Às 19h, acontece a pa­lestra “Suicídio sob a Perspectiva Psicossocial”, ministrada por Eloísa Borges.

Às 20h – Palestra “Prevenção do Suicídio na Perspectiva da Fenomenologia Existencial”, com o palestrante Reinaldo Júnior

Às 21h – Palestra “Terapia Cognitiva e Prevenção do Suicídio”, ministrada por Santhiago Souza. Todas as atividades deste dia serão realizadas na UEMG.

Dia 17, a partir de 7h30, tem Ação de Valorização da Vida e sensibilização à prevenção do suicídio na Feira do Esplanada, com participação da UFSJ, UEMG, Faculdade Pitágoras e CAPS AD. Participação da Blitz 94 FM em ação de valorização da vida e sensibilização à prevenção do suicídio.

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