sexta-feira, 9 de Setembro de 2016 17:13h Jotha Lee

Divinópolis ainda corre o risco de perder duas grandes empresas

O fechamento de empresas em Divinópolis e outras que po­dem deixar a cidade e se instalar em municípios vizinhos, ainda são ameaças para Divinópolis. Conforme o Jornal Gazeta do Oeste antecipou em reporta­gem publicada há dois meses, a Brasul, a maior distribuidora de cerveja da região, e a fábrica de calçados Fio de Ouro, estão para deixar o município por falta de espaço para expansão de suas atividades.

A Brasul, revendedora da Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), está ins­talada no Distrito Industrial e oferece hoje 300 empregos diretos, possui uma frota de 100 veículos e atende a dezenas de cidades da região central do Estado. Em função do cresci­mento da empresa nos últimos anos e com a ampliação de seu catálogo de bebidas, tornou-se necessária a imediata amplia­ção de sua área de localização. Para isso, a empresa precisa adquirir um terreno para am­pliar seu espaço físico e vem pleiteando junto ao município desde o ano passado. Sem su­cesso, a empresa adquiriu um terreno em São Sebastião do Oeste, onde, inclusive, recebeu oferta por parte da prefeitura local de incentivos fiscais.

Com muito atraso, somente no início desse mês, o prefeito enviou o Projeto de Lei 70/2016, que prevê a doação com en­cargos à Brasul, de um terreno com 2,5 mil metros quadrados, localizado no Centro Indus­trial, avaliado em R$ 306,7 mil. A doação se efetivará através de decreto municipal após o cumprimento, por parte da em­presa, da obrigação de efetivar as obras de infraestrutura e pro­jetos, cujo valor será limitado à avaliação do imóvel corrigido pelo Índice Geral de preços de Mercado (IGPM) se não pago em até meses, a partir da publicação desta Lei. O projeto está parado nas Comissões da Câmara que ainda não emitiu os pareceres.

INVESTIMENTOS

De acordo com o presiden­te da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Divinópolis (Acid), Léo Gabriel, o projeto está en­contrando resistências na Câ­mara. Após a doação do terreno, a Brasul pretende investir R$ 6 milhões. Instalada em Divinó­polis há 16 anos, atualmente a empresa é o 6º maior Valor Adicionado Fiscal (VAF) do Mu­nicípio. O VAF é um indicador econômico-contábil utilizado pelo Estado para calcular o índi­ce de participação municipal no repasse de receita do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comuni­cação (ICMS), principal receita do Município. Com a expansão, a Brasul vai abrir 50 novas vagas com carteira assinada.

Segundo Léo Gabriel, a Am­bev concedeu um prazo para a Brasul fazer a ampliação do seu espaço físico. “Esse prazo já venceu e a empresa ainda não conseguiu fazer sua expansão. Em São Sebastião do Oeste a Brasul recebeu toda atenção do prefeito, inclusive com a promessa de isenção de ISSQN. Procuramos o poder público e agora estamos esperando que a Câmara aprove esse projeto com a maior urgência para ga­rantir a permanência da empre­sa. Ela não está ganhando esse terreno, ela está comprando o imóvel. Concluindo essa etapa, a Brasul fica na cidade, mas depende da Câmara”, explicou.

Já a situação da fábrica de calçados Fio de Ouro é mais complicada, uma vez que não existe nem mesmo um projeto do Executivo para a doação onerosa de um terreno para sua expansão. A empresa tem atualmente 600 funcionários e pretende contratar mais 200, porém depende do município para ampliar seu espaço físico. De acordo com Léo Gabriel, a empresa está numa área resi­dencial, que não permite seu crescimento, além de dificultar inclusive o acesso e a mano­bra de veículos. “Seu parque industrial está prejudicado e a empresa não tem onde colocar esses novos contratados. A Fio de Ouro continua aguardando uma resposta da prefeitura para permanecer na cidade”, esclareceu.

A fábrica já tem convites das prefeituras de Nova Serra­na e São Gonçalo do Pará. Léo Gabriel apelou ao bom senso das autoridades para evitar que Divinópolis perca a indústria. “Faço um apelo ao prefeito, ao secretário municipal de Desen­volvimento Econômico, que dê mais atenção para a Fio de Ouro, que hoje está entre as 10 empresas que mais empregam na região”, finalizou.

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