quarta-feira, 28 de Setembro de 2016 16:38h Jotha Lee

Divinópolis recebe avaliação positiva

Divinó­polis. Em um levantamento inédito no país, realizado pelo Observatório das Metrópoles e coordenado pela Universi­dade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a cidade obteve expres­siva classificação no Índice de Bem-Estar Urbano (Ibeu). O Observatório das Metrópo­les reúne 159 pesquisadores (dos quais 97 principais) e 59 instituições dos campos universitário (programas de pós-graduação), governamen­tal (fundações estaduais e pre­feitura) e não-governamental, sob a coordenação geral do Instituto de Pesquisa e Plane­jamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ.

Entre as 27 capitais, a cida­de paulista ocupa a 12ª posi­ção, com índice de 0,8119 - ela está no 1.897º lugar entre todas as cidades do país. Vitória (ES) lidera, com 0,9. Quanto mais próximo de 1,0, melhor é a condição de bem-estar urba­no. Ainda entre as capitais, Goiânia aparece em 2º lugar com 0,8742, seguida de Curiti­ba, com 0,8740. Belo Horizonte aparece em 4º lugar entre as capitais, com índice de 0,8619.

No ranking geral, consi­derando todos os municípios do Brasil, as cinco primeiras colocadas estão no Estado de São Paulo. Buritizal é a campeã nacional (0,951). Na 5.565.ª posição, o pior índice é de Presidente Sarney (MA), com 0,444.

O estudo Ibeu Municipal avaliou cinco indicadores de qualidade: mobilidade urbana, como o tempo de deslocamen­to de casa para o trabalho; condições ambientais (arbo­rização, esgoto a céu aberto, lixo acumulado); condições habitacionais (número de pessoas por domicílio e de dormitórios); serviços cole­tivos urbanos (atendimento adequado de água, esgoto, energia e coleta de lixo); e in­fraestrutura.

A dimensão que apresenta a pior situação de bem-estar, nacionalmente, é a infraes­trutura das cidades: 91,5% dos municípios estão em níveis ruins e muito ruins. Para ava­liar a infraestrutura, o Obser­vatório considerou sete indi­cadores: iluminação pública, pavimentação, calçada, meio-fio/guia, bueiro ou boca de lobo, rampa para cadeirantes e logradouros. Somente um município apresenta condição muito boa de infraestrutura: Balneário Camboriú (SC).

Para se chegar à média de cada cidade, foi determinada a seguinte regra de índices: entre 0,9 e 1, muito bom; entre 0,8 e 0,9, bom; entre 0,7 e 0,8, médio; entre 0,5 e 0,7, ruim; e abaixo de 05, muito ruim.

MINAS GERAIS

As cidades com menor po­pulação, embora sobrevivam com orçamentos bem me­nores, se destacaram ficando nas primeiras colocações. De acordo com o estudo, essa tendência se dá pelo fato de o orçamento ser bem adminis­trado e pelo baixo índice de atendimento à população ex­terna. Entre outros fatores que pesam a favor dos pequenos municípios são a baixa frota de veículos, as pequenas dis­tâncias a serem percorridas de casa para o trabalho e o menor volume de lixo.

As cinco cidades minei­ras mais bem colocadas no ranking nacional foram An­tônio Prado de Minas, pri­meiro lugar no Estado e 9º na classificação geral com índice de 0,931. Logo a seguir vem Santana dos Cataguases, 2ª colocada em Minas e 11ª no ranking nacional, com 0,930. A terceira colocada no Estado e 20ª no país é Laranjal, com índice de 0,925. Em quarto lugar estadual aparece Itaú de Minas, 23ª no país, com 0,925 e a quinta colocada estadual foi Rio Doce, 36ª no ranking nacional, com 0,921. Todas essas cidades receberam índice “Muito Bom”.

DIVINÓPOLIS

Divinópolis, que há 15 dias recebeu uma incômoda ava­liação de eficiência na aplica­ção dos recursos, ficando em 1.722º lugar no ranking nacio­nal em levantamento realiza­do pelo Instituto Datafolha, aparece em outro patamar no Índice de Bem-Estar Urbano dos municípios brasileiros. De acordo com o levantamento do Observatório das Metrópoles, Divinópolis, com 232.945 ha­bitantes, está em 7º lugar na região Centro-Oeste de Minas, que compreende 44 municí­pios. Foi a 138ª no Estado e 605ª no ranking nacional, com índice de 0,877 (bom).

A cidade seguiu a tendên­cia nacional e na avaliação de infraestrutura o Ibeu divi­nopolitano ficou com índice de apenas 0,591 (ruim). Nos demais índices avaliados, a ci­dade teve índice “muito bom”: mobilidade urbana (0,964); condições ambientais urbanas (0,955); condições habitacio­nais (0,928); e serviços coleti­vos urbanos (0,945).

Na região Centro-Oeste, a melhor avaliação foi para Itaú­na, que obteve índice de 0,897, vindo a seguir Pará de Minas (0,894), Arcos (0,983), Pedra do Indaiá (0,887) e Piumhi (0,882). Divinópolis foi a sétima colo­cada na região.

Entre as cidades mineiras com mais de 200 mil habitan­tes, Divinópolis ficou atrás de somente quatro municípios: Ipatinga: 14º lugar no Estado, 127º no ranking nacional, índi­ce 0,911 (muito bom), 259.325 habitantes. Uberlândia: 23º lugar o Estado, 205º no ranking nacional, índice 0,905 (muito bom), 669.672 moradores. Uberaba: 33º lugar em Minas, 252º no país, índice 0,902 (mui­to bom), 325.279 habitantes. E Governador Valadares: 138º no Estado, 586º no ranking na­cional, índice de 0,878 (bom), 279.665 habitantes.

INVESTIMENTOS

A pedido do Jornal Ga­zeta do Oeste, a Diretoria de Comunicação da Prefeitura realizou um levantamento dos principais investimentos realizados no município, que permitiram a boa colocação da cidade no Índice de Bem-Estar Urbano (Ibeu). É importante destacar que o levantamento é totalmente independente, realizado por um órgão sem fins lucrativos, nenhum mu­nicípio pagou para constar do levantamento e a coordenação foi da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo nota oficial, “a Prefeitura de Divinópolis cada vez mais investe em espaços públicos adaptados para que pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida te­nham acesso com conforto e segurança. Nos últimos anos, importantes espaços públicos foram adaptados à acessibili­dade como o Ginásio Polies­portivo Fábio Botelho Notini, as praças Benedito Valadares (Santuário), Nelson Pelegrini (Bom Pastor), São Vicente (Interlagos), Dulphe Pinto de Aguiar (Porto Velho), Praça da Locomotiva (Esplanada) e do Planalto”.

A prefeitura informa, ainda que “outros espaços esportivos foram também adaptados como poliesportivo de Santo Antônio dos Campos, quadras poliesportivas de comunida­des rurais, como Djalma Dutra e Amadeu Lacerda, e espaços especiais na revitalização do Parque Ecológico Prefeito Dr. Sebastião Gomes Guimarães (Parque da Ilha)”.

Na contabilidade da prefei­tura, trezentas rampas foram construídas na cidade. “Dois grandes calçadões foram tam­bém construídos na Avenida Ayrton Sena e na Rua Pitangui. As travessias elevadas no cen­tro da cidade, localizadas nas avenidas 1º de Junho, Getúlio Vargas e Antônio Olímpio de Morais, além do alargamento e sinalização das calçadas na 1ª de Junho e Rua Goiás, foram de valiosa contribuição para facilitar o trânsito de pessoas com deficiência”, analisa a nota oficial do município.

Ainda segundo a prefeitura, unidades de saúde como UPA Padre Roberto, Policlínica e Cemas (Laboratório Munici­pal) e ainda os novos Centros Municipais de Educação tam­bém são acessíveis. “Vinte e seis unidades escolares da rede municipal receberam, desde 2009, inúmeras obras de aces­sibilidade. Rampas, banheiros, portas e bebedouros acessí­veis foram implantados nas escolas, Centros de Educação Infantil (Cmei) e no Centro Especializado de Atendimento Educacional (CEAE)”, garante a nota da prefeitura.

Ainda na questão da acessi­bilidade, a prefeitura destaque que a frota de ônibus do trans­porte coletivo urbano é 100% adaptada. “São 160 veículos, sendo 114 de três portas e 46 de duas portas, com média de idade de 1,96 ano, média brasi­leira é de três anos. Atualmente 55% dos usuários do Transpor­te Coletivo utilizam o cartão Divpass com 50% de desconto no segundo deslocamento e com tarifa zero aos domingos e feriados no segundo deslo­camento”.

Sobre a baixa eficiência na dimensão “infraestrutura” a prefeitura admite que ainda há muito que fazer e justifica que a especulação imobiliária é um dos fatores prejudiciais. “A prefeitura reconhece a falta de infraestrutura de alguns bairros, mas os investimentos aumentaram o número de ruas pavimentadas. Em oito anos, 140 quilômetros de vias receberam asfalto e calçamen­to. A falta de infraestrutura é resultado da forte escalada de abertura de 200 loteamentos nos anos 80 sem qualquer tipo de planejamento”.

Ainda segundo a nota ofi­cial, “esse ano as obras de drenagem e asfaltamento do itinerário das linhas de ônibus chegaram ao bairro Belo Vale. Foram 106 metros de rede de drenagem pluvial e 11,7 mil metros quadrados de pavi­mentação asfáltica com inves­timento de R$ 570 mil. Na zona rural também foram aplicados recursos municipais. A prefei­tura finalizou o calçamento de 14 quarteirões na comunidade de Buritis. Ao todo foram 7,5 mil metros quadrados de pa­vimentação poliédrica”.

Segundo a nota oficial, em parceria com os morado­res, a prefeitura desenvolve atualmente sete frentes de calçamento em bairros da cidade. Neste ano, 220 quar­teirões receberam calçamento poliédrico em Divinópolis, de acordo com o Setor de Calça­mento da Secretaria Municipal de Operações Urbanas. O setor informa que trabalhadores finalizaram, por exemplo, cal­çamento na Rua Atenas, no bairro Padre Eustáquio, e na Rua Antonina Maria Pereira, no Davanuze. No bairro Nova Ho­landa as ruas Santarém e Três Pontas recebem os serviços de calçamento.

Com relação ao meio am­biente, a prefeitura afirma que o maior investimento na área ambiental da cidade agora começou em definitivo. “A despoluição do Rio Itapeceri­ca permitirá 100% do esgoto tratado e poucas médias e grandes cidades fazem esse tratamento. As obras, com re­cursos de R$ 240 milhões, pre­vistas para serem concluídas em até 24 meses, contemplam a implantação de mais de oito quilômetros de redes coletoras, 106 quilômetros de intercep­tores, 20 estações elevatórias de esgotos, além de duas ETE Itapecerica e ETE Ermida que, juntas, terão capacidade para tratar 90% dos esgotos coleta­dos em Divinópolis”, assegura a nota oficial.

Finalmente, a prefeitura diz que tirou 100 pessoas que viviam no lixão e implantou o aterro controlado. “Na área de habitação, a cidade recebeu a maior frente de construção de casas da história com 1.272 unidades para a população de baixa renda”, finaliza a nota oficial do município.

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